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18/01/2013 - Árbitra Maria Claudia

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A paulista Maria Claudia Comodaro, de 29 anos, foi aprovada à árbitra internacional pela FIBA Américas, na Clínica realizada no mês de novembro, em São Paulo. Maria Cláudia, que já foi jogadora, professora e técnica, se encontrou na arbitragem e realizou um sonho da maioria dos árbitros brasileiros. Natural de Franca (SP), Maria Claudia já morou no Rio de Janeiro e hoje vive em Uberlândia (MG). Nessa entrevista, ela falou sobre sua dedicação e perseverança na modalidade e prometeu ir muito mais longe.
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Como foi a sua aprovação na Clinica Internacional?

A primeira vez que fiz o teste foi em 2011, na Colômbia, e fui reprovada. Desde ali eu fiquei ansiosa pela próxima oportunidade e comecei a me preparar bastante. Intensifiquei os estudos de inglês, nos vídeos e nas regras de aplicação. Durante um ano passei a dividir meus dias somente com trabalho e estudo. Com isso, alcancei esse resultado tão esperado e positivo.
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Como você espera que seja essa estreia agora em 2013?

Em questão da arbitragem estou bem confiante. É claro que sei o quanto me preparei, mas a ansiedade de saber qual será o primeiro jogo atrapalha um pouco. Posso garantir que estou pronta para trabalhar em qualquer país e conhecer novas pessoas

O que representa esse novo passo na sua carreira?

A partir do momento que comecei a apitar, isso se tornou um sonho. Na minha vida as coisas aconteceram rápido. Mas sempre caminhei usando um pé de cada vez. No Campeonato Nacional, tive a oportunidade de adquirir muita experiência e acredito que isso tenha me ajudado bastante.
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Como foi a sua carreira de jogadora até se tornar árbitro?

Eu tinha oito anos quando comecei a jogar na minha cidade. Lá em Franca (SP), as pessoas começam cedo, ao invés de jogar futebol a gente joga basquete. Com o tempo fui praticando e descobrindo que não queria ser armadora, mas não tive muita opção devido a estatura (1,69m). Com 13 anos, já estava totalmente envolvida no esporte e fui participando de alguns campeonatos e avançando nas categorias. Quando fui para o juvenil, embarquei para o Rio de Janeiro e joguei em Campos. A transição de jogadora para árbitra não teve um motivo especial. Essa mudança aconteceu quando deixei as quadras para estudar. Como a paixão pelo basquete é imensa, resolvi tentar na arbitragem. E deu certo.

O que mais te motiva na arbitragem?

Acho que a adrenalina de estar ali dentro da quadra dá muito entusiasmo. Dali a gente participa e faz parte daquele elenco. Com certeza, é maravilhoso.
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Qual foi a maior dificuldade que teve no esporte?

Minha família sempre me ajudou em tudo, por isso tive poucas dificuldades. Mas a maior foi me encontrar dentro do basquete. Dei aula, fui técnica, mas demorei um pouco a achar o curso de arbitragem. Até decidir foi muito difícil, mas quando decidi sabia que tinha tomado a decisão certa.
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Existe algum árbitro em quem você se espelhou?

Muitos eu não vi apitar, mas conheço o trabalho. Eu me espelho bastante na Karla Diniz, Geraldo Fontana, Fátima Aparecida, Cristiano Maranho e Flavia Almeida.

Qual é o trio de arbitragem perfeito?

Cristiano Maranho, Marcos Benito e Guilherme Locatelli.

Como se define como árbitra?

Bastante centrada. Eu sempre corro atrás dos meus objetivos e isso ajuda muito. O foco também é uma das minhas maiores qualidades.

Existe alguma regra de basquete que você acha complicada ou tem alguma dificuldade de aplicar?

Impossível um árbitro que nunca errou. Mas não existe uma regra em especial que eu tenha dificuldade.
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Teve alguma partida difícil de ser apitada?

Difícil não, mas já passei por algumas engraçadas. Em jogos que ocorrem brigas, eu não consigo separar devido ao meu tamanho. Isso gera uma brincadeira engraçada entre os profissionais. Mas sempre dou um jeitinho de apartar.

Já enfrentou algum tipo de preconceito por ser do sexo feminino?

Quando comecei a apitar tive algumas dificuldades. Mas acredito que não era devido ao sexo feminino, e sim porque era uma cara nova dentro da modalidade.

Qual a diferença de apitar jogos masculinos e femininos?

O jogo masculino é mais dinâmico e mais rápido. Os contatos físicos são mais fortes, mas não tenho uma preferência
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Além do basquete, é apaixonada por algum outro esporte?

Para falar a verdade não. Gosto de esportes em geral, mas não pratico nenhum. Muito raramente arrisco uma partida de vôlei ou futebol

Como você analisa a arbitragem brasileira?

A nossa arbitragem é uma das melhores do mundo e temos bons nomes como referência. Estamos sempre bem representados nas principais competições internacionais e isso é decorrente da qualidade das pessoas que fazem parte desse núcleo. Além disso, temos uma boa orientação que é fundamental para o nosso desenvolvimento.