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18/09/2012 - José Alves Neto

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O treinador José Alves Neto, de 41 anos, há oito anos faz parte das comissões técnicas das Seleções Brasileiras Masculinas, de base e adulta, e conta com a experiência de trabalhar como assistente dos técnicos Rubén Magnano, Moncho Monsalve e Lula Ferreira. Natural de Itapetininga, região sudoeste do estado de São Paulo, começou a carreira no basquete no Clube Athlético Paulistano, em 1992. Trabalhou nas escolhinhas, treinou as categorias de base até assumir o comando do time principal. Na última temporada, dirigiu o Joinville (SC), levando a equipe às quartas de final do NBB. Em junho, assumiu o desafio de comandar o Flamengo. Com um elenco forte formado por destaques nacionais, entre eles Marquinhos, Marcelinho, Olivinha, Vitor Benite, Duda, Shilton, Caio Torres, Gegê e pelo ganês Kojo, quer brigar de igual para igual pelo título do 5º NBB 2012/2013, maior liga de basquete do país.
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Fale um pouco de sua carreira no basquete.

Eu passei por todas as categorias, uma experiência importante para o início da minha carreira. Em 1992, fui professor da escolinha de basquete do Paulistano. A partir daí, fui absorvendo experiências e passando sempre por novas etapas. Até que cheguei na categoria adulto (2000), na qual permaneci até 2007. Enfrentei algumas dificuldades no início, pois viajava muito e era difícil o trajeto da volta para casa. Mas toda essa caminhada serviu de aprendizado. Evoluí muito como profissional e essa fase de dificuldades serviu para me motivar. A família foi minha maior motivação, sempre tive muito apoio da minha esposa e de meus filhos. Assim, as dificuldades foram sendo superadas.

Quais os momentos que você considera mais importantes de sua carreira?

O momento de minha formação. Durante esse período eu absorvi muito conteúdo. Não só do basquete, mas de todas as áreas. Todo o aprendizado ajudou a formar o profissional que sou hoje. Posso afirmar que me considero um profissional que alcançou seus objetivos.
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E a experiência de trabalhar com o argentino Rubén Magnano?

Todos sabem que o Rubén é um dos melhores treinadores do mundo. Ao lado dele pude vivenciar os seus pontos positivos como técnico. Os conhecimentos que a gente absorve com ele são inenarráveis. No dia a dia, aprendemos muito com esse mestre. São situações profissionais e pessoais, todas de muito valor.

O que é preciso para evoluir ainda mais o basquete no Brasil?

O Brasil possui jogadores talentosos e é preciso focar nesses caras. Temos que aumentar o número de praticantes e divulgar mais a modalidade no país. Possuímos atletas com bons perfis, temos que aprimorar o trabalho deles com a ajuda dos treinadores.
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Você está há oito anos, desde 2004, trabalhando com seleções brasileiras. E apesar de alguns anos como assistente da adulta, nunca abandonou a base. Como é trabalhar com os jovens talentos?

Quando trabalho com a base, sempre procuro buscar e preparar esses jogadores para permanecerem na seleção. Precisamos moldar os atletas. Com os jovens, temos que ter um pouco mais de pedagogia, porque eles estão passando por uma evolução. Aprender com qualidade é fundamental. Eles precisam ter conhecimento do jogo.
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E a seleção adulta?

No adulto, já trabalhamos mais com a cobrança de resultados. A execução é o mais importante. Temos detalhes de movimento e de fundamentos táticos. Mas eles possuem esse conhecimento, então é mais fácil focar na cobrança. A busca da excelência é essencial.
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O que representa assumir o comando do Flamengo?

É uma grande oportunidade, que posso até considerar um prêmio. Tenho certeza de que o que está acontecendo agora é resultado de anos de trabalho. Estou no comando de um grande clube, com grandes jogadores. É o momento de mostrar raça e buscar a melhor condição de trabalhar. E fazer com que esses bons jogadores formem um grandioso grupo. É um desafio.

Qual a principal característica do novo time do Flamengo?

A proposta é formar com esses atletas um excelente time. A coletividade é fundamental para uma equipe, queremos montar um grupo completo. O Flamengo passou por uma fase de transição, mas nosso objetivo é trabalhar para que seja um time cada vez mais forte.

E como está a preparação para o Campeonato Carioca e o 5º NBB?

É uma corrida contra o tempo. É o momento de passar os conceitos do jogo. Mostrar as qualidades físicas e desenvolvê-las. Considero como uma fase dura, porque estão recebendo muitas informações. Precisam digerir com calma. Depois disso, é saber colocar em prática nos jogos. O Flamengo vai sempre buscar o melhor. Aprimorar o grupo é fundamental.
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O que você acha do nível técnico do NBB para esta temporada?

Eu acho que o NBB a cada ano vem aumentando o nível das equipes. Elas estão investindo bastante e os patrocinadores estão investindo na modalidade. Com isso, a gente vê que as equipes estão melhorando e se firmando no Campeonato. A qualidade sempre está sendo superada. É difícil indicar um favorito, pois temos muitos times candidatos ao título. Vai ser uma competição muito equilibrada.