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10/07/2012 - Amaury Pasos

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Bicampeão mundial, duas vezes medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos e membro do Hall da Fama do basquetebol mundial, eleito pela Fiba, Amaury Pasos está animado com a atual fase Seleção Brasileira. Tanto é que, depois de quase 20 anos afastado das arquibancadas, voltou a acompanhar jogos. Na última semana, esteve em Buenos Aires (ARG), no ginásio Luna Park, acompanhado de sua esposa, Luciana, onde viram os comandados de Rubén Magnano – de quem é fã - enfrentarem Chile e Argentina no Super 4 Hope Funds. Fator preponderante para esse “retorno às quadras” foi a homenagem prestada pela Confederação Brasileira de Basketball (CBB) no último dia 2 de julho, quando alguns dos membros da Geração de Ouro participaram de um encontro com a Seleção Brasileira masculina de 2012. Pasos, que acompanhou seu primeiro Campeonato Mundial em 1950, com 15 anos, e, quatro anos depois, já foi o maior pontuador do Brasil na competição, concedeu entrevista ao site da entidade e falou um pouco mais sobre sua época de jogador e as expectativas para as Olimpíadas de Londres.
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Como o basquete entrou na sua vida?

Meu primeiro esporte foi a natação. Com cinco anos fui morar em Buenos Aires porque minha mãe, que era argentina como meu pai, ficou muito doente. Nadei pela ACM e fugia do treino de natação para jogar basquete com meus amigos. Meu pai jogava basquete na ACM, e aos poucos fui trocando de esporte.

Como foi assistir o Mundial de 1950, em Buenos Aires e quatro anos depois já ser titular da Seleção Brasileira?

Tinha 15 anos, jogava basquete na categoria infantil do Clube Buchardo e fui assistir aos jogos da Seleção Brasileira naquele Mundial. Foi uma sensação muito legal estar no Luna Park, inaugurado para a ocasião. Ver nossa Seleção jogando com grandes jogadores, como Ruy de Freitas, Angelim, Algodão, foi demais. Eu estava lá com o agasalho da minha equipe. Na verdade era a única coisa que tinha do clube, mas me sentia o máximo com aquilo.
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Como você se define como jogador? Muitos o consideram o melhor jogador de todos os tempos no Brasil, o mais completo.

Comecei como pivô, mas logo foram chegando caras mais altos que eu. Aí fui escalado para jogar de ala, e fui muito bem. Depois, no final da carreira, cheguei jogar muitas vezes de armador. Nunca me vi jogar. Essa história de ser o melhor não se deve perguntar a mim. Eu vi o Wlamir jogar. Ele sim era excepcional. Para mim foi o melhor jogador brasileiro.

Como analisa a Geração de Ouro, a bicampeã mundial?

Foi algo muito bom, natural. Coincidentemente minha geração tinha jogadores excepcionais em cada posição. Como não lembrar do Wlamir, do Rosa Branca, Édson Bispo, Menon... É difícil falar em um só. Eram todos ótimos jogadores que se completavam em quadra e que sabiam jogar um basquete solidário. Não tínhamos o físico de hoje, mas usávamos o nosso melhor que era a velocidade e a técnica.
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Qual foi o resultado mais importante da sua geração?

Tivemos ótimos resultados nos mundiais, dois títulos importantes (59-63) e um vice-campeonato (54), mas nada é igual a uma medalha olímpica. Principalmente porque jogamos contra grandes seleções, inclusive as americanas, que levaram o que tinham de melhor à época.

Você classifica o atual basquete jogado pela seleção como solidário. Por quê?

O Michael Jordan, que é considerado o melhor jogador de todos os tempos, jogava um basquete solidário. Fazia 30 ou 40 pontos, mas jogava como equipe, não só no ataque como na defesa. Hoje estou vendo nossa seleção marcar bem o adversário e atacar como equipe. Isso é gostoso de ver. Estou absolutamente convicto que vamos fazer bonito em Londres.
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Qual o jogador que você mais gosta na atual Seleção Brasileira?

Gosto muito do Marquinhos. Ele é um jogador fundamental para a equipe. Acho também que o Nenê tem uma importância muito grande. Pela experiência, pelo físico e pela condição técnica que tem. Com os dois na equipe, a situação muda para o adversário.

Como você viu a participação do Brasil na Argentina?

Os jogos serviram como testes. E faltaram o Marquinhos e o Nenê. Acho que com eles jogando poderíamos ter vencido, mesmo com a arbitragem contra. Hoje vejo uma equipe brasileira com espírito de equipe, defendendo em conjunto e muito bem treinada pelo Magnano.
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O que te levou a ir ver os jogos em Buenos Aires?

Fiquei muito entusiasmado depois do Pré-Olímpico e depois que tivemos o encontro em São Paulo, que foi muito legal, fiquei mais ainda. Foi uma recepção muito amigável. E como gosto muito de Buenos Aires, onde vivi alguns anos, uni o útil ao agradável. Mas iria em qualquer outro lugar para ver a equipe de hoje.

Você, que se destacou muito jovem pela Seleção Brasileira, aponta alguma grande revelação para as Olimpíadas do Rio, em 2016?

Não assisto jogos das categorias menores. Só vejo jogos dos meus netos, e pelo que já vi do Matheus e Pietro, eles estarão aptos a jogar pelo Brasil. São ótimos. E tem o Diego, que tem 24 anos, e que joga o Universitário Americano na Flórida. Ele já devia ser lembrado para seleções. E, olha, quem está falando não é o avó e sim o observador de basquete (risos).
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Como se sente com o reconhecimento mundial ao seu basquete, em ser membro do Hall da Fama?

Tenho muito orgulho disso. Fui nomeado um dos 50 maiores jogadores da Fiba em 1991, e em 2007 fui para o Hall da Fama. Isso é maravilhoso, sensacional. Um reconhecimento que mostra que fiz algo pelo basquete. Espero que esse mesmo reconhecimento seja feito também pelo Wlamir, porque ele merece.