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12/10/2012 - Árbitro Francisco Ferreira

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Desempregado pelo Plano Collor em 1990, quando trabalhava como professor de Educação Física em Recife, o pernambucano Francisco Ferreira Lima Filho, de 52 anos, percebeu que para vencer na vida tinha que ousar. Por isso, pegou uma carona no caminhão de um primo e seguiu para São Paulo. Com muita dedicação e seriedade, ultrapassou várias etapas até ser árbitro internacional de basquete, diretor de árbitros da Federação Paulista de Atletismo e presidente da Associação de Árbitros de Atletismo. Chico, como é carinhosamente chamado, até ganhou o apelido de Comendador de Caruaru, cidade a 130 quilômetros da capital Recife, onde nasceu. Nesta entrevista Chico Ferreira conta que não pensa em parar de apitar tão cedo. E só irá abandonar o apito apenas no dia em que não tiver mais prazer de estar em quadra.
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Como surgiu o basquete na sua vida?

Eu joguei basquete em escolas de Caruaru (PE) e quando cursava Educação Física em Campina Grande (PB). Quando ainda estava no colegial, gostava de apitar os campeonatos.

Quem foi o árbitro em que você se espelhou?

Foi o Marlúcio Ferreira, antigo árbitro pernambucano, surdo. Ele era fantástico. Era meu ídolo por tudo que fazia na quadra. Aquilo me motivou a ser árbitro de basquete.
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E como se tornou árbitro nacional?

Bem, eu já gostava de apitar e recebi um convite do presidente da Federação Pernambucana, José Joaquim, para fazer um curso que seria ministrado pelo Nilton Agra, antigo árbitro FIBA, que é pernambucano e vive em Recife. Passei e comecei a apitar jogos mais importantes e também trabalhava como professor e representante comercial.

Porque você largou tudo e foi para São Paulo?

É uma longa história. Com o Plano Collor, perdi os empregos de professor e vendedor. Tinha que tomar uma decisão por conta das despesas com a família. Decidi que iria para São Paulo porque meu primo tinha uma carreta e fazia viagem para São Paulo. Peguei meu Matulão (bolsa usada no Exército), coloquei pouca roupa e viajei com uma carta do presidente da Federação Pernambucana, José Joaquim. Foram três dias de estrada. Chegando a São Paulo, me apresentei ao presidente da Federação Paulista, Paulo Cheidde, e tudo começou a mudar.

Você foi bem acolhido em São Paulo como árbitro?

Graças a Deus, deu tudo certo. Não tenho do que reclamar. Como árbitro de basquete, apitei todas finais que você possa imaginar. Cheguei a árbitro internacional, apitei Sul-Americano e Pan-Americano. Atualmente não estou no quadro da FIBA, mas quero continuar apitando até quando não sentir mais prazer.
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Durante esse tempo de arbitragem com quem você mais gostava de apitar?

Era com o Piovesan (José Augusto). Ele sabia de tudo que acontecia no ginásio até onde estava o pipoqueiro. Éramos a dupla perfeita, um completava o outro em qualquer situação. Sabíamos o que era para o outro fazer na troca de olhares. Hoje, não. Tem muito jovem achando que sabe tudo.

Então o Piovesan foi o melhor árbitro que você viu apitar?

Por um bom tempo, sim. Hoje o Renatinho (Carlos Renato dos Santos) é disparado o melhor árbitro do Brasil e domina o jogo com muita facilidade. Também gosto muito de apitar com ele.
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Como você se define como árbitro de basquete?

Um árbitro tranquilo, sem fazer exageros e que marca aquilo que acha que deve ser, não por pressão. Sou do tipo que quanto mais ofensas, fico mais motivado para correr e marcar o que manda a regra.

Fala um pouco sobre essa história de Comendador de Caruaru.

Ela foi inventada pelo Cledi Oliveira (narrador da ESPN Brasil). Teve um torneio em Caruaru com meu nome. Então o Cledi passou a me chamar de Comendador. Na verdade nem ligo. Quando vou fazer minha pré-temporada na cidade, o pessoal de lá só me chama de Comendador.

E além do basquete também tem o atletismo na sua vida.

Tudo começou com a ideia de correr a São Silvestre. Nessa prova eu conheci minha atual esposa, a Lucimara, que era atleta, e o Vanderley de Oliveira. Passei a correr e treinar com o Vanderley, participar de provas e acabei conhecendo o Toninho Fernandes, na época presidente da Federação Paulista e atual presidente da Confederação Brasileira de Atletismo. Ele me convidou para organizar a arbitragem e estou até hoje lá.
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O árbitro Francisco Ferreira está preparado para o teste físico do NBB?

Estou ótimo. Não dou mole para nenhum novato na arbitragem. Pode ter um árbitro que corra igual, mas não mais rápido do que eu. Pode pegar o resultado que vai estar escrito: Chico Ferreira tem o melhor preparo físico (risos).

E como é sua rotina de árbitro e dirigente do atletismo?

Muito cansativo nos dias de jogos, porque acordo às 5h, vou correr, depois faço academia e às 9 horas estou na Federação de Atletismo. Quando tem jogo pelo Campeonato Paulista ou NBB, dependendo da cidade, é preciso largar tudo por volta do meio dia para pegar a estrada. Mas vale a pena porque gosto muito do que faço.