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20/12/2012 - Marcelo Huertas

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Marcelinho Huertas está de bem com a vida. Em ótima fase vestindo a camisa do Barcelona Regal, da Espanha, o armador da Seleção Brasileira vem sendo chamado de o "Messi do basquete", graças a seu excelente desempenho em cestas no fim das partidas. Huertas também foi escolhido, pelo segundo ano consecutivo, o melhor jogador do basquete brasileiro em 2012 pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Nessa entrevista, o armador falou sobre os brazucas que jogam na NBA e projetou a temporada da liga americana, o basquete europeu e a experiência olímpica em Londres.
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O que significa ser escolhido o melhor atleta do basquete brasileiro duas vezes seguidas?

Estou muito contente com a premiação, que é resultado do trabalho que desempenhei ao longo da temporada na seleção brasileira e no Barcelona. Esse prêmio também pertence aos meus companheiros de seleção, que colaboraram com meu desempenho nos Jogos Olímpicos de Londres.

Sua ótima fase no Barcelona vem sendo bastante elogiada. Como você vê seu desempenho?

Estou fazendo uma boa temporada. A confiança do técnico e dos meus companheiros de equipe no meu trabalho está fazendo a diferença. Estou feliz com o meu desempenho e vou continuar trabalhando para manter o padrão de jogo e melhorar cada vez mais.
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Você chegou a atuar no basquete colegial nos Estados Unidos, mais especificamente no Texas. Destacaria alguma diferença do jogo europeu para o americano?

O basquete americano é muito mais físico, dependente do talento, da capacidade de um contra um, da sua capacidade física, explosiva. Aqui, na Europa, é muito mais valorizado o entendimento do jogo, os conceitos, a própria tática, a técnica individual, que são coisas muito trabalhadas e não tão voltadas ao que é o físico e o jogo individualista que a gente acaba vendo muitas vezes nos jogadores da NBA.
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Sonha em jogar na NBA?

Estou feliz aqui, não quero pensar nisso agora. Então, para mim, talvez no futuro. Quem sabe? Ainda não recebi uma proposta, mas há especulações e todo mundo fala isso.

Como você está vendo essa massiva entrada de brasileiros na NBA?

Para o nosso basquete é importantíssimo que jogadores triunfem fora do nosso país, jogando em ligas tão importantes como a NBA. Hoje em dia, temos jogadores bem estabilizados lá, como é o caso do (Tiago) Splitter, do (Anderson) Varejão, do Nenê, e do Leandrinho, que estão na NBA há muito tempo. Agora esses jogadores novos, como o Fab Melo e o Scott Machado, conquistaram esse espacinho aí e estão começando a carreira como jogadores profissionais. Isso é um privilégio e temos que tirar o maior proveito.

Você tem amizade mais próxima com os brasileiros que atuam com você na Seleção Brasileira e estão na NBA?

Mantenho muito contato, principalmente com o Varejão e com o Splitter. Com o Leandrinho também tenho. Enfim, os jogadores que eu acabo vendo na Seleção são aqueles com quem mantenho contato, porque temos um relacionamento muito bom.
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Há quanto tempo mora na Espanha e como foi sua adaptação ao país?

Eu vivo na Espanha há oito anos. Me adaptei muito rápido e fiz muitos amigos. A cidade é muito boa de morar. A comida é gostosa e tem um bom clima. Tudo isso facilita bastante.
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Do que você sente mais falta do Brasil?

Não tem nenhuma brecha na temporada para ir visitar a família e os amigos. A gente fica muito tempo longe e às vezes dá muita saudade de todos. No resto você dá um jeitinho. Tem um restaurante brasileiro aqui na cidade, sempre vou lá comer um feijão.
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O que significou o quinto lugar da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres e como foi trabalhar com o Rubén Magnano?

A experiência em Londres foi única para todos nós, muito positiva. Mesmo sendo a primeira vez que participamos das Olimpíadas, a forma como jogamos e nos apresentamos para o mundo, jogando de igual para igual com todos os países, foi uma coisa muito positiva e que rendeu não só comentários bons, mas muitos frutos. Ano passado, conseguimos a vaga olímpica tão desejada. Esse ano, voltamos a mostrar para todo mundo que podemos jogar de igual para igual contra qualquer equipe. Então a experiência foi muito positiva. Com relação ao Rubén, ele tem um peso muito grande nisso, por ser o técnico que ele é, a maneira como sabe levar o time, pela sua experiência. Enfim, pela sua vivência, a carreira que tem, os títulos. Foram uma série de fatores que levaram o nosso basquete para o topo outra vez.
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O que achou da atuação do Brasil em Londres?

Nós queríamos mais. Infelizmente, perdemos um jogo crucial para a Rússia. Tivemos uma equipe em Londres que poderia ter lutado por uma medalha. Espero que possamos continuar a crescer como time e se preparar para o nosso próximo grande torneio, que é a Copa América, em setembro de 2013.