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31/01/2013 - Vitor Faverani

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O pivô brasileiro Vitor Luiz Faverani Tatsch, ou simplesmente Vitor Faverani, vive o melhor momento de sua carreira. Dos rachas de Paulínia, cidade do interior de São Paulo, onde foi morar na infância, até a rápida passagem pela Uniara/Araraquara (SP) e a transferência para a Espanha com menos de 17 anos. Tudo foi muito rápido para esse gaúcho de Porto Alegre que se tornou um dos mais respeitados pivôs da Europa e ainda pretende jogar na Seleção Brasileira Adulta e na NBA. Com passagem pela equipe nacional de base e realizado profissionalmente, mas não acomodado como gosta de ressaltar, Faverani está cumprindo o primeiro de três anos de renovação de contrato com o clube espanhol, Valencia Basket. Aos 24 anos (completa 25 no dia 5 de maio), 2,12m, o pivô tem médias de 19 minutos por partida, 8,8 pontos e 6,0 rebotes na atual temporada da Liga ACB. Nessa entrevista Faverani conta um pouco das dificuldades na infância, a adolescência em Paulínia onde chegou a usar tênis 44 (seu número era 46), os planos na carreira e a eterna gratidão pela mãe Leide Nanci, uma verdadeira heroína.

O que você lembra da sua infância?

Lembro pouca coisa porque sai de Porto Alegre muito pequeno. Lembro que gostava de jogar bola na rua, mesmo sendo muito alto. Mas nem imaginava um dia ser jogador de basquete, apesar de ser bem mais alto em relação aos meninos da minha idade.
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Conta um pouco sobre o início no basquete?

Tudo começou em Paulínia. Minha mãe, eu e meus quatro irmãos fomos morar nessa cidade de São Paulo. E o esporte era a única atividade que tínhamos para fazer porque minha mãe trabalhava até tarde da noite. Depois da escola, ia com meus irmãos fazer atividade esportiva no Centro Esportivo do bairro de São José. Joguei futsal, handebol, vôlei, natação até alguém perceber que tinha o perfil para jogar basquete.

Quem foi o primeiro professor que te deu uma bola, ensinou a fazer uma bandeja, um arremesso...?

A prefeitura de Paulínia tem uma ótima estrutura para iniciação esportiva. Além das instalações, também tem bons professores. Foi assim que conheci o Chinês e o Jullyis que me viram na quadra e me chamaram para treinar. Foram eles que me ensinaram os primeiros passos do basquete. Tenho uma gratidão eterna a eles porque antes tentava jogar um pouco de cada esporte e os dois me motivaram a ser jogador. Mas tem mais gente que me ajudou nos momentos difíceis da vida até chegar aqui.
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Como foi o processo até você se tornar jogador profissional?

Por ser alto e o único com mais de dois metros na cidade [com 14 anos tinha 1m98], fui convocado para jogar os Jogos Abertos por Paulínia. E na minha equipe tinha o Gabriel, que conhecia o técnico João Marcelo Leite, na época do juvenil da Uniara, de Araraquara. O Gabriel disse para o João que na equipe havia um menino de dois metros com boa coordenação, mas que não tinha bons fundamentos. O João Marcelo foi ver meu jogo e logo depois me convidou para ir para Araraquara. Foi a chance que eu precisava. A ajuda de custo que recebia [200,00] mandava para ajudar minha mãe nas despesas da casa em Paulínia.

Em Araraquara você ficou menos de um ano. Como foi essa transferência para a Espanha?

Aprendi muita coisa em Araraquara, especialmente os ensinamentos do Tom Zé [já falecido], que era o técnico do adulto, e do João Marcelo, técnico do juvenil. Eles me transformaram em jogador. O João Marcelo me apresentou ao empresário espanhol Luís Martins, que acertou para eu fazer testes em Málaga, na Espanha. Passei no teste e fui inscrito para jogar o Campeonato Júnior pela Unicaja/Málaga, em 2004/05.
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Como você analisa esse ótimo momento que atravessa no Valencia?

Sempre procuro fazer o meu melhor. Treino duro todos os dias para sempre estar pronto para ajudar minha equipe. E quando você tem o apoio dos companheiros e a confiança do seu técnico [Velimir Perasovic], tudo funciona. É quase impossível não se sair bem. E é isso que está acontecendo comigo agora no Valencia.
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Infelizmente uma lesão atrapalhou seu excelente início nesta temporada na Liga ACB. Como foi isso?

Quem é atleta está sujeito a isso. Fiz uma ressonância e tive que ficar oito semanas fora da equipe, devido a uma lesão no joelho. Tive que ficar vendo meus companheiros jogando, mas nunca me descuidei. Fazia bicicleta e muita academia para não ficar distante dos demais companheiros. Agora estou voltando aos poucos à minha melhor forma e espero estar bem na Copa do Rei [começa dia 7 de fevereiro] e no restante da temporada da ACB e da Copa da Europa.

E a Seleção Brasileira está nos seus planos?

Sempre é gratificante saber que você pode jogar pela Seleção Brasileira. No ano passado eu tinha que fazer um tratamento muito delicado para curar um problema no calcanhar do pé direito. Conversei com o pessoal do Valencia e ficou decidido que tinha que fazer o tratamento nas férias porque a lesão já estava sobrecarregando o joelho. Fiz uma opção de fazer o tratamento nas férias e hoje estou totalmente curado. Se for interessante para a comissão técnica do Brasil me chamar, vou aceitar porque estou pronto para defender o Brasil. Tenho uma enorme admiração pelo técnico Rubén Magnano e com certeza ele virá à Espanha para conversar com os jogadores que pretende convocar

NBA ainda é uma meta ou um sonho para você?

Sonho não é. Tenho três anos de contrato com o Valencia onde estou muito bem. Quero fazer o melhor aqui, ajudar a equipe a ganhar títulos, com grandes campanhas. Depois disso, se aparecer a NBA, não custa conversar, mas tem que ser naturalmente, sem forçar nada
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Não ter sido escolhido por nenhum time no Draft de 2009 foi frustrante?

Em 2009, passava uma fase ruim da minha vida de jogador. Hoje, as coisas mudaram. Estou bem no Valencia que é um dos grandes clubes do basquete da Europa. E é aqui que quero ficar

Você diz que sua mãe é a sua heroína. Como você a define?

Não existem palavras para definir minha mãe. Ela foi e é tudo para mim. A luta dela para cuidar sozinha dos cinco filhos não foi nada fácil. Trabalhava até 16 horas para a manutenção dos cinco filhos e sempre nos manteve na linha. Hoje, ofereço tudo que posso para ela. Brevemente ela vai de passar uns dias comigo em Valencia comigo. Serão os melhores dias da minha vida. Minha mãe foi meu pai, minha irmã, minha amiga. Foi tudo. É minha eterna heroína.