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13/11/2013 - Técnico Edvar Simões

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De volta ao cenário do basquete nacional, Edvar Simões é o novo técnico do São José Basketball (SP). Aos 70 anos, e com mais de 50 de profissão, o joseense retorna ao comando do São José que se prepara para o início da sexta temporada do NBB 2013/14. Nascido em São José dos Campos, Edvar possui uma forte ligação com a cidade, já que suas carreiras de jogador e técnico começaram na região. O técnico já havia comandado o basquete joseense na década de 80 quando conquistou o bicampeonato paulista com o Tênis Clube, nome da equipe na época. Vestindo a camisa verde e amarela, somou importantes títulos como a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio (1964) e duas medalhas em Campeonatos Mundiais: a prata na Iugoslávia (1970) e o bronze no Uruguai (1967). O ex-jogador que atuou também como diretor de futebol do Corinthians (SP), chegou a dirigir a Seleção Brasileira, assume agora o desafio de manter a equipe do interior paulista na elite do basquete brasileiro. Experiência em decisões não falta ao treinador, que é pentacampeão da Taça Brasil de Clubes (Tênis Clube de São José dos Campos/1980 e Monte Líbano/1984, 85, 86 e 87). Pelo Monte Líbano, Edvar foi ainda bicampeão sul-americano e conquistou o vice-campeonato mundial de clubes (1985).
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Hoje com 70 anos, como é retornar ao cenário do basquete?

Depois de mais de 50 anos de profissão, recebi mais um desafio dentro da minha vida. Há alguns anos atrás almejava muito esse retorno, mas agora confesso que foi uma surpresa. Fiquei muito feliz.

E voltar ao São José, equipe que você comandou no bicampeonato paulista (1980 e 1981)?

Como sou de São José, sempre me dediquei a cidade. Acabou sendo uma integração.
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Analisando o atual momento de basquete joseense, o que você espera do time para o NBB6?

A situação é bastante difícil, pois estamos com os quatro jogadores principais machucados e alguns que só retornam no ano que vem. Será um início ruim, mas vamos aos poucos recompondo a equipe e tentar buscar classificação para os playoffs.

Você terá como assistente técnico o Cadum (Ricardo Cardoso), que também defendeu a seleção brasileira, e comandou o time de Suzano (SP) no último NBB. O que esperar dessa dobradinha?

Fui técnico do Cadum e sempre tivemos um bom relacionamento. Ele conhece basquete, foi técnico do Suzano na última temporada e já auxiliou o Lula Ferreira em Franca (SP). O Cadum é bastante organizado e vai acrescentar bastante ao basquete joseense.
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Que experiências você traz do futebol e que pretende agregar ao basquete de São José?

Foi realmente uma época bastante proveitosa. Aprendi muita coisa como resolver um problema quando aparece de forma natural. A torcida do futebol faz muita pressão, pois mexe com a paixão pelo time. Eu diria que a linha entre o céu e o inferno é bastante tênue. Vivi momentos difíceis e bons, mas sempre de muito aprendizado. Virei especialista em resolver crises. Trago esse amadurecimento para o basquete. [disse entre risos].

Qual sua filosofia de trabalho e as características de suas equipes?

Acredito que cada equipe acaba tendo como perfil a personalidade do treinador. A minha forma de trabalhar é detalhista. Presto bastante atenção nos princípios de jogo e gosto que meus jogadores sigam essa linha. Procuro também sempre trabalhar de forma coletiva e individual meu grupo e meus atletas. Não abro mão de trabalhar com o foco na melhoria do atleta. Trago isso na minha raiz.

O São José possui uma boa equipe de base (Sub-22), que terminou a fase de classificação da Liga de Desenvolvimento em quarto lugar e está classificada para a final no mês de dezembro. Como você pretende olhar para esse grupo?

Sempre trabalho com uma média de 20 jogadores, sendo deste quatro ou cinco das categorias de base. Eles me auxiliam e participam bastante dos treinamentos. Procuro sempre puxar esses para terem condições de permanência na equipe principal. Acho importantíssimo trabalhar com esses jovens que serão o futuro do nosso basquete.
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O que é preciso para formar jogadores de alto nível?

Muito trabalho e mais trabalho. O treinador tem que ter muita vontade de ensinar, porque não é fácil. No passado, o incentivo para as categorias de base ficaram paradas e o basquete brasileiro paga até hoje por essa falta. As equipes preferiam trazer jogadores do exterior a ter que investir na base. Já sofri muito por isso porque acredito que o jogador que vem do exterior deve fortalecer uma liga e não substituir o atleta da base. Mas o incentivo voltou e as coisas estão melhorando. Na minha opinião, os jogadores de base teriam que ter um contrato profissional, pois caso o atleta fosse para o exterior o clube não perderia o investimento. Esse retorno financeiro daria oportunidade a outro jovem. Foi um pouco a falta disso que me fez desistir do basquete por um tempo.
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Qual a grande diferença entre trabalhar como técnico e jogador?

É uma enorme diferença. Quando você está do lado que estou hoje, existem inúmeras preocupações que devem ser levadas em conta. Você precisa se preocupar com cada um do grupo em tudo. Já quando você é jogador você tem uma preocupação individual para depois pensar no todo. Você pensa só no seu contrato, no seu descanso e não precisa pensar no dos seus companheiros. São posições bem diferentes.

Você tem fama de durão. Diz pra gente como é o técnico Edvar?

Eu era durão quando tinha 30 e 40 anos. Hoje não sou mais assim, sei caminhos bem mais fáceis para resolver as coisas. Não preciso mais passar por isso. Tiraria de letra muitos problemas que tive no passado. O amadurecimento da vida traz aprendizado.

E o Edvar fora das quadras?

Eu tenho um casal de filhos e muitos amigos. Tenho uma convivência muito boa em família. Convivi mais com meu filho, o Edvar Jr, porque ele foi meu atleta algumas vezes na vida. Também tenho três netos e é uma delícia ser avô. Não imaginava que era tão bom. Você agrada bastante e no final manda pra casa com a mãe e o pai. É ótimo. Eu diria que é uma sensação muito próxima, se não melhor do que ser pai. É gratificante.
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Você foi técnico do seu filho, o Edvar Jr., como era essa relação?

Acho que foram em dois clubes diferentes isso. Era bom porque convivíamos mais de perto, mas foi bem difícil também. Eu tenho o estilo de cobrar muito dos meus jogadores e acabava cobrando dele mais ainda. Acabava usando ele de exemplo pros outros. Essa parte era complicada, pois não sabia dosar isso muito bem.

O que mais gosta de fazer nas horas vagas?

Eu tenho uma vida bastante tranquila, sem grandes envolvimentos. Encontro meus amigos, vou ao teatro e fico com a família. Mas diferente do que uns acreditam, não jogo basquete nas horas vagas. Trabalho com basquete quase 24h, então aproveito para fazer umas brincadeiras com isso depois de um treino. Fora disso, acho que joguei basquete umas duas vezes na vida depois que me aposentei como jogador.
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Você começou no basquete como jogador. Conte como foi essa transição.

Eu jogava basquete e depois fazia faculdade de Educação Física na USP (SP). Depois que me formei, virei treinador de equipes mirins e infantis. Quando passei para as categorias adultas, já tinha muitos anos de técnico de base. Acho essa situação importantíssima para termos técnicos de maior qualidade. Principalmente porque essa é uma situação que acontece bastante com ex-jogadores. Acho importante esse tempo na base para termos mais experiência e consequentemente melhores treinadores.

Quais as principais conquistas que você guarda na memória?

Ano que vem faremos 50 anos da maior conquista daquela geração, que foi o bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio (1964). O mais importante daquela conquista foi que essa foi a única medalha da delegação brasileira naquela época. O basquete estava sempre entre os melhores.