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13/06/2014 - Bianca Araújo

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Aos 18 anos, a pivô Bianca Araújo da Silva está pronta para integrar sua primeira Seleção Brasileira Adulta nos três jogos amistosos contra o Canadá no final de junho. Mesmo jovem, a jogadora já possui um currículo com importantes conquistas defendendo as equipes nacionais nas categorias de base. Foram dois títulos Sul-Americanos – Sub-15 (Equador/2011) e Sub-17 (Equador/2013) –, além de defender o Brasil no Mundial da Holanda em 2012. O esporte fez ainda mais pela jogadora que teve sua vida mudada. Bianca saiu das ruas onde trabalhava com material reciclável diretamente para as quadras de basquete.

Qual a sua expectativa para os jogos amistosos no Canadá?

A expectativa não poderia ser melhor. Quero fazer bons jogos e ajudar a minha equipe a fazer o melhor trabalho possível dentro das quadras. Mas será a minha estreia numa equipe adulta, o que causa muita ansiedade. Acredito que depois desse torneio vou me soltar bem mais.
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Foi surpresa essa convocação para uma Seleção Adulta aos 18 anos?

Nossa senhora, nunca pulei tanto quando eu soube da notícia. Estou muito feliz. Eu olhava toda hora para a convocação no site da CBB para ver se era verdade. Todos os meus amigos me ligaram para dar parabéns. Mas a primeira pessoa que falei foi com a minha mãe, Dona Maria. Ficamos abraçadas e chorando. É muita emoção.

Qual a maior diferença entre os jogos das categorias de base para o adulto?

Mesmo basquete sendo basquete em qualquer lugar, com certeza existem diferenças. Já comecei a treinar com a categoria adulta em Santo André (SP) e vejo diferença da Sub-19 do ano passado. É um jogo mais pegado, com força e disputas bem mais acirradas.

E a possibilidade de ficar entre as 12 atletas que vão disputar o Sul-Americano do Equador, de 14 e 18 de agosto?

Estou bastante confiante na conquista dessa vaga. Quero ser campeã sul-americana adulta desta vez, pois já participei da conquista de uma medalha de ouro com a categoria sub-15 e uma com a Sub-17. Mesmo sendo mais nova, tenho certeza de que posso colaborar muito. Vou bastante focada para esses jogos atrás desse objetivo.
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Foi você que descobriu o basquete ou basquete que te descobriu?

Eu sempre brinco que foi o basquete que insistiu comigo. Na verdade, quando eu tinha 12 anos, o Israel um amigo meu da igreja insistiu para eu ir fazer testes no clube (Santo André/SP). Ele me levava até a porta do ginásio e ia embora. Assim que ele virava a esquina corria para casa. Eu até queria tentar, mas tinha muita vergonha de ir lá e tentar. Um dia quando fugi e cheguei em casa, ele estava lá me esperando. Não deu outra. Me levou de volta para o ginásio, fiz o teste e fui aprovada. Não gostei de cara, mas com o tempo fui me apaixonado e hoje não consigo viver sem o basquete.
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Como foi conhecer o basquete pelas mãos da pentacampeã sul-americana e bicampeã pan-americana, Laís Elena Aranha, sua técnica em Santo André (SP)?

Ela não foi a minha primeira técnica, mas foi quem me fez ficar no basquete. Ela se tornou minha técnica nessa temporada da Liga Feminina (LBF) e está sendo muito bom. A Laís é como uma mãe para mim e me ajuda dentro e fora de quadra. Ela procura sempre me incentivar e me ajuda dizendo como e quando devo atuar de uma forma ou de outra. A Laís também ficou muito feliz por essa convocação. Teve uma vez que fiquei doente e ela não saiu de perto de mim. Ficou o tempo todo comigo no hospital. Eu e minha família somos muito gratas a ela.

Como é a Bianca dentro da Seleção Brasileira?

Eu sou sempre muito brincalhona, no treino sou sempre aquela que fala uma besteira para descontrair. Gosto e me sinto bem quando o time está unido e entrosado. Se uma esta mal, eu gosto de ajudar a levantar a autoestima ou na união do grupo. Na quadra, eu jogo com sangue nos olhos. Acho que tem hora para tudo.
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Como é o trabalho de uma pivô?

Não é trabalho fácil ser pivô. A gente apanha muito embaixo do garrafão. Tem que ter muita força e não pode ter corpo mole, senão até as pequenas roubam a bola de você.
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Qual a expectativa para trabalhar com o técnico Luiz Augusto Zanon?

Já assisti ele no comando da Seleção Brasileira pessoalmente e na televisão. Acompanho sempre e dá para ter uma noção de como ele é como técnico. Acho um excelente treinador, mas confesso que estou apavorada com essa missão. Quero fazer bonito, quero passar confiança para ele do meu trabalho. Isso é uma grande missão no meio de tanta gente talentosa. Espero que façamos um bom trabalho juntos. Tenho confiança que vai dar tudo certo.

Qual a sua opinião sobre o processo de renovação da Seleção Brasileira Feminina?

Excelente. É muito bom para dar espaço para as mais novas ganharem experiência e tem muita jogadora boa querendo mostrar seu potencial. Todo atleta sonha em chegar na Seleção Brasileira. O importante é ter esse espaço para mostrar o que cada uma pode fazer pelo Brasil.
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Como vai ser dividir o garrafão com seu ídolo, a pivô Clarissa Santos, nos jogos amistosos do Canadá?

Nossa vai ser o máximo. Ela vai ser uma pessoa que com certeza vai me ajudar muito nesse início. Mas vou ter que fazer bem o meu papel para ajudar. Tenho certeza que vou aprender muita coisa com a Clarissa. Pretendo observar o que ela faz e absorver todas as dicas que ela vai me passar. Só de saber que vai estar do meu lado vai me dar uma boa segurança.

E fora das quadras. Qual a programação preferida com as amigas e família?

Gosto de ficar em casa, mas de sair com as minhas amigas também. Adoro ir ao shopping ver o movimento, ir ao cinema. E ultimamente adquiri um novo hobby que é pescar. Quando vou para casa dos meus tios em Mogi das Cruzes (SP), fico no lago com meus primos para pescar. No início, eu tinha nojo de pegar no peixe, mas agora está tranquilo.
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Como foi o processo de sair de casa tão nova?

Comecei a jogar com 12 e com 13 sai de casa para ir morar no alojamento do clube. Não foi fácil. Sentia muita saudade de casa, mas com o tempo acabei me acostumando. Agora me viro super bem. Ainda não sei cozinhar e compro comida pronta no mercado, mas na hora de dividir as tarefas na república eu fico com a limpeza.
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Sua família te incentivava a praticar basquete?

Sempre. Meu irmão jogou vôlei e eu também tentei por um tempo, mas não deu certo. O basquete foi o único esporte que me deu prazer em praticar.

O que o basquete te proporcionou?

Nossa, muita coisa. Mas o principal foi ter me ajudado a dar uma vida melhor para minha família. Trabalhávamos com material reciclável e com o basquete pude ajudar a minha mãe e irmão a terem um destino diferente. E tudo que eu faço é para eles. Meu primeiro salário como atleta foi para dar uma reforma na casa. Hoje falta pouco e a casa já está quase pronta.

Qual a sua expectativa para o futuro?

Continuar bem na minha profissão e terminar meus estudos. Um dia pretendo devolver ao basquete tudo que ele está me dando. Quero fazer faculdade de educação física e, quem sabe, me tornar uma treinadora.