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25/06/2014 - Henrique Macia Alves da Cruz, Pilar

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Um dos destaques do Paulistano (SP) na temporada 2013/2014 foi Henrique Macia Alves da Cruz, conhecido como Pilar. Aos 30 anos, o ala/pivô quer mostrar que sua convocação para o Campeonato Sul-Americano da Venezuela, de 24 a 28 de julho, na Ilha de Margarita, na Venezuela, não veio por acaso. O atleta, que começou nas categorias de base dos clubes de São Paulo, atuou também como armador, ala e pivô. E essa versatilidade também reflete fora das quadras: Pilar tem gostos musicais e literários diferentes daqueles normalmente observados no meio esportivo. Estudante de História, o paulista teve influência do avô, Arnaldo Vaz Macia, ex-jogador de basquete do Palmeiras, para começar no esporte.
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Como o basquete surgiu na sua vida?

É engraçado porque minha família respira esporte. Meu pai, Mário Sérgio, de 62 anos, foi jogador de futebol do São Paulo, e com meus dois metros de altura tentou me tornar um goleiro. Já minha mãe, Eliana Vaz Macia, foi nadadora e chegou a disputar as Olimpíadas do México, em 1968. Mas o incentivo do meu avô materno, Arnaldo Vaz Macia, ex-jogador de basquete, determinou minha carreira. Eu observava ele treinando no Ibirapuera e adorava. Aos oito anos comecei numa escolinha de esporte, na Faculdade de Medicina da USP. Seis anos depois recebi um convite para jogar basquete no Pinheiros. Em 2004, com 20 anos, fui para o Paulistano (SP) e me profissionalizei. Passei também pelo São José dos Pinhais, do Paraná (2006), FTC/Salvador, na Bahia (2007), São Bernardo (2009) e Bauru (2010), até retornar ao Paulistano no ano passado.

Quais foram suas principais conquistas?

Em 2009, pelo São Bernardo (SP), fui campeão do Campeonato do Milênio, que era o acesso ao Campeonato Paulista. Defendendo o Bauru fui terceiro colocado no Paulista de 2012 e 2013 e no Novo Basquete Brasil (NBB), em 2013. Esse ano foram dois vice-campeonatos, no Paulista e no NBB.
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Como você avalia a campanha do Paulistano na temporada 2013/2014 do NBB?

Fomos muito bem na fase de classificação e ficamos em segundo lugar atrás apenas do Flamengo. Na decisão contra eles, eu acho que pesou muito o fator do Flamengo jogar em casa. Eles tiveram um grande apoio da torcida. Mas o time trabalhou forte, foi bem competitivamente e atuamos de igual para igual na decisão.
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Como é trabalhar com o técnico Gustavo De Conti?

Já conhecia o Gustavinho quando ele era auxiliar técnico no Paulistano. Foi lá que cheguei no adulto. Vim trabalhar com ele como técnico apenas em 2013. Ele é uma pessoa exemplar. Sabe cobrar de uma maneira correta e deixa tudo bem estabelecido para os atletas. Hora de defender, de segurar e de atacar. Mostra que um time não tem apenas um protagonista , que todos são importantes e tem o seu valor. Isso faz que cada um respeite muito o trabalho do outro. Passa uma grande confiança para a equipe.

Por atuar em muitas posições na quadra você se considera um atleta “coringa”?

Comecei na escolinha atuando em outras posições. Como eu era grande, jogava de pivô. Depois fui jogar de ala até os 17 anos e passei para ala/armador. Joguei de armador na Hebraica (SP). Depois, comecei a jogar mais de ala/pivô. O basquete evoluiu e colocou jogadores mais rápidos e versáteis para jogar de pivô. Me sinto confortável jogando como três (ala) ou quatro (ala/pivô).
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Foi a sua primeira convocação para a Seleção Brasileira?

Sim, e fico muito feliz por essa lembrança. Essa convocação me deixa ainda mais motivado para continuar meu trabalho.

Qual a sua expectativa para disputar o Sul-Americano na Venezuela?

Muito boa e ansioso para ver logo a bola rolar. Já vinha me preparando para a competição e quero me entregar de cabeça e alma. Espero progredir e lutar com meus companheiros para conseguirmos uma vaga para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, em 2015. E quem sabe conquistar uma vaga no time do Rubén (Magnano) para o Mundial da Espanha.

Dos adversários que o Brasil irá enfrentar na Sul-Americano, qual é o mais complicado?

Na primeira fase pelo grupo “A”, a Argentina com certeza. Eles têm muita tradição. Os outros dois adversários, Equador e Paraguai, conheço pouco. Já na chave “B”, eu aponto Uruguai e Venezuela, que joga em casa, como os favoritos. Não acredito em Peru e Chile.
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Já trabalhou antes com o técnico da seleção José Neto?

Sim, no Paulistano em 2005. Foi meu primeiro técnico no adulto do clube paulista. Foi um aprendizado muito grande. É um amigo pessoal e foi muito importante na minha fase de iniciação como jogador. É bom porque já estou acostumado com sua metodologia de trabalho que é bem parecida com a do Gustavo de Conti, meu treinador no Paulistano. Jogo com intensidade e versatilidade. É uma honra voltar a trabalhar com ele na seleção.

Fora das quadras, como é o Pilar? Tem algum hobby?

Adoro literatura, música e cozinhar. Também curso História na PUC-SP e me formo daqui um ano. Comecei a ler porque minha mãe é psicanalista e sempre havia muitos livros lá em casa. Adoro livros de jazz e romance. Porém, estou atualmente lendo um livro sobre a história dos Beatles. Já na parte musical, eu toco guitarra e violão e gosto de ouvir MPB e Jazz. Tenho escutado muito Bob Dylan e Karina Buhr. Na cozinha, tenho que me alimentar bem, sou atleta e tento fugir dos “fast foods”. A minha especialidade é a moqueca de camarão, mas arrebento na de peixe também.
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Como é a sua rotina de treinos e estudos?

Acordo às oito horas da manhã todos os dias e às nove já estou na Academia. De 10 às 12h, treino na quadra com bola. Duas vezes por semana temos treinos na parte da tarde também, de 17 às 19h. Segunda, terça e quarta à noite vou para a faculdade. Quando tenho uma hora vaga, procuro estudar. É corrido, mas vale a pena.

Você está acompanhando os jogos da Copa do Mundo de futebol? Como os atletas planejam ver os jogos na preparação?

Os jogos estão muito equilibrados e com muitas surpresas. É uma Copa com média muito alta de gols. Mas o mais importante é essa integração de torcedores nas ruas. Vi o último jogo da seleção brasileira com o Gustavo Lima, armador do Mogi Mirim. Já as outras partidas vou assistir junto dos atletas da seleção em alguma sala do hotel. Vai dar Brasil!