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18/07/2012 - Friedrich Wilhelm Braun, o Fritz

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O campeão mundial no Brasil em 1963, e medalha de bronze nas Olimpíadas de Tóquio, em 1964, Friedrich Wilhelm Braun, o Fritz, completa nesta quarta-feira (18/07), 71 anos de idade. Carioca de nascimento, mas rio-clarense de coração, o ex- ala/pivô da Seleção Brasileira fez parte da geração de ouro do basquete brasileiro, e do grupo comandado pelo técnico Kanela. Com um jogo bastante refinado e muita raça, era admirado pelos companheiros da época. O basquete entrou na vida desse descendente de alemão pela altura. Bem novo foi para Rio Claro estudar no colégio interno e logo despertou o interesse dos técnicos da Cidade Azul. Pela Seleção Brasileira, além da medalha de bronze em Tóquio e o título mundial, Fritz esteve na conquista da prata no Pan-Americano de São Paulo, em 1963. Na entrevista, Fritz Braun falou sobre os momentos e glórias que passou jogando basquetebol, além da satisfação de ter sido um dos integrantes da Geração de Ouro do esporte da cesta.

Como o basquete entrou na sua vida?

Conheci a modalidade quando fui estudar em um colégio interno, na cidade de Rio Claro (SP), e fui tomando gosto pelo esporte. Meu primeiro clube foi o Ginástico, de Rio Claro, quando eu tinha 17 anos. Três anos depois, estava no Fluminense (RJ) e tive minha primeira convocação para a Seleção Brasileira. Foi tudo rápido na minha vida e uma surpresa para mim.
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E como era seu estilo de jogo?

Me considerava um pivô moderno, na época chamávamos de pivô móvel, pois saia muito do garrafão. Hoje é a posição do ala/pivô, mas na minha época era só um pivô, que já jogava com mais liberdade.

Você é carioca, mas seu primeiro Clube foi de Rio Claro (SP). Quando retornou ao Rio de Janeiro foi jogar no Fluminense. Como foi essa transição?

Foi muito boa. Tive uma temporada muito boa em Rio Claro, mas como nasci no Rio de Janeiro, foi muito fácil retornar e defender o Fluminense. Fiz parte de uma geração forte, que enfrentava de igual para igual o Clube do Flamengo, base da Seleção Brasileira, além de ser dirigido pelo técnico Kanela.

Você acabou virando literalmente um cidadão rio-clarense, assumindo, inclusive o sotaque.

Com muito orgulho e satisfação. Gosto muito de Rio Claro, foi a cidade que me acolheu e não quero sair daqui para outro lugar. Sou muito feliz, além de ter meus amigos e minha família reunidos aqui. Já estou para completar 60 anos como cidadão rio-clarense.
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E a história que você foi registrado como jogador do Flamengo pelo Kanela, sem seu conhecimento?

Foi verdade. Como todos me conheciam como Fritz, o Kanela me registrou com o apelido. Mas deu uma baita confusão, porque fui para o Fluminense e no Flamengo não apareceu nenhum Fritz. Depois ficou tudo resolvido.

Na sua volta para São Paulo, para defender o Sírio, como eram os confrontos contra o Corinthians?

Na época foi muito bom. O Sírio tinha um timaço, com Menon, Sucar e Victor. Foi uma honra ter jogado naquela época com essa equipe. O Corinthians era o time a ser vencido na época. Na formação do time estavam grandes astros também como Amaury, Ubiratan, Edvar e outras feras. Outro adversário forte da época era o Franca, em que jogavam os irmãos Hélio, Fransergio e Totó. Depois fui para o XV de Piracicaba, com uma equipe montada pelo Pecente, que era uma das estrelas do grupo.
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Quem foi seu grande amigo na Seleção Brasileira?

Olha que me dava bem com todos, mas o Menon e o Mosquito eram meus camaradas. Era muito amigo também do Wlamir, que era um capitão exemplar. Tínhamos um grupo muito fechado para todos os acontecimentos.

Como foi fazer parte dessa geração de ouro?

Foi um processo natural. A equipe já vinha vitoriosa do Mundial do Chile e com uma medalha olímpica em Roma. A geração toda sabia o que queria e todos procuravam cumprir as determinações do Kanela em quadra. Acredito que seja por isso que vencemos quase tudo que participamos. Além disso, era um prazer muito grande vestir a camisa da seleção e ter todos aqueles jogadores ao meu lado. Éramos como uma grande família, sem problema nenhum de relacionamento.
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Você tem acompanhado a atual Seleção Brasileira que vai disputar as Olimpíadas?

Tenho sim. Estou otimista com relação à nossa participação em Londres. Está é uma equipe de guerreiros, que está marcando muito bem e que sabe atacar como equipe. O nosso técnico [Rubén Magnano] é muito bom. Ele me parece muito honesto com os jogadores e tem o time na mão.