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04/06/2014 - José Alves Neto

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Em dois anos como treinador do Flamengo, José Alves Neto, de 43 anos, já está adaptado à cidade carioca. Natural da cidade de Itapetininga, no interior de São Paulo, Neto não se desgruda um minuto do convívio com a família nos tempos livres. Dentro das quadras, levou o Flamengo nesta temporada ao terceiro título do NBB (dois sob seu comando) e igualou a José Carlos Vidal como o técnico mais vitorioso do torneio. Além de ajudar o clube carioca a igualar a marca do Brasília com três títulos do NBB em seis edições. Foram mais dois títulos estaduais e o título da Liga das Américas em 2014. Em sete torneios disputados, a equipe venceu cinco e disputou seis finais. Conquistas que coroam o belo trabalho realizado por jogadores e comissão técnica, que vão disputar nos dias 26 e 28 de setembro, no Rio de Janeiro, o Mundial Interclubes contra o Maccabi Tel Aviv, de Israel. E a equipe rubro-negra disputará ainda dois jogos contra uma equipe da NBA nos Estados Unidos, mas ainda sem data e adversários definidos.
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Em dois anos como treinador do Flamengo você conquistou cinco títulos. Como você avalia sua performance?

Mais do que os títulos conquistados, que, aliás, são muito importantes, o bom mesmo foi ter formado um grupo de trabalho. Com jogadores e comissão técnica em sintonia. O nosso grupo acreditou em uma proposta de trabalho que foi muito bem executada e atingiu os objetivos propostos.
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O que representa ser técnico do Flamengo, clube com a maior torcida no Brasil?

É gratificante. Na verdade é representar uma nação, mais de 40 milhões de torcedores. Estamos representando um grande clube, com grandes jogadores. Vimos a força da torcida nos jogos da Liga das Américas, nas finais do NBB e do Campeonato Carioca. O mais impressionante é que sempre termos a presença de torcedores mesmo quando jogamos fora do Rio. Essa temporada, por exemplo, tivemos torcida em Quito, no Equador, e em Xalapa, no interior do México. Isso, com certeza, é uma das coisas que nos motivam sempre a dar o nosso melhor. Acredito muito que o técnico de uma equipe tem que saber mais do que técnicas e táticas, mas ser um gestor de pessoas, afim de poder extrair o melhor de cada integrante em prol da equipe.
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Qual a principal característica do time do Flamengo?

É o jogo coletivo, até porque no basquete isso é fundamental. Não temos só bons jogadores, mas também conseguimos formar uma boa equipe. Cada um sabe muito bem sua função e procuramos fazer o nosso melhor para a evolução da equipe.

O que você achou do nível técnico do NBB para esta temporada?

As equipes estão cada vez investindo mais, procurando se fortalecer a cada temporada. Muitos jogadores que tiveram experiências em outras ligas mais fortes, como NBA e Euroliga, estão vindo jogar no Brasil e isso faz o nível técnico melhorar assim como a busca por melhorias de estrutura que também esta acontecendo. Acredito que o basquete esta sendo um produto cada vez mais atrativo.
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E como está a preparação para o Campeonato Mundial de clubes contra o Maccabi Tel Aviv (Israel) no Rio?

Nossa programação terminou na final do NBB. Agora vamos começar um novo ciclo, um novo foco, em que o Mundial faz parte. O objetivo do Flamengo é trabalhar para que seja um time cada vez mais forte. É uma honra o Flamengo representar o Brasil nesse evento. Acompanhei a Euroliga e o Maccabi foi uma equipe que surpreendeu. Para se classificar ao Final Four venceu o playoff contra a equipe de Milão na quinta partida fora de casa, depois de estar perdendo por quase 20 pontos. Na semifinal viraram um jogo espetacular contra o CSKA da Rússia e na final ganharam do poderoso Real Madrid, que era o favorito. Mas ainda não sei como eles virão para cá, já que podem reformular o elenco para esta temporada.
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Qual a expectativa do Flamengo em relação às partidas que serão realizadas contra as equipes na NBA?

É um fato histórico! Quando falamos em Liga de Basquete logo vem á mente a maior referência que é a NBA. Pela primeira vez uma equipe brasileira vai jogar nos Estados Unidos em uma pré-temporada da NBA de uma forma oficial. Méritos do Flamengo pelas conquistas nos últimos anos o que ajudou na realização deste evento. Acredito também que é uma conquista do basquete brasileiro e da Liga Nacional a qual o Flamengo faz parte. Uma porta que se abre e que futuramente outras equipes possam ter essa experiência.

Quais os momentos que você considera mais importantes de sua carreira.

Vários momentos foram importantes para o meu crescimento profissional. A formação acadêmica na USP foi importante para a aquisição de conhecimentos e iniciação na profissão. Minha primeira oportunidade em um clube (Paulistano) trabalhando com a formação até a categoria adulta. A primeira vez na Seleção Brasileira em 2004. Participação nos Jogos Olímpicos em Londres (2012) e, com certeza, as conquistas dos títulos com o Flamengo: NBB (2012-13 e 2013-14) e a Liga das Americas (2014).
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Como é a experiência de trabalhar com o técnico Rubén Magnano na seleção?

Na minha opinião, o Rubén é um dos melhores técnicos do basquete mundial. Já conquistou grandes títulos como a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, o vice-campeonato do Mundial de Indianápolis, em 2002, e muitos outros pelos clubes que dirigiu. Estar ao lado dele contribui muito para meu desenvolvimento profissional. É uma pessoa transparente, demonstra sempre sua vontade de vencer com atitudes. Uma referência que tenho de profissional e pessoa de êxito.
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Como você encara o desafio de dirigir o Brasil no Sul-Americano da Venezuela que classifica três seleções para o Pan de Toronto, em 2015?

É uma competição muito importante porque o Brasil vive um bom momento no basquete interno. O NBB está melhorando a cada temporada sendo que por dois anos seguidos uma equipe do Brasil é campeã da Liga das Américas e disputa o Mundial Interclubes. Temos que aproveitar esse momento para buscar bons resultados e se classificar para os Jogos Pan-Americanos, competição que o Brasil tem um histórico de títulos conquistados.
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São dez anos nas comissões técnicas da CBB, como você avalia sua evolução técnica?

Tenho muito orgulho de poder contribuir com a seleção do meu país. A cada ano procuro ir crescendo como profissional e contribuir com a seleção. Aprendi com cada técnico que tive a oportunidade de trabalhar. Sou muito grato a todos. Lula Ferreira que me deu a primeira oportunidade na seleção, depois o espanhol Moncho Monsalve e agora com o Rubén Magnano. Espero poder contribuir sempre que puder.

Tem algum palpite sobre a Copa do Mundo de futebol?

Lógico: Brasil campeão. Trabalhando no Flamengo é impossível não acompanhar o futebol. Vou estar concentrado com a Seleção Brasileira a partir do dia 29 de junho, em São Paulo, para a disputa do Sul-Americano da Venezuela, de 24 a 28 de agosto, mas com certeza torcendo para o hexa do Brasil na Copa do Mundo.
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Qual cidade/país que mais gostou?

Eu considero a Grécia o país mais bonito que conheço A Sérvia foi o que mais mexeu comigo, além de ser muito bela. Foi lá, em 2007, na cidade de Novi Sad, que conseguimos o quarto lugar no Campeonato Mundial Sub-19. E Londres, nos Jogos Olímpicos, também foi inesquecível.
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Como é o Neto em família?

Família é tudo para mim. É o que me motiva todo dia, que me faz ser um pouco melhor. Sempre tive muito apoio da minha esposa Elis e de meus filhos Luiza e Mateus. Para onde eu vou, levo minha família. O basquete ocupa bastante tempo da minha vida. No tempo livre, aproveito para curtir minha família.