Imprensa

04/09/2013 - Flávio Davis

img
Flávio Davis Furtado, de 47 anos, é o coordenador pedagógico da Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol (ENTB). Mas esse nome não é nenhuma novidade para quem trabalha com a modalidade ou acompanha as categorias de base, já que há 24 anos Flávio é o coordenador das divisões de base do basquete do Minas Tênis Clube. Na nova função assumida, o técnico quer colaborar com capacitação dos profissionais da modalidade que tanto ama. Nessa entrevista, ele falou do planejamento e dos projetos que pretende realizar junto à ENTB, além de suas expectativas para os próximos cursos. O treinador também abriu sua vida e falou sobre os bons frutos que o esporte da bola laranja lhe proporcionou. Flávio destaca ainda que é hora de retribuir e ajudar no desenvolvimento da modalidade.

Qual a função do coordenador pedagógico dentro da ENTB?

O nosso objetivo é levar o conhecimento e a padronização do basquete para todos os treinadores que atuam hoje no nosso país. Queremos criar nossa própria filosofia para o basquete brasileiro. A intenção é trazer conhecimento para esses técnicos, além de uma padronização e desenvolvimento que nós desejamos na modalidade.
img

Explique como é o trabalho realizado pela Escola na formação dos treinadores?

Realizamos aulas práticas e teóricas que proporcionam aos treinadores uma visão para cada nível que é trabalhado. Oferecemos aspectos de formação e atuações para os técnicos que trabalham em seus clubes ou instituições esportivas. A capacitação dos treinadores é um dos pilares que ajudam na formação de um jogador para o alto rendimento.

Você participa da ENTB desde o inicio do projeto em 2009. Como você vê sua evolução?

Eu acho que com relação ao que existia antes tivemos uma evolução muito significativa. Mas ainda temos muito que caminhar. Escolas como as da Espanha e da Argentina já possuem muito tempo de estrada e realizam um trabalho que vem dando certo. Essa troca de conhecimento dos técnicos é um fator primordial para que o basquete se envolva e chegue no lugar mais alto possível.

E os objetivos estão sendo alcançados?

O primeiro objetivo é a conscientização que todos os treinadores, sem exceção, devam estar sempre procurando aprender algo novo. Eles precisam encontrar um modo pessoal de trabalhar. É necessário buscar sempre algo melhor. Queremos atingir um número maior de técnicos capacitados. Temos uma extensão grande em nosso país, então queremos massificar esse esporte e torná-lo cada vez mais forte e poderoso.
img

Qual a importância da presença de todos profissionais envolvidos na modalidade participarem dos cursos?

É um trabalho com objetivo mútuo. É o fator principal para a realização desse curso. O foco é o desenvolvimento de todos os interessados na ENTB.

A Escola é dividida por níveis. O Nível II realizou três cursos esse ano e é voltada para os profissionais que trabalham com as categorias de 15 a 19 anos. Qual é a importância desse ciclo que a ENTB realizou?

Esse é o caminho natural da formação de um técnico. Aqueles que fizerem parte desse ciclo terão um desenvolvimento e irão entender como trabalhar na formação de um atleta. Ele começa a entender a importância dentro dos conteúdos que são passados para as crianças até os adultos. Aqueles que estão seguindo essa cronologia estão tendo uma sequencia importante no aprendizado e na aplicação de qualquer nível que venha atuar.

Quem é do basquete conhece você. Mas quem é Flávio Davis?

Flavio Davis é um apaixonado pelo basquete. Sou filho de professor de Educação Física. Quando penso na minha infância só consigo lembrar de uma quadra e uma bola. Eu vivo em função de duas coisas, minha família e o basquete.
img

Conte um pouco da sua trajetória no basquete?

Conheci o basquete através do meu pai, que foi meu primeiro técnico. Como atleta, eu atuei até os 18 anos. Mas a partir dos 15, já era técnico de uma equipe mirim, Sub-11 e Sub-12. Tive uma passagem no exercito que foi um aprendizado e tanto. Aprendi muitos valores importantes que vou levar para a vida toda. Depois fiz o curso de Educação Física, me graduei e entrei no Minas Tênis. Esse clube me formou como técnico. Foi lá onde participei de todas as categorias e coloquei na prática tudo que aprendi. Tive a felicidade de dirigir o Minas durante 11 anos na categoria profissional. Isso tudo foi um aprendizado muito grande. E agora estou empolgado em encarar esse mais novo desafio de formar atletas na ENTB.

Como é o Flávio longe das quadras?

Quando estou de folga, sou 100% família. Tenho uma esposa e duas filhas e, só para não esquecer, lá em casa quem manda são as mulheres. {Risos}
img

O que te proporcionou e o que aprendeu com o basquete?

Com o basquete eu aprendi muito dos valores que tenho hoje. Essa paixão se tornou uma profissão, que por sinal respeito muito. Tenho principalmente ética e vontade que essa profissão seja respeitada e tenha o desenvolvimento que merece. Com o basquete eu consegui tudo que tenho na vida, minha família, meus amigos e as conquistas que tive em todos esses anos.

Deixe uma mensagem aos profissionais que estão iniciando na carreira de treinador.

Vou citar em duas partes. A primeira é uma situação que eu gosto muito e tem tudo a ver com a minha filosofia de vida. “Mestre é aquele que não só ensina, mas aquele que de repente aprende também”. Essa frase é do ‘Guimaraes Rosa’, que é um mineiro como eu. E a segunda: “Tudo que sabemos, aprendemos com alguém”. Essa é a filosofia que todo profissional deveria ter.