Imprensa

28/06/2013 - Rafael Maia

img
Com apenas 21 anos, o pivô Rafael Donatti Alves Maia é um dos jogadores mais experientes da Seleção Brasileira de Novos. Entre suas principais participações com a Seleção Brasileira de base, estão o Nike Global Challenge, em 2009, e os Campeonatos Sul-Americanos de 2007 Sub-16 e Sub-17, onde conquistou a medalha de bronze. Rafael também foi campeão com a seleção paulista nos Brasileiros de 2007 e 2008. Mas a sua trajetória no basquete não parou por aí. O jovem, de 2,05m, que nasceu em Mogi das Cruzes (SP), e iniciou o basquete no Clube Paulistano (SP), decidiu ir mais além e encarar o basquete universitário dos Estados Unidos. Hoje, defende o time da Brown University, em Rhode Island. Nessa entrevista, Rafael conta porque trocou o tênis pelo basquete, os seus sonhos na modalidade e a expectativa de disputar a Universíade da Rússia, de 7 a 17 de julho.

Como foi o início da sua carreira?

Eu nasci em Mogi das Cruzes, mas fui muito novo para a capital de São Paulo. Fui crescendo muito ligado aos esportes em geral. A primeira bola que disputei foi a de tênis, quando era muito jovem ainda. Mas aos 11 anos tive a felicidade de ser convidado para um jogo de basquete no Paulistano (SP). A minha história nesse clube durou quase oito anos. Tive momentos de muita alegria, além de ter aprendido tudo que sei até hoje.
img

Você é bicampeão com a seleção paulista nos brasileiros de base. De que forma isso te ajudou a ser o jogador que é hoje?

Eu tive a enorme oportunidade de ter o Gustavo De Conti como treinador na seleção de São Paulo. Isso me trouxe um aprendizado enorme. Além da ótima relação pessoal que temos dentro de quadra. As disputas nessa categoria sempre foram muito acirradas. A competitividade dentro de um campeonato de base é muito intensa, isso agrega muito um jogador. Os ensinamentos que tive nessa época eu carrego comigo até hoje.
img

Com a Seleção Brasileira você participou de três torneios e garantiu boas colocações para o país, além de ter sido capitão da equipe Sub-16 em 2007. Como foi esse período?

A emoção que tive nessa época começou logo na primeira convocação. Quando recebi o convite quase não acreditei. Era a realização de um sonho muito importante. Lembro de quando coloquei a camisa do Brasil pela primeira vez, olhei no espelho e fiquei me perguntando se merecia mesmo estar ali. A emoção foi muito forte e sabia que isso seria mais uma etapa importante na minha carreira. No primeiro jogo, foi difícil controlar o nervosismo, mas eu sabia que estava ali por amor. Ser capitão do time foi uma responsabilidade muito grande, mas que me trouxe uma visão muito boa em relação a grupo e à equipe.

A sua família sempre te apoiou em relação ao esporte?

Os meus pais sempre foram peças importantes na minha história com o basquete. Desde o início, contei com o apoio de todos. Eles sempre me ajudaram e facilitaram muito a minha vida para ser um atleta. Sempre que posso estou agradecendo por entenderem a minha paixão pelo basquete.
img

Em 2010, você decidiu ir morar nos Estados Unidos e conhecer o basquete americano. Como foi esse desafio e a rotina de estudar e treinar?

Eu sempre pensei muito além. E quando tive a oportunidade de atuar lá fora, simplesmente não pensei, só aceitei. Recebi o convite de técnico Walter Roese e quando pude contar com o apoio dos meus pais, aí mesmo que não tive dúvidas. Os meus pais sempre me orientaram em relação a estudar. Então, quando cheguei lá, pude conhecer um basquete de alto nível e estudar ao mesmo tempo. Todo jogador tem o sonho de chegar o mais longe possível. E lá estou tendo a chance de crescer como atleta e ganhar muita experiência.

O que mais sentiu falta, especialmente nos primeiros meses nos Estados Unidos?

Estou a três anos morando fora e até hoje sinto falta de muitas coisas do Brasil. Eu sou muito ligado à família e isso é uma dificuldade que preciso conviver. A internet hoje ajuda muito a diminuir a saudade, o que me deixa mais tranquilo. Sei que estou longe, mas todos sabem que estou perto de coração. E acredito na busca de um sonho, sei que existem as dificuldades, porém acredito que irá valer muito a pena.
img

Entre tantas pessoas importantes em sua trajetória, qual delas você destaca?

O Gustavo De Conti que foi meu técnico no Paulistano (SP). Foi muito bom nos reencontrarmos na Seleção de Novos. Estou tendo novamente o prazer de compartilhar a sabedoria de um grande técnico.
img

O que mais gosta de fazer quando não está nos seus horários de treino?

Eu sou apaixonado por instrumentos. Toco violão, piano e baixo. Já tive uma banda quando era mais novo. Então sempre que posso mato as saudades e passo o meu tempo. Gosto muito de cozinhar também, às vezes rola um risoto, que é sempre aprovado pela equipe.
img

Como é a sua relação com os outros integrantes da Seleção de Novos?

Eu já conhecia a maioria, poucos eu conheci agora. Mas foi muito rápida essa fase de adaptação. A gente passa quase 24 horas juntos, precisamos um do outro. Isso cria um elo muito grande dentro e fora das quadras.
img

Como é treinar com o mestre Rubén Magnano?

O Rubén tem uma forma de treinar de altíssima qualidade. Ele aplica a busca da excelência em tudo que ele faz. Repara cada detalhe, de posicionamento, de defesa, de tudo. Ele é um grande mestre. Com a ajuda dos assistentes José Neto e do Gustavo o treino flui de uma maneira inexplicável. Eles cobram mais que 100% da gente. É um trabalho que vem dando certo.

Onde pretende chegar como atleta?

Eu quero muito representar o Brasil em uma Olimpíada. Depois disso quero realizar o sonho de todo brasileiro que é apaixonado pelo basquete, fazer parte da maior liga de basquete do mundo, a NBA.
img

O que representa para você fazer parte da Seleção Brasileira?

Só de estar aqui e fazer parte desse time já é algo muito grandioso. A minha participação aqui é de amor pelo esporte e pelo meu país. Quero dar tudo de mim como atleta e representar muito bem o Brasil. Acredito que a nossa seleção tem estrutura para isso.
img

Quais são suas expectativas para a Universíade, na Rússia?

A expectativa é de voltar para casa com esse título. O Brasil é um país que tem atletas muito qualificados e estamos trabalhando muito forte. Estamos valorizando as nossas técnicas individuais e coletivas. Vamos em busca do melhor resultado possível. Quero estrear nesse torneio e me dedicar para dar o meu máximo como atleta.

Deixe uma mensagem para os atletas que sonham em trilhar carreira como jogador:

Acho que o primeiro passo é acreditar em si próprio. Temos que confiar no que sentimos e seguir o coração. Quando a gente descobre o que mais queremos, as coisas começam a acontecer. E depois que já tiver ali, pronto para a luta, é só treinar, treinar, e treinar. Tentar ser o melhor e se destacar. Depois é só contar com o brilho que possui e deixar que a vida trilhe você no caminho certo.