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26/09/2013 - Técnico Claudio Mortari

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Sua carreira começou cedo com apenas 11 anos de idade, quando já integrava o time das categorias de base da Sociedade Esportiva Palmeiras (SP). Esse foi o início da vida do treinador Claúdio Mortari, nascido em São Paulo no dia 15 de março de 1948. Como atleta, construiu sua história no clube do Palmeiras e encerrou o ciclo como jogador muito cedo. Mortari comandou o time do Sírio de 1977 a 1985 e conquistou todos os títulos possíveis. O sucesso no final dos anos 1980 o levou à Seleção Brasileira, onde foi vice-campeão do Mundial Juvenil Masculino, disputado em Salvador (1979), além do 5º lugar nos Jogos Olímpicos de Moscou (1980). O técnico foi também um dos grandes responsáveis pela conquista do título da Liga das Américas 2013 comandando o Pinheiros/Sky (SP). Após este grande feito, o treinador, de 65 anos, irá buscar nos dias 4 e 6 de outubro o seu segundo título mundial interclubes, que será disputado contra o Olympiacos (Grécia), atual campeão da Euroliga. O único título conquistado por um clube brasileiro no torneio aconteceu em 1979, com o Sírio, também sob o comando de Claudio Mortari.

Depois de 32 anos como é buscar novamente um título mundial de Clubes?

É uma alegria que não tem tamanho. Ter essa possibilidade novamente, me deixou muito feliz. Disputar um Mundial já considero muito difícil, e estar pertinho do título é uma responsabilidade maior ainda. Então, voltar depois de tantos anos, sem dúvidas é um acontecimento muito valioso.
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Em sua opinião, quais serão as dificuldades que a equipe poderá encontrar nesse Mundial?

A própria estabilidade e estrutura da equipe adversária. O Olympiacos é uma das melhores equipes do mundo. São campeões europeus, então isso nos leva a uma responsabilidade enorme. Vamos entrar com a estratégia que é fazer o nosso basquete e lembrar que tudo é possível. A possibilidade está aí e temos que agarrar essa chance com muita sabedoria. Pode ser uma oportunidade única, vamos dar o nosso melhor. Tentaremos tudo o que for possível.
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A participação no Campeonato Paulista está servindo de preparação para a competição. Quais os pontos enfatizados nessa fase de treinamento?

Nós sabemos que temos uma equipe muito homogênea. Estamos juntos há um bom tempo, isso nos traz um certo conforto. Mas ainda assim procuramos focar na força coletiva do grupo em geral, e isso envolve todos os atletas e posições. Esse campeonato foi também uma manutenção e podemos analisar defeitos e qualidades no individual e no coletivo.

Qual é o seu segredo para comandar uma equipe e fazer um trabalho consistente?

A confiança que o clube deposita na gente, a cumplicidade é extremamente importante. Receber as condições necessárias para desenvolver um bom trabalho, ajuda no andamento das coisas. É uma soma de fatores que determinam a possibilidade do seu sucesso como treinador. E em relação à equipe, o segredo é manter a força que já existe e saber realmente comandar, sabendo das nossas limitações como técnico.
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Esse Mundial aproxima o basquete europeu do brasileiro, além de fazer esse intercâmbio único para atletas e técnico. Quais os pontos positivos sobre isso?

Uma oportunidade como essa deixa a equipe mais experiente e vivida. Você está saindo do seu mundo e conhecendo outro. São outras dinâmicas e aprendizados, o que só tem a somar em uma carreira profissional. O atleta conhece um outro degrau da historia da modalidade.

A retomada do Mundial de Clubes traz benefícios para o basquete da América Latina?

Muito. Passamos um tempo sem esse Mundial, o que nos distanciou um pouco desse intercâmbio. O contato com as equipes europeias ou seja lá de qual for o lugar, é extremamente importante. Isso resgata uma essência do esporte e deixa os nossos atletas brasileiros dentro desse ciclo de experiência.
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Seu filho Bruno Mortari, seguiu os seus passos e é ala-armador do Pinheiros (SP). Como é esse vínculo entre vocês?

Eu já acho muito bonito um menino novo fazendo aquilo que gosta, e sendo meu filho acho mais ainda. Mas para mim ele é igual a qualquer outro atleta e é cobrado do mesmo jeito. Nos respeitamos muito dentro desse aspecto. Temos um relacionamento bastante profissional dentro das quadras e fora dela eu sou um pai.

Como é Claudio Mortari fora das quadras?

Tranquilo, mas não tenho muito tempo de realizar outras coisas a não ser basquete. Mas procuro sempre trabalhar para não decepcionar as pessoas que confiam em mim. Me concentro sempre em fazer as coisas certas para obter a qualidade em qualquer coisa que eu coloque a mão.

Quais as principais conquistas que você guarda na memória?

O próprio Mundial de Clubes conquistado pelo Sírio é um deles e o título de campeão paulista pela primeira vez com o Pinheiros (SP). Mas posso dizer com clareza que toda conquista é importante. Cada uma tem seu valor e seu momento. Todas são importantes para a carreira de um técnico. São momentos diferentes e de diversas formas comemoradas.

Quais são suas características como técnico?

Eu acho que consigo manter um relacionamento muito bom com os meninos. Isso é fundamental para uma boa convivência. Manter um alto nível de exigência e coleguismo ao mesmo tempo. Administrar esses detalhes é um fator muito positivo.
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Como foi comandar a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Moscou (1980) e na conquista do vice-campeonato mundial juvenil em Salvador (1979)?

Por mais que a gente deseje muito uma coisa, isso não quer dizer que o caminho será tão fácil e simples. Cheguei lá com 31 anos e já sabia as dificuldade e felicidades desse cargo. Foi um objetivo alcançado, e isso nos torna uma pessoa realizada. Passei pouco tempo com a camisa verde e amarela, mas sei que foi um momento maravilhoso na minha carreira.

Na sua opinião, quais os cinco maiores jogadores brasileiros de todos os tempos?

Muito difícil essa pergunta porque atravessei por muitas gerações. Não vou citar, mas vou destacar algo muito importante. O Brasil tem muitos jogadores de qualidade, muitos talentos, e isso é uma verdade a ser dita.
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E os seus planos para o futuro?

Depois do Mundial a vida continua, pretendo honrar a minha profissão até quando eu puder. Mas um dia não é igual ao outro. Temos que mirar sempre no melhor. O importante é estar dentro do esporte porque é o que eu sei fazer. E com isso trazer alegrias e coisas boas.