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07/01/2013 - Guilherme Deodato

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Após ser convocado para a Seleção Brasileira Sul-Americana e receber dois prêmios de destaque no Novo Basquete Brasil (NBB), o ala Guilherme Deodato, de 1,90m e que veste a camisa do Bauru (SP), volta a ser destaque na segunda edição da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB). Aos 21 anos, Gui comemora o bom momento de sua carreira e fala sobre a expectativa para as próximas convocações das Seleções Brasileiras.
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Como que o basquete entrou na sua vida?

Conheci o basquete quando tinha sete anos de idade. O chefe da minha mãe era presidente do clube Tilibra/Bauru, que nos convidava para todos os jogos. Aos oito anos, entrei para a escolinha de basquete da Associação Luso Brasileira de Bauru e já participava de festivais. Como eu acompanhava e prestava bastante atenção nos jogadores, tinha mais noção dos fundamentos do que meus colegas. Algumas vezes pensei em parar, mas, aos 16 anos, fiz testes e passei. A partir daí só treinava com o time adulto de Bauru.

Então, sua família te incentivava a praticar basquete?

Antes do basquete, eu praticava futebol. Mas como minha mãe era fã de basquete e sempre me levava para assistir aos jogos, também peguei gosto pela modalidade. Além disso, sempre achei que era melhor no basquete do que no futebol, então não tive dúvida. Tudo casou perfeitamente e minha mãe que tinha o maior orgulho, sempre me incentivou muito.
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Como é trabalhar com o técnico e ex-jogador Jorge Guerra 'Guerrinha'?

O Guerrinha é um ícone do esporte brasileiro. Como técnico, cobra o máximo de cada atleta e sempre teve muita paciência comigo. Nosso relacionamento é muito bom e devo tudo que aprendi a ele. O nível técnico dele é incontestável.
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Na última edição do NBB, você foi um dos destaques e recebeu os prêmios de 'Revelação' e 'Jogador que Mais Evoluiu'. O que significou receber esses títulos?

Nossa, foi tudo que sempre quis desde que tenho 16 anos. Esse prêmio veio agora, mas o trabalho e esforço começaram há muito tempo. Devo agradecer novamente ao Guerrinha, que me ensinou muito. Espero que venham mais prêmios como esse. Mas sei que para isso tenho que continuar evoluindo e me aperfeiçoando cada vez mais se quiser merecer esses títulos.

Ano passado, você também foi campeão no Torneio de Enterradas do Jogo das Estrelas. Vai defender o título nesta temporada? Foi treino ou sorte?

O Larry (Taylor) me ajudou bastante na conquista desse título. Concorri com caras muito bons e inclusive com o Jordan Burguer [atual jogador do Palmeiras], que havia sido o campeão da última edição, e posso dizer que tive sim um pouco de sorte. Para esse ano, vou me preparar bastante fisicamente e, claro, criar algo bem criativo para vencer novamente.
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Como é o seu relacionamento com os jogadores do time? Tem algum que você considere seu grande companheiro?

Sou bastante amigo de todos, e como sou único que é natural de Bauru sou muito procurado. Tenho um respeito grande pelo Larry, com quem já trabalho há quase quatro anos. Ele me ajuda muito dentro e fora das quadras. Também tem o Luquinhas, que é o meu parceiro da LDB. Mas no geral é um grupo muito unido.

O que está achando do nível dos jogos da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB)?

O nível cresceu bastante e tivemos algumas surpresas com a entrada da equipe de Franca, por exemplo. Terminamos em primeiro no nosso grupo, mas acho que a segunda fase será bem mais difícil do que a primeira, já que enfrentaremos equipes fortes como Flamengo e Brasília. Na minha opinião, esse ano superou o último.
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Sonha com o título da LDB?

Sonho muito. Farei tudo que estiver ao meu alcance para ajudar o meu time a conquistar esse título. Acho que hoje o Bauru tem tudo que precisa, inclusive, bons jogadores que atuam na equipe adulta como o Luquinhas, o Fisher, o Fernandão e eu [risos]. Estamos treinando muito para chegar na final e vencer.

Como faz a sua preparação física para as competições?

Não faço nada especial. Só corro bastante e trabalho a concentração e foco. Procuro mentalizar meus objetivos e estar preparado para tudo.

Você tem algum ritual antes de entrar em quadra?

Meu único ritual é aquela conversa de boa sorte com os pais e a namorada. Mas procuro fazer uma oração para dar tudo certo. De resto para mim é apenas concentração e cabeça boa. Na hora do jogo intenso ou de um lance livre importante, procuro lembrar dos treinos e dos movimentos certos para acertar as cestas.
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O que gosta de fazer nas horas livres?

Faço faculdade de Educação Física, então nas horas livres preciso estudar, mas também aproveito para descansar e relaxar. Gosto bastante de cozinhar para minha namorada. Aprendi umas receitas com o Anderson Ferreira, o Mosso, que é o cozinheiro da equipe. As receitas dele fazem sucesso. Ultimamente tenho feito um salmão maravilhoso que todos elogiam.

Que tipo de música você mais gosta de ouvir ou dançar?

Sou bastante eclético, mas tenho preferência pelo pagode e samba. Minha namorada ama música sertaneja, então dependendo do calendário de jogos saímos para dançar um sertanejo. Não sou o melhor dançarino, mas não chego a pisar no pé [risos].

Como foi para você defender a Seleção Brasileira?

Do dia da convocação ao último dia com a equipe todos os minutos foram ótimos e inesquecíveis. Conhecer, jogar e aprender com os jogadores de ponta foi muito especial. Foi a primeira vez que vesti uma camisa que não fosse a do Bauru. Não esperava que o dia que isso acontecesse fosse a do Brasil. Depois do Sul-Americano e da conquista da vaga na Copa América, fiquei bem mais patriota. Esse foi um presente da seleção para mim, o meu amor pelo esporte é muito grande.
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Como foi o convívio com os treinadores Gustavo De Conti e Ruben Magnano?

Foi ótimo, maravilhoso e aprendi muito com os dois. O Magnano é fantástico e me ensinou bastante. A vinda dele foi ótima para o basquete brasileiro. Gostei muito do estilo dele, de como é detalhista e trabalha a parte defensiva da equipe. Mas o nível de cobranças não foi surpresa, pois sou acostumado ao altíssimo nível do Guerrinha.

Como você se define como jogador de basquete?

Eu ainda estou na fase de aprendizado e em formação. Treino todos os dias buscando o algo a mais para fazer diferença no Bauru, para a seleção ou para quem me oferecer trabalho. Não sei o que faria da minha vida profissional se não fosse jogador de basquete. Estou estudando e o futuro é incerto, mas gostaria de permanecer para sempre no basquete.
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Quais as características que você considera mais importante de um ala?

Acho que a versatilidade é o que todos os jogadores buscam. Para mim ser versátil é fazer de tudo e ser bom em tudo. Ser bom nos fundamentos e a consistência de ser eficaz, sempre mantendo a média.

Quais são seus principais objetivos agora? Sonha estar nas Olimpíadas de 2016?

Esse é o sonho de todo jogador. Seria extremamente prazeroso estar nos Jogos do Rio. Mas preciso pensar primeiro em fazer um bom NBB. Se conseguir fazer isso bem feito sei que minhas chances de seleção aumentam. Quero primeiro o título do NBB e depois que venha 2016. Da minha parte, estou trabalhando para chegar lá.
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Todo jogador brasileiro quer jogar na NBA ou Europa, as duas maiores ligas do mundo. E você?

Eu penso em tudo isso. Se acontecer, será maravilhoso, mas o processo para chegar lá é o mesmo da seleção. Tenho que aparecer aqui para ser conhecido lá, então sonho mais com meu dia a dia. Gostaria muito de dar uma boa condição para minha família. Espero por esse dia e estou preparado para o dia que acontecer.

Quem é seu grande ídolo?

Meus maiores ídolos não jogam basquete. Tenho muito orgulho do meu pai que tem uma história fantástica e que conseguiu construir essa família maravilhosa, mesmo com toda luta que teve. Minha mãe também que sempre nos deu de tudo e nunca faltou nada. Poderia citar minhas tias, que foram fundamentais na minha formação. Meus ídolos são todos os meus familiares.