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07/10/2013 - Tatiane Pacheco

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Natural da capital paulista e descoberta para o basquete aos nove anos de idade, a jovem Tatiane Pacheco, de 23 anos e 1,80m, conquistou dois títulos importantes em 2013, em seu primeiro ano atuando na Seleção Brasileira Adulta. Comandada pelo técnico Luiz Augusto Zanon, Tatiane foi um dos destaques da jovem equipe que conquistou a medalha de ouro no 33º Campeonato Sul-Americano da Argentina, no fim de julho, e do bronze na Copa América – Pré-Mundial do México, que garantiu ao Brasil a vaga na Copa do Mundo da Turquia, em 2014. Tatiane iniciou sua trajetória nas seleções brasileiras de base com apenas 15 anos e soma dois títulos Sul-Americanos Sub-15 (Venezuela/2005 e Equador/2006), além do bronze na Copa América Sub-18 (Argentina/2008). Tati, como é chamada pelas suas companheiras, defenderá a camisa do Sport Recife (PE) na atual temporada. Nessa entrevista ela falou sobre suas conquistas na modalidade e os sonhos para o futuro.

Além de ter ajudado o Brasil na conquista da vaga na Copa do Mundo, o que mais você adquiriu na Copa América?

Toda essa fase serviu para me amadurecer como jogadora e entender que o basquete que a gente está acostumada, está mudando. Além do meu condicionamento físico ter evoluído bastante, eu percebi que a modalidade está ganhando outras filosofias. E que isso só tem ajudado nossa equipe. Mas amadurecimento é a palavra certa para definir o que adquiri com essa competição.
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Como foi trabalhar com o técnico Luiz Augusto Zanon?

Totalmente diferente do que eu estava acostumada. A confiança que ele passa é muito importante. A oportunidade que ele deu pra gente, apostar na geração mais nova. Isso foi maravilhoso. Tenho uma admiração enorme por ele. Além disso, o Zanon escuta muito a equipe, isso não é muito normal. Ele gosta de ouvir as nossas opiniões, o que torna nosso entrosamento muito mais agradável e positivo.

Qual a sua opinião sobre o processo de renovação da Seleção Brasileira Feminina?

O trabalho que vem sendo feito, está excepcional. Para as mais novas faltava realmente esse incentivo e deu a largada na capacidade de cada uma de nós. Eu sei que a juventude é quem vai levar o nome do Brasil pra frente. Saber representar bem o país será o nosso trabalho daqui pra frente. Esse ciclo está evoluindo e aprendendo que para formar uma equipe de verdade é necessário tempo e dedicação.
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Como é a rotina de uma jogadora na Seleção Brasileira?

Treino, treino e treino. Em épocas de competição o ritmo é diferente, a quantidade de informações muda um pouco também. Mas a rotina é toda baseada em treinamento, seja prático ou teórico.

Fale um pouco sobre sua trajetória e evolução no basquete.

Cada ano foi ficando mais difícil, nunca foi fácil. Mas a realidade da seleção adulta não chega nem perto das categorias de base. Mas eu sei que tudo que aprendi na base é o segredo para o que está acontecendo hoje. Conforme o tempo foi passando, eu acrescentei muita coisa. Mas sem a participação na base, não teria conseguido alcançar os resultados na equipe principal.
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O que representaram as conquistas pela seleção brasileira na sua vida?

Foram todos muito importantes. A minha primeira medalha eu não vou esquecer nunca, eu era mais nova, mas sabia que minha vida no esporte estava começando. Nessas duas últimas conquistas com a equipe adulta eu não tenho palavras para descrever. Foi um acontecimento muito único. Eu não esperava nada disso, então fazer parte desse time é quase inexplicável.

Como é o seu relacionamento com as meninas do time?

Eu me relaciono muito bem com todas as meninas. A Patrícia e a Thainá eu conheço a mais tempo, então a afinidade é um pouco maior. Mas no geral todas são muito unidas.
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Já se acostumou com o calor de Recife (PE)?

Não, e não vou me acostumar nunca. Eu não gosto de calor, sem dúvida está sendo a parte mais difícil. Mas é a única parte ruim. Todo o resto é maravilhoso, a cidade é linda e a comida melhor ainda. E vai ser uma excelente oportunidade trabalhar com atletas mais experientes.

Como foi o processo de sair de casa tão nova?

Como todo começo sempre tudo é muito difícil. No primeiro ano foi complicado demais porque eu não conseguia voltar em casa nos finais de semana. Mas com jeitinho fui lidando com a saudade e me acostumando. Depois disso foi tudo muito tranquilo. A saudade continuava, mas eu fui me adaptando.
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Como você administra o seu tempo profissional e pessoal?

É fácil lidar com isso. Eu costumo tirar meu tempo para descansar e fazer outras coisas que não estejam ligadas ao basquete.

O que gosta de fazer quando não está treinando ou jogando?

Bom eu sou muito caseira. Quando estou em casa fico vendo filme ou estou no computador, costumo jogar futebol e o jogo da NBA pelo vídeo game.

Quais foram os maiores desafios que enfrentou como atleta?

Quando eu tive que operar o joelho, em 2009. Fiquei sete meses parada e foi muito complicado. Quando eu pude voltar, senti muita dor e comecei o tratamento do zero novamente. Eu jogava pelo Jundiaí (SP) e vou dizer que foi muito difícil.

Esse é o seu primeiro ano pelo Sport Recife, como está sendo a fase de preparação e sua expectativa para a temporada?

Ainda estou pouco tempo por aqui. Mas dá pra ver que o grupo todo é bem acolhedor, e sei que isso vai ser um fator positivo. A próxima Liga de Basquete vai ser difícil porque todas as equipes virão com tudo para cima da gente. Mas tenho certeza que será um bom campeonato. Temos equipes crescendo e chegando com tudo, vai ser um torneio com o nível altíssimo.
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Qual sua expectativa para estar entre as 12 jogadoras que defenderão o Brasil na Turquia, em 2014?

Eu tenho que me preparar e não esquecer nunca o que aprendi na Seleção. Tenho que levar isso comigo como atleta seja aonde for. É assim que se evolui. Vou continuar concentrada e manter meu foco nos treinos e pensar em melhorar sempre.

Você tem o sonho de participar de uma Olimpíada?

Acho que todas nós temos. Mas desde pequena penso em participar de uma Olimpíada. Se eu estiver lá, vai ser uma conquista imensa da minha vida. E garanto fazer de tudo pra representar da melhor forma possível o Brasil. Vou agarrar essa chance como se fosse a última coisa a fazer na minha vida. Não existe campeonato mais importante do que esse.
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A WNBA também faz parte dos seus planos?

Faz e a partir de agora faz muito. Porque tudo que é novo é importante. Sei que e difícil chegar lá, mas sei que dá pra chegar. Acreditar em si mesmo, acreditar no meu jogo e no meu potencial. Sei que esses itens vão me levar aonde eu quero. Não importa se é para a WNBA, para a Europa ou Olimpíadas. Tenho que acreditarem mim.

Qual é o seu maior objetivo como jogadora?

Acho que mostrar minha força e meu trabalho e ser reconhecida por isso. Porque nada é fácil. Ser uma grande jogadora e mostrar que sem esforço e trabalho nada disso teria acontecido. Ser reconhecida por tudo isso é melhor do que ser a melhor.