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31/07/2013 - Armador Scott Machado

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Talento e maturidade são os adjetivos que definem o atleta de apenas 23 anos. Scott Michael Machado nasceu com alma de americano em Nova Iorque, mas coração de brasileiro, e teve o início de sua trajetória na terra do basquete, nos Estados Unidos, com apenas dois anos de idade. O jovem atuou por quatro temporadas no colegial americano e foi escolhido o melhor novato em 2008/09 jogando pela Iona College. Em sua última temporada no basquete universitário, Scott Machado foi o líder da temporada na média de assistências e ganhou inúmeros prêmios individuais. O armador defendeu a camisa verde e amarela pela primeira vez na Universíade 2011, disputada em Shenzhen, na China. Animado com o retorno à equipe nacional, Scott está se preparando para realizar mais um sonho como atleta: um título pelo Brasil. Junto com a Seleção Brasileira, o armador vai buscar uma das quatro vagas na Copa América da Venezuela para a Copa do Mundo da Espanha, em 2014.

Como tudo começou?

Mal sai da barriga e já me deparei com o esporte. Aos dois anos, meus irmãos já colocaram na minha vida aquilo que não vai sair nunca mais, a bola de basquete. Até o quinto ano do colégio, foi só brincadeira, mas depois dali, comecei a fazer parte dos times e participar de competições. Todas as minhas descobertas foram quando criança. Desde cedo percebi que tinha um carinho a mais por essa modalidade.
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Quais foram as principais dificuldades que encontrou na carreira?

Sem dúvidas a parte mais complicada foi durante o College. No dia que tive que decidir para onde eu ia, optei por uma faculdade menor, menos populosa. Tive medo de chegar a um lugar onde já teriam grandes destaques. Eu segui uma estratégia de que queria me destacar, então precisava estar entre poucos e que eu pudesse me testar também. Foram quatro anos de muito autoconhecimento. Nesse período tive várias transições, mudei o jogo, trabalhei meu relacionamento com o grupo e tive ensinamentos especiais.

Como foi a trajetória no basquete americano até chegar na NBA?

Eu tinha uma preocupação enorme de não conseguir realizar o meu sonho de entrar na NBA. Então passei esse tempo todo tentando dar o melhor de mim. Mas de repente eu comecei a ganhar uma luz e cheguei lá. Acredito que com a ajuda da família e do meu amor ao basquete cheguei até o meu primeiro time, o Houston Rockets.
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Em sua última temporada no basquete universitário, você foi o líder da temporada na média de assistências por jogo e ganhou inúmeros prêmios individuais. O que você acha que compõe um atleta de verdade?

Eu acho que treinando a gente consegue muita coisa. Eu sou um cara que dentro da quadra eu gosto de ajudar. Então você acaba, por vezes, sendo peça principal do tabuleiro. Tudo se baseia em um trabalho de coletividade. A vontade de querer ser alguém também ajuda muito a chegar aonde a gente almeja.

A primeira vez que você representou o Brasil foi na Universíade, em 2011, na China. Como foi esse momento?

O que não faltou nesse momento foi o nervosismo. E se tem uma coisa que acho engraçada é que não me esqueci nunca mais quando me vi com um uniforme verde e amarelo. Aquilo ali eu vou guardar para sempre. Foi um marco que significou uma série de coisas. Aquilo ali já era uma conquista. Eu vivi nos Estados Unidos quase a vida inteira, mas sei que a minha cultura é brasileira. Então, quando cheguei aqui e pude defender o país que tanto amo, foi emocionante demais.

Quais ensinamentos você absorveu nessa competição?

Teve um momento no torneio que a gente ia jogar contra a República Tcheca, e eu não sei porque achei que seria um jogo fácil. Só que estava enganado. Foi uma das partidas mais difíceis que já disputei na minha vida. Aquilo ali mudou o meu pensamento em relação a qualquer preparação antes do jogo. Descobri que não podemos achar nunca que vamos ter um jogo fácil. É primordial saber respeitar a equipe adversária.
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Como é a sua relação com a sua família?

Eles foram para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Já os admiro demais por isso, são guerreiros de verdade. E eu sou muito grato por tudo que fizeram por mim. Eles amam o basquete e conseguiram acompanhar cada passo meu dentro da modalidade. Vivemos tudo isso juntos. Tenho muito orgulho da minha família.

Como é o Scott fora das quadras?

Um cara solteiro e que ainda não casou, que tem atitudes calmas, que tocava piano, e principalmente ama comida brasileira.
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Como está a sua expectativa em trabalhar com o técnico Magnano?

Acho que estou sentindo conforto. Ele sabe o que faz. Então isso já me traz uma tranqüilidade enorme. Sei que vou poder contar com ele para tudo. É a primeira vez que vou estar dia a dia com um cara que admiro muito.
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O que espera para o futuro na NBA?

O time que abrir as portas pra mim eu vou entrar com tudo e mostrar meu jogo. Eu já conheço a proposta e a filosofia deles. Ainda tenho muito que aprender com esses caras.

Qual momento você mais anseia com a Seleção Brasileira?

Eu espero sempre poder fazer parte desse time. Eu quero representar o Brasil enquanto for atleta. Quero trazer medalha, quero brigar, quero lutar. Quero me preparar e chegar a uma Olimpíada.
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O que representa para você o basquete brasileiro?

Eu sei que o futebol é muito conhecido aqui no Brasil. Então, só para ter uma idéia de paixão e de idolatria, o basquete para mim é tudo isso. Eu respiro esse jogo, eu vivo desse jogo, além de amar o que faço. Eu acredito que um dia, aqui no Brasil, o basquete será um dos esportes favoritos, pois temos talentos para isso. Precisamos querer e trabalhar. Está crescendo e garanto que cresce cada vez mais.