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01/11/2013 - Técnico Guilherme Vos

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O técnico carioca Guilherme Vos vive mais um grande momento em sua carreira no comando da Seleção Brasileira. O treinador esteve à frente da equipe nacional na conquista da medalha de ouro do 17º Campeonato Sul-Americano Feminino Sub-17, disputado de 21 a 27 de outubro em Porto Viejo, no Equador. Além do título, o grupo comandando pelo técnico conquistou a vaga na Copa América – Pré-Mundial 2014 após superar na final a Argentina por 86 a 63. Guilherme já vestiu a camisa verde e amarela e marcou presença como assistente técnico de Cristiano Cedra no Campeonato Sul-Americano Sub-15 (Equador – 2011) e dirigiu a seleção nos Jogos Olímpicos da Juventude (Cingapura – 2010). Nessa entrevista, o técnico do Instituto Mangueira, do Rio de Janeiro, falou sobre sua passagem na Seleção, além de destacar sobre seus 25 anos de história com a modalidade.

Qual a sua avaliação do Campeonato Sul-Americano?

Nós aproveitamos esse Sul-Americano para fazer um grande teste com essa nova geração de atletas. Poderíamos utilizar algumas atletas que já fazem parte da Seleção, mas optamos por apostar em novos talentos. Chegamos a conclusão que essa experiência teria que ser feita agora para descobrir alguns nomes inéditos. Fizemos uma boa avaliação e alinhamos tudo que precisamos trabalhar. Suprir as carências individuais e coletivas de algumas jogadoras é um dos exemplos. Essa competição serviu para começar a mostrar que temos que fazer muito mais do que já está sendo feito.
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O que esperar dessa seleção daqui pra frente?

O principal de tudo é o compromisso delas com a própria evolução. O grande diferencial para qualquer atleta que quer ser um profissional reconhecido é o autoconhecimento. A leitura de jogo é necessária demais e ajuda na soma das características individuais que favorecem um grupo.

No Sul-Americano qual foi a sua filosofia de trabalho e as principais características desse grupo?

Muita gente fala sobre o tamanho das pivôs. Mas quando fiz a convocação, eu privilegiei a qualidade e não a altura. Eu me preocupei com a condição de cada uma. Mas a nossa média de estatura foi alta. Eu apostei na filosofia do trabalho de defesa e de saída rápida. Nós usamos muita velocidade, mas ela foi a grande aliada da leitura de jogo. As atletas entenderam isso e souberam colocar na prática. Agora elas irão precisar de um grau maior de exigência e lembrar que o amadurecimento é tudo.
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Quais foram as estratégias utilizadas na conquista do título?

Desde quando eu as convoquei, já acreditava que teria um grupo que jogaria forte. Elas conseguiram trabalhar para se tornar um time rápido, com marcação e muita transição. Isso se concretizou durante o torneio. Trabalhei o potencial de cada uma e o resultado foi muito positivo.

Você, como assistente técnico do Cristiano Cedra, já acompanhou algumas dessas meninas que estiveram no Campeonato Sul-Americano Sub-15. O que mais te surpreendeu na evolução dessa equipe?

A Tayna dos Reis esteve comigo no Sul-Americano de 2011 e pude perceber que ela deu uma guinada na parte técnica e nos fundamentos individuais. Sobre a Vitória Domingos posso dizer que ela tem o basquete diferenciado. Com esforço e dedicação ela pode fazer o potencial se multiplicar. Quanto mais velocidade ela alcançar melhor será pra ela. Ela passou por todas as posições e mostrou condições de encaixe e superação para de suportar desafios. A Vitória possui um futuro muito bonito na modalidade.
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Qual é a importância de disputar um Sul-Americano nesta categoria?

O principal objetivo é criar na atleta o sentimento de compromisso com seu país. E mostrar que existe um espírito de seleção brasileira e que todos os treinadores cobram. Elas representam aquela bandeira e o esporte da sua nação. Esse campeonato serve como primeiro degrau de compreensão e a descoberta de qual será o caminho daquele atleta. Aonde ela quer chegar com isso e por aí vai. No Sul-Americano elas traçam os objetivos do inicio de uma carreira. Ali a jogadora vê o quanto é difícil e o quanto necessitamos de dedicação.

Vamos falar um pouco de você. Quais foram as principais dificuldades que encontrou na sua carreira?

A dificuldade é igual para todos. Temos muitas coisas no decorrer que atrapalham os nossos sonhos, mas isso tudo só reforça a certeza de estar fazendo o que você ama. São mais de 25 anos de trabalho, com diferentes gerações, mas tudo isso me fez aprender muito. As atletas que eu tive, me moldaram, ajudaram na construção da minha profissão. Eu trabalhei muito para que as coisas dessem certo. Pretendo continuar e superar seja qual for a dificuldade.

Cite alguns momentos inesquecíveis da sua carreira.

ão vários, mas uma das coisas que desde quando comecei eu sempre busquei foi ser melhor a cada dia. E em 2006, foi a única vez que em 31 edições do Campeonato Brasileiro de base o momento superação falou mais alto. Foi uma vitória em cima da equipe de São Paulo que foi de coração. Esse dia ficou marcado para mim e com certeza não vou esquecer.
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Como é o Guilherme Vos fora das quadras?

Fora das quadras eu sou um cara mais tranqüilo, menos exigente com tudo. No meu dia a dia procuro ser calmo e despreocupado. Gosto muito de piadas, de rir, uma boa companhia de amigos e diversão. O principal é um bom humor, gosto de viver bem e sem criar muitos problemas. Dentro da minha loucura eu me considero normal.
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O que te proporcionou e o que aprendeu com o basquete?

Basquete pra mim é um estilo de vida. Eu aprendi muito dentro e fora de quadra, então eu acho que se a minha vida é um quadro o basquete seria a moldura.