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22/10/2013 - Jorge Guerra

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Um profissional de muita visão, personalidade e garra e que reserva as mesmas qualidades que mostrava dentro de quadra. A experiência de quase trinta anos de carreira como jogador vem sendo fundamental para o trabalho de Jorge Guerra, o Guerrinha, como técnico. Aos 54 anos, o treinador do Bauru/Paschoalotto se prepara para mais um desafio em sua carreira. Com uma campanha de 18 vitórias em 22 partidas, a equipe do Bauru terminou a primeira fase do Campeonato Paulista em primeiro lugar e agora se prepara para disputar os playoffs. Nesta entrevista, Guerrinha relembrou seus tempos de armador da Seleção Brasileira, além de destacar a sua carreira como treinador.

Você nasceu em Franca (SP), mas vive em Bauru há 11 anos. Fale um pouco disso...

Pra mim é um privilégio ser natural de Franca, uma cidade que vive e respira o basquete. Fui criado com uma geração fantástica e tenho um orgulho imenso disso. Estudei muito, vivi muitas coisas que levo para toda a minha vida. Foi toda essa base que me fez aproveitar bem as oportunidades que tenho hoje em Bauru.
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O que significou fazer parte da equipe que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987?

Me orgulho de ter sido membro dessa geração de ouro. Eu acho que aquele momento me fez entender o que um jogador de alto nível pensa. O que o jogo está pedindo dentro de quadra. Alguns técnicos conseguem esse milagre, como o Ary Vidal. Mas ter sido atleta e participado de uma geração brilhante, me traz segurança e uma contrapartida muito grande. O basquete é um jogo difícil de decisões rápidas e inteligentes. Então é necessário ter uma boa leitura.

Como é a sua relação com os atletas?

Eu me considero um jogador experiente. Logo, acho que tenho jeito com essa garotada. Eu cobro e mostro o que precisa, eu trabalho duro, sou rigoroso e acima de tudo exijo postura profissional. A gente vem mostrando que para jogar em alto nível, o jogador precisa evoluir constantemente. Prezo a coletividade do grupo e se for analisar, a minha equipe quase não possui destaques individuais. Gosto de fazer tudo para deixar a equipe bem coesa. Gosto também de sair com eles para fazer churrasco, comer pizza. É um sistema que aplico e vem dando certo. Somos amigos, mas antes de tudo somos profissionais.

Como foi a experiência de ser assistente da Seleção Masculina Adulta?

Foram cinco anos com o Lula Ferreira. Então dá pra perceber que não foi pouca coisa. Foi um aprendizado de uma grandeza tão grande que não dá pra descrever. O Lula e o Flavio Davis foram os meus mestres na parte acadêmica da minha profissão. Foram meus espelhos. A minha vivência como jogador também ajudou porque desde lá eu já gostava de liderar.
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Você já esteve em duas edições da ENTB, uma como palestrante e outra como aluno. Como você enxerga esse trabalho da Escola?

Eu acho fantástico esse trabalho que a ENTB vem fazendo. Eu tive o privilegio de participar da formatação desse projeto e fico feliz de ver sua evolução. Eu torço para termos mais participantes e colaboradores nesse projeto. Com essa mentalidade o basquetebol brasileiro vai ficar cada vez mais forte. O treinador passa a ter um papel importante na educação e isso é fundamental.
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A equipe de Bauru terminou a primeira fase do Campeonato Paulista em primeiro lugar. Como você analisa essa performance?

O Paulista é um campeonato muito forte, que tem 12 equipes e nove fazem parte do NBB. No início do torneio está todo mundo no gás, com muita disposição. É uma combinação de situações que faz o torneio ficar mais complicado. E mesmo com tudo isso nós conseguimos administrar com sabedoria. Tivemos alguns problemas de lesões com alguns jogadores, tivemos novos atletas chegando e a equipe respondeu bem a isso tudo. Mas estou feliz por termos atingidos o nosso primeiro objetivo, que era terminar essa fase em primeiro lugar.

Na próxima fase, o Bauru irá enfrentar o Palmeiras, que ficou em oitavo. Quais serão os pontos enfatizados na preparação para os playoffs?

Estamos trabalhando muito durante esses dias. O intuito é recarregar a bateria, focar na parte física, tática e técnica. Estamos nos preparando para a nossa próxima arrancada. Vamos direcionar alguns detalhes de acordo com a característica do time do Palmeiras, que por sinal são muito bons. Eles possuem jogadores competitivos e experientes, além de um excelente treinador.
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Qual a importância da torcida para a equipe nessa fase final?

A nossa torcida é importantíssima sempre. Eles nos ajudam com a alegria e a troca de energia que transmitem no ginásio. É a torcida mais alegre e educada do basquete brasileiro. Então, é um fator pra lá de essencial.

O primeiro lugar no grupo “B” da Liga Sul-Americana é uma motivação a mais para a próxima fase?

Da primeira para a segunda fase será formado um outro grupo. Mas, com certeza, isso nos ajuda bastante a encarar o próximo desafio. Eram 16 times e agora são apenas oito equipes na briga pelo título. Acho que o Bauru e as outras , assim como as outras equipes do Brasil estão mostrando que o nosso basquete está crescendo cada vez mais.
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Qual sua avaliação do trabalho que vem sendo feito em Bauru?

A evolução que o clube teve em todos esses anos foi muito visível. Tivemos jogadores e técnicos que já passaram pela equipe que contribuíram para isso. Com a nova fase em 2007, a equipe começou do zero, mas vem crescendo e lançando jogadores. Estamos fazendo um nome dentro da modalidade e vendo os atletas crescendo dentro e fora da quadra. Tivemos uma evolução de estrutura profissional. O patrocinador (Paschoalotto) nos deu toda a condição para trabalharmos com planejamento e profissionalismo.

Qual é a sua expectativa para o NBB 2013/14?

A gente percebe que o nosso grupo evolui, mas que os outros também cresceram. Então, teremos muito trabalho pela frente. Os técnicos são muito capacitados e experientes. Temos que lutar para chegar longe.
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Como é o Guerrinha fora das quadras com a família?

Tenho três filhos e todos jogaram basquete. Mas agora eles são engenheiros. Eu fora da quadra não falo de basquete, falo de pescaria, jardinagem e sobre culinária.

Culinária?

Eu adoro cozinhar, a necessidade e a curiosidade me fizeram ter essa paixão. Eu tenho esse perfil que é de família. Meu pai também cozinhava. O que mais gosto de fazer é pizza. Não dispenso uma pizza e um bom vinho.

Quais são seus planos e projetos para o futuro?

Eu pretendo continuar trabalhando da forma que trabalho hoje. Com liberdade e com pessoas que considero. Para ser feliz no trabalho você tem que estar no lugar e não pelo lugar ou algo financeiro, mas sim pelo prazer de estar ali. Não gosto de me limitar. Eu tenho uma filosofia que é mesclar meu time e tomar as minhas decisões. Estou muito feliz hoje. Mas sei que na vida existem os ciclos e que temos que nos preparar para tudo.