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16/09/2013 - Árbitra Andreia Silva

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Andreia Regina Silva, 33 anos, é uma das responsáveis pelo sucesso da arbitragem brasileira, uma das mais respeitadas do mundo. Árbitra internacional desde 2011, Andreia já atuou em torneios importantes como a Copa América Sub-18 Feminina, em Porto Rico (2012), e o Campeonato Sul-Americano Sub-15 Feminino, no Equador (2011). Também apitou nas duas ultimas temporadas do Novo Basquete Brasil (NBB) e durante cinco anos seguidos o Campeonato Nacional Feminino, que era organizado pela CBB. Convocada este ano para a Copa América – Pré-Mundial da Venezuela, que foi disputada no Poliedro de Caracas, Andreia se tornou a primeira brasileira a participar de um campeonato internacional masculino. Nos oito jogos que apitou, a paulista de Bauru mostrou segurança, tranquilidade e experiência adquirida nos 15 anos de quadras do Brasil e do exterior.
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Você foi a primeira brasileira a apitar uma Copa America Masculina. Como foi essa experiência?

Foi muito emocionante. Ao mesmo tempo eu me senti muito responsável por abrir as portas para outras profissionais. Quero que essa oportunidade seja para todas as árbitras do mundo inteiro. Precisávamos muito dessa chance, que era mostrar esse potencial. A FIBA Américas deu o primeiro passo para esse acontecimento convocando duas mulheres para esse torneio. Fico feliz de saber que não existe essa distinção de sexo. Acho divino partir do pensamento que todos somos capazes.

O que representou para você esse novo passo na carreira?

Mais responsabilidade e sabendo que agora eu passei a ser um ponto de referência para outras pessoas que estão começando. Pra mim foi muito bom, pois sei que estou apenas começando um novo ciclo. Estou tendo motivos para trabalhar mais forte. E sem contar a motivação que a gente ganha para as próximas convocações.
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Você apita em jogos nacionais desde 2003. Como as competições nacionais te ajudaram a chegar ao nível internacional?

O trabalho que realizei dentro da Federação Paulista e na CBB me trouxe para onde estou agora. Todos esses anos foram uma bagagem e tanto. Mas sei que a experiência é fator importantíssimo em uma carreira, seja ela qual for.

Existe diferença entre arbitrar uma competição feminina ou masculina? Por quê?

Sim. O jogo masculino é mais rápido, o contato é mais forte e existe o detalhe da interferência. Atenção e preparo físico são pontos importantes para apitar uma partida. O feminino é mais delicado, tem um pouco mais de precisão. Sem contar que não existe muito o corpo a corpo. Os contatos são bem mais leves.
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Assim como os atletas, os árbitros devem estar sempre bem fisicamente. Como é a sua rotina de treinamento?

Todo dia eu vou para academia, faço musculação, treino bastante e não deixo de dar aquela corridinha. Nós, árbitros, temos testes físicos da Federação, da FIBA e da Liga Nacional. Então precisamos ficar o tempo todo em atividade para que não tenha problema de reprovação. A minha alimentação é balanceada também. Porém nos finais de semana eu fujo um pouquinho da dieta e abuso. Mas nada de exageros.
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Quais os jogos que marcaram a sua carreira?

Argentina e Uruguai nessa última Copa América. Aquilo ali foi uma sucessão de emoção. Eu estava representando a arbitragem do meu país e quando olhei para a quadra e vi o Luis Scola (pivô argentino), me deu um frio na barriga tremendo. A final do Campeonato Paulista do ano passado, entre São José e Pinheiros, era o último jogo e eles estavam empatados. Foi um momento importante também, sabia que não podia errar. E para finalizar a semifinal do NBB de 2011/2012 entre São José e Flamengo, aquela não foi fácil.

Como começou a sua carreira?

Eu era atleta e jogava no Bauru (SP), mas o time acabou. Na verdade eu queria ser técnica, mas os caminhos vieram para a arbitragem. Vim pra São Paulo e tive muita dificuldade no início. Quando cheguei não tinha onde ficar e fiquei em Suzano na casa do meu tio, morando de favor. O árbitro José Carlos Pelissari e o Geraldo Fontana (comissário da FIBA Américas) me ajudaram demais nesse início. Meus pais também tiveram uma passagem muito especial, pois me apoiaram muito. Venderam tudo em Bauru (SP) e vieram comigo para São Paulo. Chegando lá, começamos do zero e hoje agradeço todos os dias por isso. Sem essas pessoas a Andreia não existiria.

Você já praticou outro esporte?

Fazia natação quando criança. Adoro nadar e adoro fazer academia. Mas foi a bola laranja que me encantou mesmo.

O que faz nas horas de lazer?

Eu estudo bastante. Vou começar uma faculdade de comercio exterior. Acho que precisamos crescer dentro da nossa profissão, como eu estou conhecendo o mundo com o basquete, achei válida a escolha pelo curso.
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Você se inspirou em alguém na forma de atuar?

Sim, várias pessoas. Carlos Renato dos Santos, Cristiano Maranho, e não posso deixar de falar dos grandes mestres como Marcos Benito e Sérgio Pacheco. Jose Carlos Pelissari, José Augusto Piovesan e o Geraldo Fontana, que é o meu eterno professor. Eu venho de uma escola muito forte e sabemos que o Brasil tem excelentes árbitros. Eu cresci assistindo esses caras trabalhando. Até hoje eu tive vários espelhos. Então, aproveito para homenagear todas essas figuras que foram muito importantes.
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O crescimento da mulher na arbitragem...

Tivemos bons nomes que até hoje são meus pontos de referencia, Fátima Aparecida da Silva e Tatiana Steigerwald. Foram as que começaram em uma época muito machista. Acredito que temos grandes chances de crescimento, e sei que o Brasil é capaz de formar nomes tão importantes quanto esses.

O que espera do seu futuro como árbitra?

Apitar em Campeonatos Mundiais e Olimpíadas. Mas sei que o importante é trabalhar. Porque não e fácil chegar aqui. Temos excelentes profissionais buscando pela mesma coisa, então temos que dar o valor necessário. Mas os planos agora são os mesmo de sempre. Trabalhar muito, porque a cada dia que passa essa responsabilidade só aumenta.