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10/07/2013 - Vanessa Fausto Gonçalves

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Defendendo a Seleção Brasileira desde 2009, a ala-pivô Vanessa Fausto Gonçalves, de 18 anos, vai encarar mais um desafio vestindo a camisa verde e amarela. A jovem de 1,80m já está na reta final de preparação para disputar o Mundial Sub-19 Feminino, que será realizado na Lituânia, a partir do dia 18 deste mês. Vanessa já conquistou duas medalhas com a seleção: vice-campeã na Copa América Sub-18 (Porto Rico – 2012) e uma de bronze no Mundial Sub-19, no Chile, em 2011. A atleta que desde muito nova carrega títulos importantes com o seu clube, o Santo André (SP), vem sendo um dos destaques nas seleções de base. Vanessa, mais conhecida como Sassá, nasceu no litoral paulista, em Santos, e conta nessa entrevista sobre os seus títulos com a seleção e a felicidade de poder defender seu país.

Conte um pouco sobre sua carreira.

Eu comecei a jogar basquete em um projeto que tinha na escolinha da minha cidade, em Santos (SP). No início eu era muito ruim, não tinha nenhuma habilidade. Mas alguma coisa aconteceu e quando fui ver já tinham se passado alguns anos, e estava jogando em campeonatos federados. Aos 11 anos, eu comecei a me encontrar no esporte, e fui pegando o gostinho de competir. Quando fui convidada para jogar no Santo André (SP), a minha história começou. Foi o ponto de partida para os meus verdadeiros propósitos.
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E como é jogar em Santo André (SP).

Eu cheguei ao clube muito nova, tudo era novidade e tudo me encantava. Fiquei perdida no início, mas depois me adaptei muito bem. Toda a minha evolução foi aqui dentro. Eu hoje jogo no time adulto, mas ainda faço parte da categoria juvenil. Posso dizer que em todas as categorias que joguei, sempre recebi apoio total das minhas companheiras.

Fale um pouco da emoção de subir no pódio defendendo o seu país.

Eu digo que é sem explicação. Porque ver um sonho se realizando é muito emocionante e gratificante. Quando a gente traça um objetivo, e você chega lá e vence, é inexplicável. Acho que não existem palavras para descrever.

Em 2012¸você participou da Seleção Brasileira Sub-18 que conquistou a medalha de prata na Copa América. Na semifinal, você foi o destaque da vitória do Brasil sobre a Argentina ao marcar 17 pontos e 13 rebotes. O que representou essa conquista na sua vida?

Foi uma época meio conturbada, porque esse campeonato foi a minha primeira competição com essa categoria. Além disso, eu tive uma lesão no pé que me impossibilitava de participar dessas disputas. Já estava tudo praticamente perdido para mim. O campeonato foi acontecendo, e eu ali naquela correria junto com a comissão técnica lutando pela minha recuperação. O jogo principal era contra a Argentina e eu já estava praticamente fora. Alguma coisa falou mais alto e no dia do jogo estava pronta para entrar em quadra. Entrei, dei o meu melhor, joguei muito motivada e com sede de vencer. E deu certo. Toda essa trajetória vai ficar marcada na minha cabeça, porque passei a confiar ainda mais na minha superação.
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Qual a expectativa para o Campeonato Mundial da Lituânia e como está sendo a fase de preparação?

Como em todo pré-torneio, o que está falando mais alto é o nervosismo. Mas estamos nos unindo e tentando deixar o clima mais tranqüilo. Eu me cobro demais, isso pode ser complicado nessa fase. Sei que tenho que dar o meu melhor e que chegou a hora. O ideal é absorver tudo de produtivo e utilizar na hora certa. Vamos precisar muito uma da outra.
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Os treinos com treinadora Janeth são muito puxados. Como é ser comandada por uma técnica que vem de uma geração de ouro?

Somos muito privilegiadas. Eu sempre admirei muito a Janeth como jogadora. E hoje tenho a oportunidade de conhecer um pouco mais como pessoa também. Ela tem uma técnica muito admirável de comandar e ensinar.

Como é a sua relação com o grupo nas temporadas em que ficam juntas?

Eu sou muito hiperativa. Então, tenho uma facilidade enorme de me relacionar com as pessoas em geral. Nessa seleção, eu já tive a maioria das meninas como adversárias. Mas aqui dentro somos uma bandeira só, defendendo o mesmo país e com um único objetivo. Esse propósito faz com que a nossa união seja natural e necessária.

Sua família sempre te apoiou? Como você lida com a saudade quando viaja?

Tive muita dificuldade no inicio da minha vida no basquete. A minha família não acreditava de jeito nenhum que eu poderia ir tão longe. Eu ficava triste com isso, mas eu sentia lá no fundo que nada era em vão. Fui um período difícil, pois eu não sabia como mostrar o quanto eu era capaz de jogar, e o quanto eu amava o basquete de verdade. Hoje tudo mudou, é um pouco complicado lidar com a saudade quando estou fora, mas posso dizer que e eu sou um motivo de muito orgulho para todos.
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O que mais gosta de fazer quando nas suas folgas?

Eu não gosto de ficar parada, e vou confessar que até nas folgas eu jogo basquete. Em Santos, tem uma quadra muito próxima da minha casa, e quando estou de bobeira é pra lá que eu vou. Chamo meus amigos, e sempre fico batendo uma bola com eles, mesmo que de forma descontraída.

Em 2016, você vai completar 20 anos e pode fazer parte da Seleção que vai defender o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Fale do seu sonho de participar de uma Olimpíada?

Eu sou muito confiante em relação a isso, e confio demais no que eu faço. Eu espero de verdade poder fazer parte desse time. Temos que acreditar e confiar na gente. Acho que já dei os primeiros passos na minha carreira, e sei que fazer parte desse momento com certeza vai ser único. Mas sei que ainda tenho um tempo para adquirir ainda mais experiência e sabedoria. Tenho que mostrar o que sei e nesse Mundial e tentar buscar o melhor desempenho possível.

Qual é o seu maior objetivo como atleta?

Eu não quero ser uma jogadora famosa, eu não quero ser rica. Só quero ser reconhecida pelo que faço.
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O que você acha que uma atleta precisa para ter um bom desempenho?

Eu não acredito muito nessa história de ter um ‘dom’. Mas eu acho que para você ser alguém lá na frente, tem que batalhar no agora. Para ser um bom jogador você tem que treinar e querer acima de tudo. Dar o sangue e saber sempre respeitar o seu adversário, seja ele quem for.

GIRO RÁPIDO:

Ídolo: Janeth / Sonho: Entrar na WNBA / Comida: Lasanha / Palavra que ama: Alegria / Uma virtude: Alegre / Um defeito: Irritante / Um filme: Todos de terror e infantil / Momento marcante: Subir no pódio no mundial / Cesta inesquecível: No jogo contra Argentina na Copa America, em 2012, a primeira cesta do jogo foi minha / O que é o basquete na sua vida: É a base de tudo.