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15/03/2013 - Régis Marrelli, técnico do São José

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Ganhador do título de 'Melhor Técnico' da edição do NBB 2011/12, Régis Marrelli, de 43 anos, soma em sua carreira títulos e experiência. No Campeonato Paulista, possui dois títulos adultos (2009 e 2012) e um vice (2011). No ano passado, levou o time de São José à final da competição nacional e ficou com o vice-campeonato. Há sete anos no comando da equipe joseense, Marrelli também já integrou a comissão técnica da Seleção Brasileira nos Sul-Americanos de 2010 e 2012. Nesta entrevista, Régis falou sobre sua vida pessoal, profissional e expectativas para o futuro.
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Quem é Régis Marrelli?

Comecei como jogador de basquete atuando pelo Palmeiras (SP), Pirelli (SP) e alguns outros, mas fui um atleta mediano, então parei aos 28 anos. Fiz faculdade de Educação Física e Pedagogia. Em 1998, tive minha primeira experiência como assistente técnico, com o técnico Nilo Guimarães, em Mogi das Cruzes (SP). Depois, continuei em Mogi com os técnicos Carlos Alberto Rodrigues, o Carlão, e Edvar Simões. Em 2005, o Edvar deixou a equipe na metade do campeonato, e assumi pela primeira vez o comando de uma equipe profissional, na época era o Corinthians/Mogi. No ano seguinte, o São José me chamou para apresentar o projeto deles e aceitei o desafio. Estou há sete anos no comando do São José e a cada temporada aumentamos a visibilidade e com isso os patrocínios, o que possibilita a melhora na estrutura do clube.
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O que aprendeu em todos esses anos de basquete? E o que esse esporte te deu?

Basquete é minha vida. Trabalho na comissão técnica de clubes de basquete há 15 anos e a modalidade norteia a minha vida. Fui fazer Educação Física por causa do basquete. É um esporte que me deu os princípios que sigo que é trabalhar sempre com muito respeito e amor. A palavra que pra mim resume tudo isso, é respeito. Respeito aos jogadores, as comissões técnicas e a todos os envolvidos. De forma geral, respeito e acredito no sucesso da nossa equipe. Além disso, graças ao basquete conheci minha esposa, a Carmen, que também foi jogadora de basquete.
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O que gosta de fazer quando não está nos jogos ou treinos?

Sou um cara muito caseiro. Fico meu tempo livre com minha família. Tenho duas filhas, de 17 e 11 anos. Procuro estar sempre em atividade com elas e minha esposa. Vamos muito para a pizzaria ou faço churrasco em casa. Também gosto muito de correr ou praticar outra atividade esportiva.
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E a família dá força para o Régis técnico?

Muito. Estou casado há 19 anos com a Carmen e ela é minha grande parceira. Além de já ser famosa nas arquibancadas dos jogos de São José. Ela torce, assiste e principalmente reza muito. Todo mundo vem me avisar: “Régis, a Carmen reza o tempo inteiro”. Eu acho muito legal.

O que está achando da atual campanha do São José no NBB5?

Tivemos uma sequência de competições bem puxada. Pegamos as finais do Paulista, início do NBB e a Liga das Américas. Também tivemos somente oito jogos com a equipe completa, estou agora com três atletas afastados por contusão e o Fúlvio suspenso. A campanha não tem sido das melhores, mas estamos melhorando. Conquistamos seis vitórias seguidas, perdemos para o Paulistano, mas voltamos a vencer. Precisamos de sorte com as lesões e melhorar ainda mais na defesa, se quisermos ter chances nos playoffs.
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Qual o estilo de jogo do São José?

Pela própria característica física da equipe é uma defesa forte com um jogo de transição rápido. É um time que joga de forma consistente e veloz.

Como você analisa o grupo do São José na semifinal da Liga das Américas, que será em Cancún, no México?

Acho fortíssimo. São grandes equipes e serão jogos muito difíceis. Enfrentaremos primeiro o atual campeão, o Pioneiros de Quintana (MEX), que jogará em casa, então já leva vantagem. Depois, o Brasília (BRA), atual tricampeão nacional, e depois o Capitanes de Arecibo (PUR), uma equipe que conta com jogadores que disputaram a NBA. Mas estou muito contente com a participação de São José em uma competição internacional. É muito bom para o nosso crescimento.
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A equipe Sub-22 de São José ficou em 4º lugar na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB). O que você acha dessa nova geração?

Acho que é uma garotada com bastante disposição e interesse. Dessa equipe temos dois jogadores que se destacam muito e já atuam no adulto, que é o Ícaro e o Erick. Os outros têm demonstrado um grande potencial. Além da Sub-22, também temos uma equipe Sub-21, com ótimos futuros jogadores como o Lucas, que tem 2,10m, e o João Pedro. Gosto muito do trabalho realizado com essa garotada e que revela novos talentos.
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Paulo Cezar Martins, o Jaú, que trabalha como assistente técnico da equipe principal, é o técnico da Sub-22 e coordena as equipes de base joseenses. Como é realizado o trabalho com essas categorias?

Esse trabalho é feito em conjunto. Os treinamentos da categoria Sub-22 acontecem junto com a equipe adulta. Existem algumas diferenças, por exemplo, a garotada fica uma hora a mais que o adulto para trabalhar outros aspectos e o trabalho de academia é individualizado. Mas é muito importante que eles façam parte deste treinamento conjunto, para terem relação e convivência com os da categoria profissional. Eles precisam ir se acostumando.
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No NBB4, edição 2011/12, você rebebeu o prêmio de 'Melhor Técnico do Ano'. O que significou receber esse título das mãos do campeão Ary Vidal?

Além de ter sido uma honra em ser o único que recebeu esse premio das mãos deste gigante do basquete brasileiro, Ary Vidal, ser eleito pelos técnicos, jogadores, imprensa, é motivo de grande orgulho. Esse trabalho é feito em conjunto com minha comissão e fico muito orgulhoso de ter recebido esse título.
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Tem algum técnico que você tenha se inspirado no início da carreira?

Eu tive a oportunidade de trabalhar com grandes técnicos, com os quais aprendi muito. Mas tenho meu modo de pensar, minha personalidade e jeito. Mas ter trabalhado com o Nilo, Carlão e Edvar me trouxe muita coisa e aprendi muito. Mas peguei as características deles e adaptei para meu estilo.

Em 2010 e 2012, você participou da comissão técnica da Seleção Brasileira sul-americana. Conte como foram essas experiências.

Fiquei muito contente por ser chamado para servir à Seleção Brasileira. Toda essa experiência internacional, convivendo com outras culturas, outras formas de jogar e os diferentes estilos traz um ganho muito grande, tanto profissional quanto pessoal. Nesse trabalho tive a oportunidade de trabalhar com grandes técnicos como o João Marcelo Leite, Ênio Vecchi, César Guidetti e Gustavo De Conti. A possibilidade de troca de informação e aprendizado com a convivência foi muito legal.
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Como assistente dessas equipes, você teve a oportunidade de ver mais de perto o trabalho do técnico Rubén Magnano. Como foi para você essa experiência?

Ele é um técnico diferenciado e sabe a hora de 'apertar e assoprar'. Sabe lidar com o ser humano e me ensinou também que um jogador nunca pode ficar sem resposta. Então, precisamos estar sempre estudando e se aprimorando. Ele não é um campeão olímpico à toa. A contratação dele foi um grande ganho para o Brasil e um importante acerto da CBB. Acho ótima essa oportunidade que a Confederação também dá dos técnicos de poderem conviver e acompanhar os treinos dele. A presença do Magnano deixará grandes frutos para o Brasil. Como é o caso do assistente dele na seleção, o José Neto, que teve a oportunidade de estar com ele desde o início do trabalho e hoje comanda o time do Flamengo (RJ), que está em primeiro lugar no NBB.
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Deixe uma mensagem para os jovens que sonham em se tornar técnicos.

Eles têm que acreditar na palavra respeito. Respeito de todos os lados, aos jogadores e comissões técnicas. Além disso, é preciso trabalhar muito e respeitar esse trabalho. Como tudo na vida, gostando do que se faz é que teremos momentos bons e ruins no caminho, mas não podemos desistir. E é nos momentos ruins que sabemos quem está do nosso lado.