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25/03/2013 - Árbitro Diego Chiconato

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Um dos fatores que ajudaram o paranaense Diego Chiconato, de 27 anos, a passar para a categoria de árbitro internacional foi a experiência adquirida apitando inúmeras competições estaduais e nacionais. O árbitro revelação do 4º Novo Basquete Brasil (NBB) 2011/12, vê seu trabalho reconhecido com a participação no Jogo das Estrelas do NBB 2012/2013, no início do mês de março, ao lado de renomados árbitros e jogadores internacionais. O jovem árbitro credita suas conquistas ao apoio da família e a todos que estiveram juntos com ele no decorrer da carreira, mas também alça voos mais altos. Diego quer realizar o sonho de representar seu país nos Jogos Olímpicos.
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Qual sua avaliação da Clínica Internacional FIBA Américas de Arbitragem, realizada em novembro na cidade de São Bernardo (SP)?

O evento foi grandioso e conseguiu reunir muitos árbitros. A organização da CBB foi muito bem feita em todos os sentidos. As avaliações técnicas, táticas e teóricas foram bem difíceis e de alto nível. Tivemos uma prova de inglês bem puxada, mas achei excelente, pois os árbitros tem que estar sempre preparados para qualquer momento. Vou continuar me aperfeiçoando para garantir um bom espaço na modalidade.

O que achou mais difícil e mais fácil durante a Clínica?

Acho que como eu estava muito bem preparado, o teste físico foi o mais fácil. O mais complicado foi a avaliação prática, pois estava bem nervoso e cada árbitro só tinha um dez minutos (um quarto do jogo) para demonstrar seu conhecimento. Foram os dez minutos mais importantes da minha vida. O que me deixou mais tranquilo foi o fato de eu conhecer o Geraldo Fontana, Comissário da FIBA Américas. Foi com ele que passei no teste para árbitro nacional. Os testes foram muito bons e a exigência internacional está cada vez maior.
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Como as competições estaduais e nacionais te ajudaram a chegar ao nível internacional?

Os campeonatos que participei fizeram toda diferença, além do trabalho de base que vem sendo feito pela minha Federação (Paranaense). Apitei campeonatos adultos regionais, depois brasileiros de base da CBB, e as competições da liga profissional, que me ajudaram muito nesta Clínica. Posso afirmar que toda essa experiência contribuiu para minha vitória.

Como começou a carreira?

Fui jogador de basquete e um dia precisaram de alguém para apitar um campeonato mirim pela federação. Apitei esse e outros jogos e acabei gostando do trabalho. Então em 2003 decidi fazer a Clínica de Arbitragem. Aos poucos fui apitando os campeonatos regionais e resolvi fazer o teste para árbitro nacional.
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Como é o trabalho de arbitragem realizado pela Federação Paranaense?

No Paraná, temos campeonatos o ano inteiro. Eles acompanham e dão o suporte para aprendizado do quadro de arbitragem e o volume de jogos acaba colaborando com a parte prática. Todo ano a Federação Paranaense realiza Clínicas de Capacitação e Reciclagem, com o objetivo de uniformidade em todos os estados. Hoje, o quadro de arbitragem do Paraná conta com uma média de 120 árbitros.

Existe algum árbitro em quem tenha se espelhado?

Na verdade, espelhado não. Prefiro pegar algumas dicas e criar a minha própria característica. Mas tenho o Cristiano Maranho e o Marcos Benito como minhas referências. São árbitros olímpicos e que vi atuar.
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Como foi trabalhar com eles no Jogo das Estrelas, no mês de março, em Brasília (DF)?

Assim que entrei no ginásio, começou a passar um filme na minha cabeça. Eram os melhores atletas, árbitros e eu com meu trabalho sendo reconhecido. Foi maravilhoso estar ao lado deles. Pensei em tudo que passei desde o início nas competições no Paraná até aquele momento. Foi muito emocionante.

Existe diferença entre arbitrar uma competição feminina ou masculina? E de base e adulto? Por quê?

Não vejo diferença entre jogos feminino e masculino. A regra é a mesma. Acho só que as disputas masculinas tem um contato mais duro, mas o nível é alto dos dois e a cobrança exigida é a mesma. Já da categoria adulta para base, é uma larga diferença. Tem muita coisa que nunca acontecerá na base que no adulto acontece. Mas acho a base importante, pois você começa a se preparar psicologicamente para lidar com técnicos e atletas de alto nível.
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Qual a partida mais difícil que você já apitou?

Com certeza, foi a disputa entre o Flamengo (RJ) e Uniceub/Brasília (DF), no returno da atual edição do NBB, porque é o confronto entre as duas equipes que fazem o maior clássico brasileiro. Não era um jogo comum. Foi uma disputa difícil, mas que no final deu tudo certo.

Tem alguma regra que você ache difícil de aplicar na hora do jogo?

Não tenho dificuldade na hora de aplicar nenhuma regra. O árbitro tem que estar bem fisicamente para estar sempre bem posicionado. Caso contrário, você não consegue julgar as ações e tomar as atitudes corretas dentro de quadra.

O que representou receber o título de revelação do NBB 2011/12?

Não teria conseguido sem o suporte que a família e a federação me deram todo esse tempo. Foi mérito de muito trabalho desde a época que atuava só nos campeonatos da Federação Paranaense. Gostaria de agradecer a eles pelo suporte e a CBB também, pois sem a indicação não poderia demonstrar o meu trabalho. A LNB também merece um agradecimento especial, já que com a realização da Liga de Desenvolvimento pude me preparar para atuar em competições de alto nível. Eu realmente não esperava esse título.
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De que maneira sua família influência na sua carreira de árbitro?

Sou casado há oito anos com a Franciele e tenho uma filha, a Heloísa, de sete anos. Considero minha família a base e o meu pilar. Sem o apoio delas não conseguiria fazer nada. Sempre que viajo a trabalho, elas me apoiam e sabem o quanto é importante para mim e para minha carreira. Elas sempre acompanham as partidas. A Franciele comenta e me crítica, às vezes, querendo saber por que tomei tal atitude. É muito legal essa parceria.

Que assuntos surgem numa conversa entre árbitros antes da partida?

A gente acaba falando dos pontos que são mais cobrados, que são as faltas e a disciplina durante a partida. O foco é na mecânica de arbitragem de três pessoas. Depois dos jogos, comentamos a partida e o que podemos melhorar e aprimorar para o andamento das partidas.
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Assim como os atletas, os árbitros devem estar sempre bem fisicamente. Como é a sua rotina de treinamento?

Eu tento treinar três vezes por semana, mas com a rotina do NBB nem sempre é possível. Mas mantenho a forma fazendo musculação, corrida e fazendo uma alimentação balanceada. Procuro comer um peixe grelhado com uma saladinha que são bem leves.

Existe muito assédio feminino aos árbitros?

Não comigo. Acho que o árbitro não é visto dessa forma. São mais os atletas mesmo que sofrem com o assédio das fãs. Ainda bem que nunca tive que lidar com isso [disse entre risos].

O que aprendeu com o basquete?

Aprendi a lidar com o emocional das pessoas e a ter mais responsabilidade. Estar ao lado de pessoas ligadas a TV e ao esporte mundial me fizeram amadurecer outro lado e me trouxeram muito aprendizado.
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E como é o Diego longe do basquete?

Sou bem paizão e família. Sempre que não estou viajando estou com minha esposa e filha, ou trabalhando na loja. O basquete me trouxe a responsabilidade e a honestidade, por exemplo, de cobrar muito dos meus funcionários para a coisa acontecer da forma correta e termos êxito em tudo que fizermos.

Quais os programas preferidos para fazer em família?

Gosto muito de subir a serra e fazer churrasco em família. Pelo menos uma vez ao mês, viajamos para Maringá, na casa dos meus sogros. É muito gostoso estar em família.
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Você realiza muitas palestras e cursos para os árbitros da Federação Paranaense. Qual a mensagem que procura passar para os jovens árbitros?

Procuro sempre passar para eles que nunca desistam de seus sonhos. Nada é impossível e se você quer chegará lá. Basta ter força de vontade.

Quais os planos para o futuro?

Tudo na minha vida aconteceu muito rápido. Tenho curso técnico em informática e uma loja de material de informática. Pretendo fazer faculdade de Tecnologia da Informação e investir na minha carreira. Mas jamais largarei o basquete. Esse esporte faz parte de mim. Como árbitro, busco realizar meu sonho olímpico. Quero a chance de representar o meu país na maior competição esportiva do mundo.