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20/05/2014 - José Medalha

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José Medalha foi um dos mais experientes treinadores que já passaram pelo comando da Seleção Brasileira Masculina. O técnico foi responsável pela classificação da equipe para as Olimpíadas de Barcelona, em 1992, além de ter comandado equipes paulistas e de outros estados, e acumulado diversas participações internacionais. O ápice de sua carreira aconteceu nos Jogos Olímpicos de Barcelona, quando a Seleção Brasileira obteve a quinta colocação. Como assistente técnico, José Medalha esteve ao lado de Ary Vidal no comando do time que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, e terminou em quinto lugar nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Aos 70 anos, sendo quase 50 anos dedicados ao basquete, o ex-técnico assume um novo desafio em sua carreira profissional, é o novo Diretor Institucional da Confederação Brasileira de Basketball (CBB).
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Como o basquete surgiu na sua vida?

O basquetebol surgiu ainda nos meus tempos de adolescente, graças a motivação dos meus professores de educação física da época. Nesse tempo, em Catanduva (SP), minha cidade natal, não existiam clubes com equipes organizadas. Encontrei a motivação extra pela modalidade quando ingressei no Curso de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP), influenciado pelos professores Sebastião Camargo Simões e Moacyr Daiuto (ex-técnico da Seleção Brasileira). Foi quando também fui indicado para dirigir as categorias menores da Hebraica (SP) e C.A. Paulistano (SP). Fui seguindo então minha carreira passando por vários clubes em todas as categorias, com predominância na adulta.
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O que significou para você fazer parte de importantes momentos da Seleção Brasileira?

Foi um privilégio e uma honra muito grande. Tive a oportunidade de conviver com gerações como as de Marquinhos, Adilson, Carioquinha e de Oscar e Marcel. Tive uma chance que poucos tiveram que foi a de ter sido técnico olímpico. Também militei como assistente técnico, de 1982 a 1988, e depois como técnico principal, em 1991 e 1992, além de ter sido gerente de seleções em 1997.

Conte um pouco dessa época do basquete brasileiro.

Foi uma época de grandes conquistas. Nas décadas de 80 e 90 foi quando o basquete realmente se profissionalizou, principalmente na Europa. E a Seleção Brasileira participou de todas as edições olímpicas nesse período, além dos Campeonatos Mundiais, se mantendo sempre entre os seis melhores do mundo. Ainda registre-se o grande feito histórico da vitória do Pan-Americano de 1987 (Indianápolis) quando a história do basquete mundial começou a ser mudada, antevendo a participação dos profissionais da NBA nos campeonatos da FIBA.
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Quais os momentos mais marcantes nesses quase 50 anos de basquete?

A vitória no Pan-Americano de 1987 (Indianápolis) e as classificações para os Jogos Olímpicos (Barcelona/1992) e todas as outras colocações obtidas.

E os jogadores que mais chamaram sua atenção nesse tempo?

Poderia cometer uma injustiça com vários deles, caso cite muitos e esqueça algum. Então, vou destacar a dupla Marcel de Souza e Oscar Schmidt, como exemplos de atletas focados no objetivo de defender o Brasil.
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O que o basquete te deu?

Muita coisa. Começando pela oportunidade de ser professor universitário na Universidade de São Paulo (USP). E em consequência disso, a possibilidade de concluir o Mestrado, o Doutorado e a Livre Docência na área acadêmica. Também, por isso, tive a oportunidade de morar nos Estados Unidos por quatro anos para a conclusão do meu doutorado. Além disso, a militância como técnico me possibilitou expandir meus conhecimentos não só na parte técnica como na cultural.
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Como é o José Medalha em família?

Sou casado há mais de 47 anos. Minha esposa, Neide Beneduzzi, também é formada em educação física e hoje atua como artista plástica. Com ela, tive meus quatro filhos, três meninos e uma menina, e conseguimos formar todos eles. Procuramos passar para eles o esporte e os quatro são envolvidos com isso, embora na vida profissional tenham seguido carreiras diferentes. Temos ainda cinco netos, que nos dão muita alegria.

Qual o programa preferido em família?

Atualmente eu e minha esposa preferimos sempre sair para jantar, ir ao cinema ou ao teatro. Raramente ficamos em casa, a não ser nos finais de semana quando os filhos nos visitam.
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Você pratica outros esportes, além da corrida. Ainda se arrisca nas partidas de basquete?

Faço atividade física regularmente. Pratico corrida, natação e pedalo até quatro vezes por semana. Já não me arrisco mais nos esportes de contato, como o basquete e o futebol por receio de contusões.
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O que espera dessa novo desafio como Diretor Institucional da CBB?

A CBB como instituição já adquiriu uma maturidade e um reconhecimento como uma das mais importantes células do esporte nacional. Fazer parte dessa estrutura administrativa é uma responsabilidade muito grande em razão da necessidade de relacionamento direto com outras entidades nacionais, como COB e Ministério do Esporte, além de outros internacionais, como a FIBA, COI e entidades federativas de outros países. Acredito que tenho muito para contribuir na facilitação desses contatos, com minha vivência atuando como o elemento de ligação entre a CBB e esses órgãos. E também auxiliar na solução de possíveis problemas inerentes a esse relacionamento, dentro da estrutura existente no esporte nacional e internacional.

Quais são seus planos na nova função?

Minha pretensão é ajudar diretamente a atual diretoria a atingir suas metas respeitando minhas limitações e possibilidades, no que diz respeito ao relacionamento com entidades nacionais e internacionais. E indiretamente ajudar o basquete brasileiro na sua marcha crescente de evolução dentro da parte administrativa e organizacional.