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26/07/2012 - Milton Setrini Júnior, o Carioquinha

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Medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos da Colômbia, em 1971, de bronze nos Jogos Pan Americanos da Cidade do México em 1975, novamente bronze no Mundial de Manila, nas Filipinas e prata nos Pan Americanos de Caracas, na Venezuela, em 1983. Esses títulos fazem parte do currículo do ex-escolta da Seleção Brasileira Milton Setrini Júnior, o Carioquinha, um dos melhores jogadores da história do basquete brasileiro. Pela equipe nacional, Carioquinha formou times memoráveis, ao lado de Hélio Rubens, Ubiratan, Marquinhos, Marcel e Oscar entre outros. Foi também um ídolo pelos clubes que passou, entre eles o Palmeiras (SP),onde começou, Tênis São José dos Campos (SP), Pinheiros (SP), Flamengo (RJ), Sírio (SP) e Nosso Clube/Limeira (SP). Uma de suas maiores características sempre foram o estilo e atitudes irreverentes dentro de quadra. Era um verdadeiro 'badboy', e por isso tinha um público fiel que o admirava ao vê-lo jogando dessa forma. Hoje atua fora das quatro linhas, como presidente da Federação de Basquetebol do Distrito Federal.
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Qual a sua expectativa com relação à Seleção Brasileira em Londres?

A melhor possível. Estou muito confiante, otimista e muito alegre, pois estou vendo uma equipe a fim de jogar basquete, além de buscar conquistas. O bom trabalho de Rubén Magnano também está visível no desenvolvimento do grupo. Estou esperançoso de que vamos conseguir uma medalha.

O que mais te agrada nesta seleção?

Acompanhei todos os amistosos do Brasil. Vibrei e me emocionei de ver uma equipe com garra, com ótima defesa e brigando pelos rebotes. Eles estão jogando um basquete moderno e todos buscando a vitória. Isso deixa qualquer torcedor muito animado. E eu estou assim, otimista ao extremo.
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Quem é o jogador que mais te agrada na equipe brasileira?

Todos estão cumprindo um bom papel na equipe. Os pivôs Nenê, Tiago e Varejão foram muito bem nos jogos. Mas como não falar do Alex, Guilherme, Marcelinho Machado e Marquinhos, todos cumprindo seus propósitos em quadra. Mas a verdade é que há tempos eu percebia que faltava um cérebro na Seleção Brasileira, sabe aquele jogador que organiza as jogadas e dá ritmo ao ataque. Esse papel vem sendo desempenhado pelo Marcelinho Huertas. Para mim, ele é fantástico.

Você acha que há algum jogador na seleção atual, que tenha o estilo de jogo similar ao seu?

É muito difícil fazer comparações. Eu era muito irreverente nos dribles, na defesa e na maneira de me comportar em quadra. Era bem diferente de hoje. Os jogadores atuais tem estilo próprio.
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Como você analisa o basquete brasileiro hoje?

Na época em que eu jogava, eu pensava que campeonatos entre clubes, deveriam ser organizados pelos próprios clubes e que eles deviam buscar os recursos para isso. Hoje isso já existe através da Liga Nacional de Basquete (LNB). Caminhamos para os moldes da NBA e quem sabe, em breve, teremos uma das melhores ligas do mundo. Sempre fui a favor da formação de associação de jogadores, dos árbitros e dos clubes. Infelizmente, ainda não podemos fazer ainda uma liga com muitos clubes, porque não temos número suficiente de jogadores.

Então, dói por isso que os clubes que estão organizando o Campeonato de Brasília?

Exatamente. Esse é meu pensamento. Obviamente, que tudo é feito com o aval e a participação da Federação. Mas em Brasília quem organiza, confecciona a tabela, definem as datas e o regulamento, são os clubes. Nesse primeiro ano, sob a liderança deles, vamos ter no mínimo oito clubes participando do Campeonato Estadual do Distrito Federal.
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Como foi para você essa transição do ex-jogador para técnico e depois para dirigente?

Não foi difícil. Quando você joga e depois atua como técnico, sempre está do lado do dirigente e assim aprende muita coisa. Minha eleição para a presidência da Federação de Brasília foi uma indicação da maioria, pois todos queriam um dirigente que pudesse mexer com o basquete de Brasília. Então, fui o escolhido. Estamos organizando a entidade, para depois os nossos campeonatos, especialmente, os de base que passaram ser a principal responsabilidade da Federação do Distrito Federal.

Qual o perfil do jogador de basquete brasileiro?

Um jogador diferente, cheio de ginga, versatilidade e uma criatividade incrível. O dia que conseguirmos massificar a modalidade, voltaremos a ser uma potência mundial.