Imprensa

16/04/2013 - Shamell Stallworth

img
Shamell Jermaine Stallworth, o nome não esconde a nacionalidade do ala/armador americano, de 32 anos e 1,94m, que adotou o Brasil como sua pátria. O capitão do Pinheiros/SKY (SP), que ajudou o clube a levantar a taça da Liga das Américas 2013, foi escolhido como MVP (jogador mais valioso) do torneio. Segundo Shamell, o tradicional clube paulista está pronto para surpreender ainda mais e chegar aos playoffs do Novo Basquete Brasil (NBB) 2012/13. Mas se engana quem acha que o jogador é sempre sério, Shamell gosta mesmo é de brincar e passar o tempo com seus filhos, os gêmeos Shamell Jr. e Jordan. O americano falou ainda sobre o sonho olímpico que mantém vivo em seu coração
img

O que significou para você a conquista deste título inédito para o Pinheiros (SP)?

Fico sem palavras para descrever o tamanho da minha felicidade. Foi muito importante para o clube conquistar esse título inédito e para a minha carreira também. Sonhávamos com esse título, mas não sabíamos que aconteceria tão rápido. Foi maravilhoso.

E o título de MVP?

Foi muito legal também. Poderia ser qualquer um da equipe, mas independente disso o que deve ser destacado é o trabalho do grupo. O resultado que obtive foi reflexo da boa atuação dos outros onze jogadores também, pois sem eles não teria como eu chegar lá.
img

Ao que se deve essa conquista pessoal?

Procuro sempre entrar fazer o meu trabalho e um bom jogo. Há um ano, sofri uma lesão no pé, e acredito que estou quase no ápice da minha forma física novamente. Voltei muito rápido para as quadras e fui pegando o ritmo de jogo na hora certa. Estou em um momento da minha carreira bastante consciente da minha função em quadra. Acho que tudo isso com o auxílio de meus companheiros me levaram a conquista individual.

Como está o Pinheiros (SP) na busca da vaga nas quartas de final do NBB?

O time está pensando bem alto. Ser o campeão das Américas prova que temos essa capacidade, pois vencemos fortes adversários e podemos chegar lá. Seguimos agora com os dois pés no chão, mas sabendo que independente do adversário as possibilidades de conquistar mais esse título é grande.
img

Qual o segredo para o sucesso do clube?

Acreditar no nosso trabalho e na união do grupo. Estamos com uma equipe bastante forte e bem nivelada. A estrutura do clube também está melhorando muito, e o diretor Rossi sempre destaca a importância desse crescimento para o reconhecimento do clube Pinheiros como referência de estrutura.

Como é trabalhar ao lado do experiente técnico Cláudio Mortari?

Muito tranquilo. Já o conhecia desde a época do Paulistano e temos um ótimo relacionamento. Ele é muito gente boa e conhece todos os traquejos e jogadinhas especiais. O Mortari confia muito no grupo e nos deixa jogar, além de saber usar bem as palavras. É o tipo de técnico motivador, que nunca grita e respeita dando espaço para o jogador crescer. Na hora de chamar a atenção, ele respeita e sabe falar.
img

Conte um pouco da sua trajetória no basquete?

Comecei a jogar brincando, nas aulas de educação física. Jogava basquete, vôlei, baseball e futebol americano. Aos 17 anos, um técnico me chamou e disse que deveria escolher apenas um esporte e treinar muito se quisesse chegar em algum lugar. Claro, escolhi o basquete. Graças a isso, ganhei bolsa na San Francisco University, onde joguei quatro temporadas pela NCAA. Em 2004, o Araraquara precisava de um jogador americano, então meu empresário me chamou. Depois joguei no Paulistano e em seguida fui jogar no exterior. A adaptação foi difícil e voltei com minha família para o Brasil. Na volta, fui atuar em Limeira e desde 2009 estou no Pinheiros.
img

Como surgiu a ideia de jogar no Brasil?

Soube que o Brasil tinha um campeonato forte e decidi vir para conhecer um país diferente e melhorar o meu basquete. As pessoas são ótimas e me identifiquei muito com a torcida e os jogadores. A cada competição me sinto melhor e que posso ser mais útil para a minha equipe.

Qual o seu momento preferido do jogo?

Eu gosto de finais. É a hora que mostro meu jogo e que a emoção é maior. Gosto do desafio de chamar o jogo pra mim e ver as possibilidades para decidir uma disputa. O mais importante é a vitória.

Do que você mais gosta no país?

Gosto muito do povo. Mas adoro a comida como uma boa churrascaria. Gosto também de curtir meus filhos, Shamell Jr. e Jordan, e levar eles para a praia.
img

Como é a sua rotina quando não está jogando?

Acordo cedo e ligo para os meus filhos. A rotina deles inicia cedo, então gosto de dar bom dia e dizer o quanto os amo. Se não tenho treino, volto para a cama e durmo mais um pouco. Gosto de ir almoçar com minha mãe sempre que possível. Gosto também de ir para a balada com meus amigos.
img

Qual o programa preferido em família?

Adoro levar os meninos para brincar na área de brinquedos para crianças do shopping. Mas não dispensamos depois um programa na casa do Dedé, que joga comigo no Pinheiros. Ele é DJ e os meninos adoram. Ficamos acordados até tarde jogando videogame e fazendo open bar de suco, bolachas e doces. É muito bom estar com eles.

Você se sente hoje mais brasileiro ou mais americano?

Com certeza, mais brasileiro. Outro dia mesmo, aconteceu um episódio engraçado sobre isso. Fui ao shopping fazer uma compra. Na loja dois vendedores me reconheceram como o americano do basquete que torce pelo Corinthians (SP), no futebol. Como iria pagar à vista a minha compra pedi desconto ou algum brinde, então todos me olharam e disseram que eu já estava igual a um brasileiro. É assim que me sinto. [disse entre risos]
img

Como anda o seu processo de naturalização?

Isso é uma coisa que quero muito. Esse ano, eu vou voltar a correr atrás disso para ver como está o andamento do processo.

Ainda sonha em defender a seleção brasileira?

Sim. Ainda tenho esse sonho no meu coração. Quero muito ter a oportunidade de treinar e brigar por uma vaga na equipe do Brasil. Só isso já seria maravilhoso. Mas sei que é preciso ter paciência, pois é um processo demorado.
img

O que está achando da evolução do basquete brasileiro, no comando do técnico Ruben Magnano?

Acho maravilhoso todo o trabalho desenvolvido pelo Magnano. A seleção hoje joga de forma ofensiva e defensiva. Isso marca a postura que ele trouxe pro time e a mudança do basquete brasileiro. O Brasil precisava disso e está no caminho certo para chegar lá. Mas temos que entender que o trabalho não acabou, e que temos que ir atrás se quisermos chegar mais longe.

Quais seus planos para o futuro?

O objetivo e o foco agora é o título do NBB. Depois vou tirar férias e ver como segue a minha carreira, e espero continuar no Pinheiros. O dia que parar de jogar, quero continuar a trilhar meu caminho no Brasil. Gostaria muito de continuar ajudando e trabalhar com os meninos que estão iniciando no basquete. Quem sabe ser técnico e fazer diferença no basquete brasileiro.