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25/07/2012 - Marta Sobral

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Considerada uma das melhores pivôs da geração de Hortência e Paula, Marta de Souza Sobral confessa que está ansiosa de ver à Seleção Brasileira Adulta feminina em quadra nos Jogos Olímpicos de Londres. E aposta que sob o comando do técnico Luís Cláudio Tarallo, as meninas possam trazer uma medalha. Com a experiência de já ter conquistado duas medalhas olímpicas, prata em Atlanta (1996) e bronze em Sydney (2000), além do ouro no Pan-Americano de Cuba (1991), Marta fala em superação, união e muita dedicação para que a geração de hoje consiga os objetivos traçados. Na entrevista ao site da CBB, Marta, de 48 anos, fala um pouco do que o basquete reservou para ela, desde os primeiros treinos no clube A Hebraica, sob às orientações de Wlamir Marques, até a participação ao lado de uma geração de ouro e suas conquistas. Além disso, falou sobre a expectativa do resultado das brasileiras em Londres.
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Como está sua expectativa de ver as meninas estreando em Londres?

Muito grande. Seria lindo e maravilhoso se esse grupo de jogadoras pudesse trazer uma medalha. O basquete vive um bom momento com as duas seleções classificadas, fato que não acontecia desde 1996. Dá até um frio na barriga de pensar na estreia e nas vitórias. Estou muito confiante que as meninas irão se superar em Londres.

Em sua opinião, quais serão as dificuldades que a equipe poderá encontrar em Londres?

Com certeza terão muitas dificuldades. E elas só irão superar isso, com muita união e dedicação. É difícil não ficar encantando com tudo de bonito que há em uma Olimpíada. A Vila Olímpica, atletas famosos passando ao seu lado. Tudo é festa, mas é preciso esquecer esses detalhes para alcançar os objetivos do grupo. Cada uma tem que dar 110% em quadra. Na equipe brasileira temos jogadoras que estão indo primeira vez, mas a Hortência, como diretora, com certeza vai alertá-las desse perigo de ficar deslumbradas.
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E sua expectativa com a seleção masculina?

Nossa que timaço é o masculino. Ver a equipe com aqueles jogadores da NBA é o máximo. Acho que eles vão brigar pelo ouro. Foi ótimo ver as duas seleções classificadas nesta nova fase da CBB. Estou muito otimista que poderemos voltar com duas medalhas de Londres. Uma do feminino, que vou torcer muito, e também do masculino.

Você ganhou duas medalhas olímpicas, mas antes teve o choque de Barcelona em 1992. Como foi essa superação?

A minha geração veio em uma crescente de resultados. Havíamos conquistados o Pan de 91, em Cuba, e ganhávamos a vaga no Pré-Olímpico Mundial, em Vigo, na Espanha. Quando chegamos a Barcelona, era a primeira Olimpíada para todo mundo. Tudo era lindo, maravilhoso, só caímos na real depois das derrotas.
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E como foi ganhar duas medalhas olímpicas?

Foi maravilhoso. E olha que saímos do Brasil com totalmente desacreditada por todos, mas éramos uma equipe unida em quadra. Podíamos até ter problemas pessoais, mas na hora do jogo era um prazer defender as cores do Brasil e alcançar os resultados positivos. Ter ajudado na conquista das duas medalhas olímpicas, foi muito gratificante.

E o que aconteceu na conquista da prata, no jogo Brasil x EUA, em Atlanta?

Primeiro vieram as americanas com uma equipe muito boa. E depois, acho que entramos em quadra com aquele pensamento do dever cumprido, pois já tínhamos ganhado um medalha e o time ficou relaxado demais. Além disso, nunca vi a Paula e a Hortência terem sido marcadas tão bem. Elas não andaram naquela final. Valeu pela experiência e com uma medalha de prata olímpica.

Você ainda teve a oportunidade de disputar as Olimpíadas de Sidney. Como foi encerrar a carreira com o bronze?

Na seleção foi minha última participação. Porque depois ainda joguei até os 40 anos. Eu tinha prazer de jogar, mas acho que a participação nas Olimpíadas de Sidney foi para fechar mesmo. Foram 20 anos em seleções e ainda trazendo uma medalha de bronze.
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E como foi ganhar duas medalhas ao lado de Leila, sua irmã?

Foi muito legal. Jogar na Seleção Brasileira já era um prazer enorme, e ter como companheira a minha irmã era tudo. Foi um privilégio para mim. A gente desabafava quando era preciso, contava as fofocas uma para outra. Além disso, sentia muito orgulho ver a Leila jogando tão bem. Ela não está jogando ainda por opção dela, mas acho um desperdício ter parado tão jovem.

Tem alguma coisa que você não faria outra vez, depois de 12 anos longe das concentrações e seleções?

Repetiria tudo de novo, até mesmo às burradas que fiz. Ter participado da Seleção Brasileira foi algo fantástico na minha vida. Tudo que conquistei e tenho hoje devo ao basquete. Nas viagens que faço pelo interior com meus projetos sociais, sou reconhecida nas ruas. Isso não tem preço. E tudo isso devo às minhas participações nas seleções.

A quem você deve o seu sucesso e glória?

São muitas pessoas. Começando pelo meu falecido irmão Rony, pois foi ele que me levou ao Palmeiras. E lá conheci o Carioquinha, que me levou para a A Hebraica o de tive o prazer de trabalhar com Wlamir Marques. Foi ele que me ensinou praticamente tudo, além de ser uma pessoa maravilhosa. Os 10 anos que vivi em Santo André, com a Laís Elena de técnica, também foram ótimos. A Maria Helena, Barbosa, Ferreto, Nestor Mostério. Todos eles foram técnicos importantes na minha vida.
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O que faz a Marta Sobral nos dias de hoje?

Sou diretora do Projeto Social Lance Livre, direcionado à prática esportiva para crianças carentes. Possímos cerca de 560 crianças na comunidade de Heliópolis (SP), mais 150 crianças no projeto de Barueri (SP), e 100 em Diadema (SP). Além disso, sou embaixadora do Conexão Esportiva, para eventos em cidades do interior. Está sendo muito legal continuar no basquete, ainda mais ajudando as crianças que não teriam a chance de praticar basquete.