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27/08/2012 - Israel Andrade, veterano

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O baiano Israel Machado Campello Andrade foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso da geração de Oscar e Marcel. Com ele na equipe, a Seleção Brasileira começou a sonhar com bons resultados, inclusive, culminando com a conquista da medalha de ouro no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis (EUA). Com 2,05m, Israel começou a se destacar ainda nas seleções juvenis, que foi vice-campeã mundial em 1979. E quando chegou na idade para defender a seleção adulta, fez duplas sensacionais com os pivôs Marquinhos Abdalla, Gérson e Pipoka. Em seu currículo, soma as medalhas de prata e ouro nos Pan-Americanos de 1983 e 1987, respectivamente. Esteve também nas esquipes nacionais que conquistaram o quarto lugar no Mundial de 1986, na Espanha, e o quinto no Mundial de 1990, na Argentina, além de dois quintos lugares nas Olimpíadas de 1988, em Seul, e 1992, na Espanha. Israel esteve ainda nos títulos Sul-Americanos de 1983, em São José dos Campos, e 1985, em Medellín. Na entrevista, exclusiva, ao site da CBB, o campeão falou de suas conquistas, memórias e da expectativa sobre a atual Seleção Brasileira.

A CBB fez uma festa para homenagear os 25 anos da conquista do Pan-Americano de 1987. Como foi reencontrar os amigos e receber esta homenagem?

A CBB fez uma festa para homenagear os 25 anos da conquista do Pan-Americano de 1987. Como foi reencontrar os amigos e receber esta homenagem?
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Além do Pan de 87, que outros resultados você guarda na memória?

Acho que o quarto lugar no Mundial de 86. Chegamos na semifinal contra os Estados Unidos e fizemos uma ótima partida. Se tivéssemos vencido, faríamos a final contra a Iugoslávia. Bateu na trave nossa chance de garantir a prata, e foi por detalhes que deixamos escapar a vitória contra os Estados Unidos. Muita gente achou que deveríamos ter feito uma marcação por zona naquele jogo, mas isso é teoria. Ninguém sabe se daria certo uma defesa diferente.

Como era o relacionamento dentro da Seleção Brasileira?

Era um ambiente muito bom, com uma amizade grande entre todos. Todos entravam dispostos a jogar para ganhar, sem questionar o que esse ou aquele jogador iria fazer em quadra.
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Era normal a condição de todos jogarem para Oscar e Marcel pontuarem?

Principalmente isso. Todos sabiam que se todos jogassem daquela forma, para os dois fazerem pontos, nossas chances de vencer adversários fortes eram maiores. E se algum tivesse algo para falar, questionar, era no vestiário, nunca em público. Morria no vestiário.

Essa foi a principal característica daquela geração?

Com certeza. Todos eram felizes daquela forma. Todos da equipe sabiam que isso seria importante para conseguirmos resultados importantes. Não poderíamos pensar diferente, pois era o que tínhamos de mais importante naquele grupo, sem nenhum problema. Muita gente fala que 'se' tivéssemos jogado diferente poderia ser melhor. Mas quem pode garantir isso?
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Você possuía uma vaga garantida na seleção. Essa garantia deixava você mais relaxado durante os treinos e jogos?

Não era um grupo totalmente fechado, mas todos sabiam que o Ary Vidal chamaria praticamente os mesmos jogadores. Ficamos assim um bom tempo, com uma ou outra modificação. E nas competições sempre jogavam mais oito ou nove jogadores. Isso não mudou por muito tempo. O importante, é que era um grupo que entendia e sabia da responsabilidade que tinha.

E como foi para você participar daquela geração?

Foi muito orgulho para mim. Aceitei o desafio e fico feliz de ter feito um papel importante dentro da proposta que foi implantada na equipe. Não existia contestação se um ou outro jogador não jogasse. E todo mundo se sentia bem fazendo parte daquele grupo.
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Aquela seleção tinha como base o time do Monte Líbano (SP). Você acha que o entrosamento que já tinham na seleção é porque jogavam juntos no clube?

Concordo. E também ficou ainda mais forte quando o Marcel foi reforçar a equipe do Monte Líbano, depois veio o Paulinho, que nos ajudou na conquistar do vice-campeonato Mundial, em Barcelona.

E a atual Seleção Masculina. Qual é sua perspectiva com ela?

É a melhor possível. O Brasil vem buscando um grande resultado e vai conseguir. São jogadores experientes, que atuam na NBA e na Europa, e acredito que são por apenas pequenos detalhes que ainda não chegaram ao pódio. Mas vão conseguir isso em breve. É só o técnico Rubén Magnano prosseguir com o que vem fazendo, além do forte trabalho realizado pela Liga Nacional. Acredito que assim, outros jogadores vão surgir e fortalecer ainda mais o grupo brasileiro.