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17/09/2001 - Helen Cristina Santos Luz

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A armadora Helen Luz atravessa um dos melhores momentos de sua carreira. Na conquista do bicampeonato da Copa América, disputada em São Luís (Maranhão), Helen ganhou quatro dos cinco prêmios da competiÇão: melhor jogadora, cestinha geral e de 3 pontos e melhor nas assitências. Além do título e da vaga para o Mundial de 2002, na China, Helen mostrou sua liderança na seleção brasileira. Desfalcada de três titulares das Olimpíadas de Sydney (Janeth, Alessandra e Cintia Tuiú, que se machucou durante o evento), a equipe do Brasil encontrou na experiência e otimismo de Helen, elementos necessários para a superação e a conquista do título. Aos 29 anos, a brasileira fez sua estréia esse ano na WNBA, defendendo o Washington Mystic, e conquistou o respeito de sua equipe com boas atuações. Nessa entrevista a atleta, campeã mundial (1994) e medalha de bronze nas Olimpíadas de Sydney (2000), fala um pouco sobre esse grande momento de sua vida.

O que você achou do seu desempenho na Copa América?

Fiquei muito feliz. Nunca ganhei tantos prêmios em toda minha vida. Acho que joguei muito bem. Consegui assumir a responsabilidade sem sentir a pressão da liderança, o que às vezes prejudica o desempenho do atleta. Estou passando por uma fase boa e tranqüila da minha carreira. E, na Copa América, consegui fazer o que realmente gosto: ajudar a minha equipe. Acho que a final contra Cuba foi o meu melhor jogo na seleção. Foi uma exibição que coroou o meu trabalho e minha dedicação ao basquete.
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O Brasil conquistou o bicampeonato da Copa América desfalcada de várias titulares das Olimpíadas de Sydney. Como você explica o sucesso desse grupo?

Essa competição provou que temos uma geração talentosa, com atletas que não deixam o nível de jogo cair. O grupo que foi ao Maranhão jogou muito bem, baseado na coletividade, com muita garra e espírito de colaboração e isso traz os resultados positivos. Conseguimos mais um título para o Brasil, inclusive com atletas que faziam sua estréia na seleção adulta. Isso é muito significativo e mostra que o futuro reserva bastante alegria para o basquete feminino do Brasil.

E as suas expectativas para o Mundial da China, em 2002?

Acho que estamos no caminho certo, jogando com consciência, disciplina e responsabilidade. Com certeza, se continuarmos assim, alcançaremos nosso objetivo que é manter o Brasil na elite do basquete mundial e lutar por um lugar no pódio. Mas não será nada fácil. Além das adversárias tradicionais, como Austrália e Estados Unidos, que ainda é a favorita ao título, outras equipes estão se fortalecendo, como França e Espanha, por exemplo.
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Que análise você faz do basquete feminino que, nos últimos dez anos, vem se mantendo entre as quatro melhores equipes do mundo?

A grande diferença é que, a partir da década de noventa, o Brasil passou a jogar mais coletivamente, com uma equipe mais homogênea, sem depender de uma ou duas jogadoras. Temos um grupo mais forte e mais preparado, com um número maior de atletas selecionáveis. Hoje as jogadoras que saem do banco de reservas mantêm o padrão de jogo, proporcionando um equilíbrio maior na partida. O Brasil aprendeu a ser mais disciplinado taticamente e priorizar o conjunto. Os títulos foram as conseqüências dessa evolução.

E a sua participação nesse processo, já que você está na seleção brasileira desde 1991?

Minha maior virtude na seleção foi a paciência. Nunca tive pressa em me destacar. Sabia que um dia a minha hora ia chegar. No começo eu era uma coadjuvante em quadra. Mas soube aproveitar todos os ensinamentos que tive nessa época, especialmente de Paula e Hortência, que eram as estrelas do time. Hoje é minha vez de ajudar como eu fui ajudada. Tenho consciência de que às vezes é preciso que eu exerça uma certa liderança dentro e fora de quadra. E faço isso de forma tranqüila, pensando sempre no melhor para a minha equipe.
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Como foi sua primeira temporada na WNBA?

Foi tudo maravilhoso, muito melhor do que esperava. Não tive problemas para me adaptar ao país nem ao clube. Fui muito bem recebida pela equipe e o melhor, o técnico gostou muito do meu trabalho. Gostei do meu desempenho, pude ajudar minha equipe com minhas assistências e os arremessos de três pontos. Evoluí bastante, especialmente na parte física. Lá as jogadoras são bem fortes e o jogo de contato é muito pesado. Tive que me adaptar a esse estilo e acabei ficando um pouco mais forte.