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16/07/2012 - Wlamir Marques

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O bicampeão mundial, em 1959 e 1963, e duas vezes medalhista de bronze em Olimpíadas (60 e 64), Wlamir Marques, nasceu para ser atleta. Poderia ser um ótimo goleiro, um campeão do vôlei, da natação ou do atletismo, e até ser um dos integrantes do Santos de Pelé e Cia. Porém, o basquete entrou bem cedo na vida desse paulista de São Vicente e as coincidências foram todas favoráveis para que ele se tornasse um dos melhores e mais importantes jogadores de basquete da história do Brasil. Há 75 anos, exatamente neste dia 16 de julho, nascia aquele que, para muitos, é chamado de “Diabo Loiro”, apelido que ganhou dos jornalistas cariocas durante a preparação do Brasil para o Mundial de 1954, quando ainda tinha 18 anos. Foram muitas conquistas com a camisa do XV de Piracicaba, da Seleção Brasileira e também do Corinthians, onde jogou com Amaury Pasos e Rosa Branca. Nesta entrevista ao site da CBB, Wlamir fala um pouco da sua vida, sua expectativa como ex-jogador para as Olimpíadas e revela uma conversa muito interessante com o americano naturalizado brasileiro Larry Taylor.
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Como é a história que você já foi até goleiro no futebol?

Modestamente, eu era um ótimo goleiro. Treinei no Santos e poderia ter seguido carreira no futebol. Eu gostava de praticar esporte, nadava, fazia atletismo, modalidade que cheguei a ganhar várias provas com 15 anos. Mas a vida reserva algo muito bom para mim no esporte.

Como o basquete entrou na sua vida e o que ele representa para você?

Eu morava em São Vicente, bem próximo do Clube Tumiaru. Era só pular o muro que estavam lá meus amigos jogando basquete. Aquilo foi entrando na minha vida e não saiu mais. Depois fui para o XV de Piracicaba, Corinthians e seleção. O basquete representa tudo na minha vida. Graduei-me como profissional de Educação Física graças ao basquete. Fui jogador e agora comentarista de TV, graças ao basquete. Então devo tudo a ele desde minha formação até os dias de hoje.
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E como foi a geração de ouro?

Foi uma coincidência muito boa. E começou tendo 16 anos, no Sul-Americano de Mendoza, na Argentina, em 1953. Um ano depois, no Mundial de 1954, no Rio, o Kanela já disse na apresentação dos jogadores que o time titular estava definido: eram eu, Amaury, Mair, Angelim e Algodão. Eu jogava no juvenil de pivô e na seleção o técnico Henrique Simões me escalou de ala. E já para as Olimpíadas de 56, foram acrescentados nomes de grande valor técnico, casos do Waldemar, Rosa Branca, Mosquito e Jatyr, para depois se tornar uma geração vencedora.
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No Mundial de 1954 você já fez parte do quinteto do campeonato. Fale um pouco disso.

Foi muito legal, apesar da tristeza da nossa derrota para os americanos na final. Quando anunciaram meu nome no quinteto do campeonato, ao lado do Algodão, fiquei muito feliz. Foram escolhidos também o Oscar Moglia, do Uruguai, o filipino Carlos Loyzaga e o americano Kirby Minter.

Foi uma geração que chegou bem perto do tetracampeonato mundial também...

Sim. Tivemos dois vices que deixamos escapar, em 1954, no Brasil, e depois em 1970, na Iugoslávia. Depois, o máximo que o Brasil chegou foi o terceiro lugar nas Filipinas, em 1978, e o quarto lugar na Espanha, em 1986.

Como era o estilo de jogo da geração de ouro?

Olha, o Kanela era um maluco (risos). Nosso ranking de altura no mundo na época era de 11º seleção. A gente treinava de quatro a cinco meses para uma competição. Sabia onde estava o companheiro de olho fechado. E como não tínhamos altura, tínhamos que usar nossa velocidade e técnica individual. Era também um grupo de jogadores muito a fim de jogar.
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Qual é sua expectativa com relação a atual Seleção Brasileira?

É uma seleção forte, muito bem treinada pelo Rubén Magnano, mas vai precisar mostrar na quadra se é capaz. Eu estou confiante porque já mostramos em vitórias contra a Grécia e Argentina que a equipe é capaz de vencer também em competições internacionais.

Até onde acha possível chegar nas Olimpíadas?

É difícil fazer projeção em uma competição rápida como é o torneio olímpico. Acredito que se chegarmos bem entre os oito, podemos sonhar em ficar entre os quatro e até brigar por uma medalha o que será muito importante.
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Qual o atual jogador que mais joga com suas características na seleção?

Acho que o Marcelinho Huertas, pelo tamanho, pela maneira que joga e também pela liderança.

E o Larry Taylor?

Naquele encontro que tivemos no ginásio do Pão de Açucar e no Novotel, o Larry chegou para mim e perguntou o que ele teria que fazer quando fosse defender o Brasil. Eu disse a ele que era para fazer o que o coração dele estivesse querendo. E ele vem jogando com o coração. Gosto muito dele em quadra.