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25/07/2012 - Alex Garcia

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Quando os adjetivos que descrevem seu adversário são: destemido, agressivo, implacável e chato, e o apelido dele é “Brabo”, é sinal de que as coisas não serão nem um pouco tranquilas para você dentro de quadra. É realmente num “inferno” que o ala Alex Garcia transforma a vida de qualquer um que se atreve a cruzar o caminho da Seleção Brasileira, seja ele dos Estados Unidos, da França ou de qualquer outro time. Não à toa é intocável no esquema tático de qualquer treinador há 12 anos, desde que representou o país pela primeira vez. Com Rubén Magnano, adepto da defesa forte, o "Brabo" ganhou importância ainda maior, e é no treinador campeão olímpico que ele e todo o grupo da seleção depositam confiança para a conquista de uma possível e histórica medalha nas Olimpíadas de Londres, que começam neste domingo, contra a Austrália, às 7h15 (horário de Brasília). Veja abaixo a entrevista concedida por Alex Garcia ao site da Confederação Brasileira de Basketball.

Falta pouquíssimo tempo para a estreia nas Olimpíadas. Como está o ambiente e como foram as conversas com a comissão técnica sobre a Vila Olímpica?

É sempre importante escutar quem já vivenciou uma Olimpíada, e a conversa com o Rubén Magnano, com o Fernando Duro (assistente) e com o Demétrius (assistente, com uma Olimpíada como jogador) foi muito boa. Nós temos dois 2 Pan-Americanos, sabemos basicamente como funciona uma Vila Olímpica e que se não focarmos, isso pode atrapalhar o rendimento dentro de quadra. A ansiedade é enorme, mas só até a bola subir. Depois de vivenciar a emoção da cerimônia de abertura, que é a que mais espero, tudo passa e os jogos passam a ser como outros jogos.
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Você está há 12 anos na Seleção Brasileira, já vivenciou diversas experiências. Já foi uma promessa, ainda em Ribeirão Preto, um jogador da NBA, da Europa, e agora um dos principais do NBB. Como analisa todo esse período?

Foram 12 anos incríveis. Quando você está no começo da carreira, tenta fazer um pouco de tudo, ajudar de qualquer maneira, e no começo você joga mais num jogo, pouco no outro... Mas nesses anos procurei me dedicar ao máximo, sempre tnetando parar os adversários. Quando o Rubén Magnano assumiu, ficou claro esse papel para mim, e é o que gosto de fazer, o que me dá mais prazer dentro de quadra. Foram 12 anos de muitas emoções, com tristezas como alguns Pré-Olímpicos, e alegrias por duas Copas América, dois Pan-Americanos, três mundiais disputados, e agora a consagração de jogar uma Olimpíada.
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A conquista da vaga olímpica foi a maior alegria da sua vida?

Foi o melhor momento de todos, porque poderia ser a última chance de muitos daquele time. Mesmo desfalcados, fomos com objetivo de buscar a vaga olímpica, todo mundo se empenhou, colocou o coração em quadra e se dedicou muito. Foi o melhor momento que vivi profissionalmente.

E este é o melhor momento que você vive na carreira?

É, sim. Os dois últimos anos foram perfeitos para mim. Agora estou trabalhando duro para tentar fazer uma boa Olimpíada e conquistar uma medalha com a seleção, para que eu possa consagrar de vez esse momento maravilhoso. O importante é ter a consciência de que aqui cada um tem sua função, não dá para jogar como se joga no clube, é diferente. Um erro na seleção tem um peso muito maior. Dessa forma todo mundo pode ter ótimos momentos.

O que você acha desses adjetivos, como brabo, destemido, e outros, que colocam em você?

Na hora que estou com a bola na mão, independentemente do adversário, tem que garantir o seu. Vejo assim sendo Kobe Bryant, LeBron James ou algum jogador da Nigéria e Nova Zelândia, só para citar duas equipes que enfrentamos. Penso sempre em ir para cima, garantir o meu. Estou defendendo a pátria, muita gente depende do que estou fazendo dentro de quadra, e nessa hora não se poder ter respeito.
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Uma partida marcante dessa preparação foi aquela contra os Estados Unidos. O que mudou do time do Mundial de 2010, que perdeu de dois pontos, para esse de hoje?

Até aquela partida (do Mundial), os Estados Unidos tinham passado fácil por todo mundo e nosso estilo de jogo complicou muito para eles, nós os seguramos bem. Assim como fizemos nesse amistoso. O time americano sempre vai querer bola na mão, correr, e o Marcelinho Huertas teve um bom controle no jogo de dupla com o Tiago, principalmente, distribuindo bem. Em 2010 tivemos a bola do jogo, mas infelizmente não ganhamos. Ali já mostramos que tínhamos condição, e agora de novo, mesmo com 23 bolas perdidas. Temos um time competitivo, forte, e se todos botarem na cabeça que podemos chegar, vamos surpreender.

Esses jogos consolidaram de vez o estilo do Rubén Magnano em cima da seleção?

O estilo de jogo que temos agora é ele completamente. Sabemos que o Rubén gosta que saia da defesa para o ataque, e não que se dê mais atenção ao ofensivo, como era antes. Se tivermos uma boa defesa, rebote dominante e sairmos rápido para o contra-ataque, pontuamos mais facilmente.
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Sonha estar em 2016, no Rio de Janeiro?

Sim, com certeza. Não sei se vou ser convocado até lá, mas estarei fazendo meu trabalho no Brasília, onde tenho contrato longo. Jogar uma Olimpíada em casa deve ser algo totalmente diferente, e está nos meus planos. Depende do Rubén, que será o comandante, e dos jogadores mais novos que estão vindo. Mas isso está sempre no meu pensamento.