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25/06/2012 - Joice Cristina Rodrigues

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Joice começou sua carreira no basquete com apenas dez anos, em Bauru. Depois, jogou nos times paulistas de São Bernardo, Divino/COC/Jundiaí, Catanduva e Sport Recife. Sua estreia na seleção brasileira foi na conquista do título no Sul-Americano Cadete, em 2001. Disputou também o Sul-Americano Juvenil, em 2004, ficando com a medalha de ouro. Na seleção sub-20, conquistou a prata no Pré-Mundial do México, em 2006. Agora, aos 25 anos, ela vai defender a seleção adulta nas disputas dos jogos olímpicos de Londres. A ala-armadora que entrou no basquete por curiosidade, contou sobre sua vida e paixão pelo esporte da bola laranja.
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Como que o basquete entrou na sua vida?

Entrei no basquete quando tinha 10 anos. Nessa época fazia vôlei e handebol também, mas um dia me desafiaram a driblar a bola de basquete com o passe pelo meio das pernas. Foi então que iniciei na escolinha de Basquete do Bauru (SP). Entre as modalidades que eu praticava, o basquete é o que eu considerava o desafio maior.

Sua família te incentivava a praticar basquete?

Minha mãe queria que eu estudasse e cheguei a deixar de ir a viagens por causa das aulas, mas nunca desanimei. Meu pai sempre foi meu grande incentivador. Ele tinha todos os recortes de jornal que eu saia e mostrava para os amigos. Era hilário, eu adorava.
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Para quem você dedica as suas conquistas?

Meu pai não esta mais vivo, mas sempre dedico para ele todas as minhas vitórias. Perdi meu pai na véspera de uma final entre Catanduva e Ourinhos. Fui ao funeral, mas não tive coragem de ir no enterro. Voltei para Catanduva e joguei a final. Sabia que se ele pudesse escolher ia me querer em quadra naquele momento. Ganhamos o jogo e dediquei para ele a vitória.

Você foi mãe muito jovem, como foi esse processo na sua vida?

Estar grávida foi a melhor fase da minha vida. Joguei até aos 4 meses e não perdi nada. Fui convocada para todas as seleções de base posterior a isso. Esse processo só me ajudou a amadurecer e querer ser uma pessoa cada vez melhor.

Nesse tempo que está com a seleção, você sente muita saudade do seu filho e de casa?

Sinto sim, mas quero ser motivo de orgulho e exemplo para o meu filho. Procuro dar tudo o que está ao meu alcance para ele, mas quero mesmo é que ele tenha disciplina e sabedoria para tomar as decisões na vida.

Esta é a sua primeira vez em uma seleção adulta. Ao que você deve esta convocação?

Agradeço muito a Ourinhos, que abriu as portas para mim e todos os clubes e técnicos que passei. Sempre procurei tirar ensinamentos de todos os meus técnicos, e acho que deu certo. Todos foram importantes na minha formação como pessoa e atleta. Acho que o somatório de tudo que aprendi nesses anos é que me fez a jogadora que sou hoje.
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Como é o convívio com o treinador Tarallo?

Ele foi meu técnico na Copa América / Pré-Mundial Sub-20, em 2006, em que fomos vice-campeãs no México. A Macau também foi a assistente técnica daquela seleção. Fiquei muito feliz em reencontrá-los, pois gosto muito do estilo e filosofia de jogo do Tarallo. Estou aprendendo muito e presto atenção em tudo que ele nos passa. Estou bastante focada no nosso objetivo.

Você vê muita diferença em treinar na seleção brasileira ou em um clube?

É muito diferente você estar em um clube. Na seleção só pensamos em basquete. Não existe mundo exterior, o foco é cem por cento na preparação. No clube treinamos, mas temos nossa vida pessoal. Estou adorando estar com a seleção, pois o aprendizado é diário.
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O que você sentiu quando recebeu a convocação?

Fiquei extremamente feliz. Minha família está contente e pude escutar pela primeira vez da minha mãe que ela estava muito orgulhosa de mim. Foi emocionante e inesquecível. O pai do meu filho também me dá muita força, e meu filho sempre me apoia e diz para eu nunca desistir. Acredito que isso tudo seja resultado de muita dedicação.
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O que você está achando do nível dos treinos?

A pressão é muito grande, mas eu não esperava que fosse diferente. Está passando muito rápido e só há tempo para pensar na preparação. Tudo que eu almejo como profissional é disputar uma olimpíada. Tiro força de onde não há e sigo em frente. O grupo está muito focado e vamos atrás de um resultado positivo.

A seleção está disputando os amistosos contra a Austrália. Como você espera que a equipe saia desses jogos?

Acho que os amistosos são muito importantes sempre. Tenho certeza que nosso nível vai subir bastante depois dos jogos. Sempre surgem detalhes a serem corrigidos e é visando a quase perfeição que vamos fazer esses e os próximos amistosos. Queremos entrar no auge da forma em Londres.