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05/04/2013 - Isabela Ramona

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Aos 19 anos, a atleta Isabela Ramona foi convocada para mais um desafio vestindo o uniforme da seleção brasileira. A ala de 1,75m vai brigar pelo título do Mundial Sub-19 Feminino, que será disputado na Lituânia, de 18 a 28 de julho deste ano. Mas nisso, a jogadora já tem experiência, pois passou por oito convocações e subiu três vezes no pódio: duas como vice-campeã na Copa América Sub-18 (Porto Rico – 2012 e Estados Unidos – 2010) e teve papel importante na conquista inédita do bronze do Mundial Sub-19 (Chile – 2011), quando tinha apenas 16 anos. Isabela faz parte da história de outra modalidade também, o basquete 3x3. Ela integrou a primeira seleção brasileira que disputou o esporte nos Jogos Olímpicos da Juventude (Cingapura – 2010). Mistura de baiana com carioca, Isabela que se diz bastante família e vaidosa, tem o sonho de defender as cores do seu país nas Olimpíadas do Rio em 2016.
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Você defende a Seleção Brasileira desde 2008, na categoria Sub-15, e acaba de receber sua oitava convocação. Conte sobre sua trajetória na seleção brasileira?

Passei por diversas categorias, desde a Sub-15 até a adulta. Acho que percorri uma trajetória muito boa e que considero ideal para a formação do atleta. Já tive a experiência de participar de treinamentos e ser cortada e de disputar os campeonatos. Isso tudo serviu como experiência profissional e pessoal.

Toda convocação é uma emoção diferente?

Sempre. Cada campeonato é uma emoção bem diferente da outra. A expectativa e a ansiedade são sempre grandes, independente de qual seja a categoria. Fico bastante empolgada e emocionada toda vez que sou convocada para defender o meu país.
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Em 1994, ano em que você nasceu, a Janeth levantou a taça de campeã mundial. Qual é a sua expectativa para os treinos comandados por ela?

A expectativa é a melhor possível. A Janeth foi realmente uma grande jogadora e tem sido uma ótima técnica. Estou muito feliz com a oportunidade de disputar mais um Mundial e dessa vez comandada por ela, que tanto brilhou nas quadras. Ela também jogou na posição de ala, que é a mesma que atuo. Tomara que eu tenha o mesmo desempenho e sucesso que ela teve. Quem sabe, né? [disse entre risos].

Em 2011, você foi convidada para participar dos treinos preparatórios para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara (México). Quais são seus principais objetivos daqui para frente?

Esse é o meu último ano atuando nas categorias de base da seleção e, com certeza, a minha expectativa é estar nas próximas seleções adultas. Já treinei com a principal, em 2011, e foi uma ótima experiência. Aprendi muito com as jogadoras e comissão técnica. Nos próximos anos, meu foco é estar nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Estou desenvolvendo a minha carreira com este objetivo.
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Você fez parte da primeira seleção brasileira de Basquete 3x3. Como foi disputar essa nova modalidade?

Foi muito legal. Uma das melhores experiências que tive. Apesar de ser basquete, é de uma forma completamente diferente. As regras são outras e o jogo é bem mais rápido. É muito gostoso jogar o 3x3 e sempre que posso estou participando dos torneios. No momento estou disputando o estadual carioca, com a equipe "Pretinhas". Acho que é uma modalidade que tem tudo para crescer e está sendo cotada para estar nos Jogos Olímpicos do Rio.

Como o basquete entrou na sua vida?

Tenho um primo mais velho, Bruno Lyra, que jogou no time do Oscar, no Telemar. Quando eu era criança, sempre diziam que eu era muito alta. Então ele conversou com minha mãe e entrei pra escolinha no ABASC, em Salvador (BA). O professor Gildásio disse que eu tinha jeito, então segui. Logo depois, vim morar no Rio e entrei para o Fluminense, de novo por indicação do meu primo. Aí comecei a levar a sério.
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Como é o clima na seleção?

O clima é muito gostoso. Todas as meninas se dão super bem e as comissões técnicas são muito boas. Normalmente todas as meninas se conhecem, mas não jogam junto nos clubes. É sempre muito engraçado os nossos papos.

Dona Iris, sua mãe, é famosa pela sua torcida. A família sempre te apoiou?

Sempre me apoiou. Meu pai e minha torcem muito e me dão força para seguir e nunca desistir dos meus sonhos. Mas os outros parentes, como os primos e tios, sempre me perguntam dos jogos e ficam na torcida também.
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Você mora no Rio, por causa da mãe que é carioca. Mas nasceu na Bahia por causa do pai que é baiano. Qual o lado da sua personalidade fala mais alto?

Sou famosa pela minha preguiça de baiana, mas com malandragem carioca. Então, guardo a motivação e a agilidade pra usar em quadra.
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Na folga entre treino, jogo e competições o que gosta de fazer?

Se não estou na época de seleção, sempre que dá um tempinho eu gosto de ir pra casa ver minha mãe e meu irmão. Sou muito apegada ao meu irmãozinho Waltinho, que tem dois anos. Organizo umas reuniões aqui em casa para juntar os amigos e primos. Também vou muito para Salvador rever meu pai, irmãos e amigos que moram lá. Se estou com a equipe ou com a seleção, uso a internet para matar a saudade. Também adoro uma praia e uma novela. Neste momento, não perco uma cena do personagem 'percoço'. Quando não posso ver, a minha mãe grava e vejo depois.

O que você gosta de comprar nos países que visita?

Roupa, sempre procuro roupa. As meninas sempre querem tênis ou algum acessório de basquete. Mas sou bastante vaidosa. Então procuro lá fora algumas marcas e modelos que não encontro tão fácil aqui no Brasil.
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E como é a sua rotina? Treinos, alimentação, colégio, namorados.

Minha rotina é academia, treino e faculdade. Na hora da alimentação, eu como de tudo. A alimentação só fica balanceada mesmo na seleção. A nutricionista faz um trabalho mais especifico com cada jogadora e temos que estar bem em forma.

O que foi mais difícil na hora de sair de casa e ir morar na República com outras jogadoras?

O mais difícil decididamente foi estar longe da minha casa e da minha família. Não sabia cozinhar, pois nos clubes sempre tinham as cozinheiras, mas agora lá em Guarulhos tive que aprender a me virar um pouco. Aprendi a fazer arroz, macarrão, bife e sopa. Estou treinando para aprender a fazer feijão. Mas quando dá para escolher, prefiro a louça.
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Quem é a sua grande companheira na seleção e nos clubes? Aquela 'irmã' que você escolheu?

Não tenho dúvida que é a Joice. Nós duas nos identificamos muito e nos conhecemos há muito tempo. O destino me tirou da Bahia e ela de Cachoeira de Macacu e nos juntou. Começamos a jogar juntas na seleção carioca Sub-15, quando eu jogava na Mangueira e ela na cidade dela. Fomos convocadas para as seleções e algumas vezes cortadas, mas também ficamos e defendemos o Brasil no Mundial. Passamos muitas coisas juntas. Além disso, fomos para Jundiaí e agora Guarulhos jogando no mesmo clube. Quando ela está no Rio, fica aqui em casa e minha mãe a trata como se fosse filha.

Você estreou na LBF 2010/11 pela Mangueira (RJ) e na temporada 2012/13 defendeu o time de Guarulhos (SP). Como você analisa sua participação?

Na edição deste ano, eu atuei bem mais do que quando estava na Mangueira. Disputar uma liga profissional estava nos meus planos para este ano. Queria essa experiência na categoria adulta, pois sabia o quanto isso seria importante no meu aperfeiçoamento. Não acho que tenha tido a minha melhor performance, mas foi muito bom pra mim.
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Pretende permanecer na mesma equipe? Quais seus planos?

Não continuarei em Guarulhos, mas também não sei que equipe irei defender na próxima temporada. Estou totalmente focada no Mundial. É nisso que estou pensando agora. Quando eu voltar penso na liga nacional.

Já recebeu alguma proposta internacional?

Já sim, quando voltei do Mundial Sub-19 do Chile. Duas universidades americanas me convidaram. Conversei bastante com minha família e técnicos. Tomei a decisão sozinha, mas resolvi ficar, me aperfeiçoar e pegar essa experiência aqui no Brasil. Acho que a decisão foi bastante acertada já que meu foco é defender o Brasil em 2016.

Você faz faculdade de fisioterapia. Pretende trabalhar com sua profissão no futuro?

Tranquei a faculdade, mas pretendo voltar em breve. Adoro o curso e sonho em ter uma clínica. Como sou atleta, quero que seja direcionada para área de esporte. Se for possível, aplicar os conhecimentos que vou adquirir no basquete. Amo esse esporte e quero continuar de alguma forma por perto.