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18/02/2011 - Alexandre Paranhos de Souza

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São dois metros e três de altura, de dedicação e amor ao basquete. Aos dezoito anos, o ala Alexandre Paranhos colhe os frutos do trabalho realizado até aqui, ao mesmo tempo em que continua plantando para os novos desafios para o futuro. O sonho desse jovem atleta? Ser um jogador de basquete de alto nível como seu maior ídolo e incentivador, Leandrinho Barbosa. Alexandre está se adaptando a nova rotina com a seleção brasileira de desenvolvimento, que mora e treina na cidade mineira de São Sebastião do Paraíso. O jogador paulista já venceu o primeiro desafio na carreira quando foi convocado para a pré-seleção. Alexandre lutou com garra e garantiu uma das vagas para ficar na cidade mineira treinando com os técnicos José Neto, André Germano e sob a observação de Ruben Magnano, que dirige a seleção adulta.
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Como você começou no basquete?

Meu primeiro contato com basquete foi quando minha trabalhava no Parque da Juventude (SP), que tem quadra de basquete e futebol. Eu e meu irmão sempre íamos com a minha mãe com o objetivo de jogar futebol como qualquer menino, mas lá o basquete fazia muito mais sucesso. Como eu tinha 15 anos e já era alto me chamaram para ir jogar e, com o tempo, comecei a gostar. Profissionalmente, fui jogar graças ao meu tio e ao Arthur Barbosa (irmão do Leandrinho), que era meu vizinho. O Arthur me treinou e preparou para participar da peneira do Palmeiras (SP), onde fiquei por três anos.

Você sempre quis ser atleta?

Sim. Sempre tive vontade de ser jogador, mas de futebol. Eu joguei na posição de atacante e era muito bom. Pelo menos é o que dizem lá na minha vila (risos). Só que cresci muito e ser atacante e alto não combinam muito.

Qual a importância do Leandrinho Barbosa na sua vida como jogador?

O Leandrinho é um grande exemplo para mim. É o meu padrinho no esporte. E é graças ao Arthur Barbosa que estou aqui, em São Sebastião do Paraíso (MG), defendendo a seleção brasileira. Se não fosse ele que me pegou pela mão, me ensinou alguns passes e me levou no clube pra treinar, com certeza, não estaria aqui. Sou muito orgulhoso de a família Barbosa ter cruzado meu caminho. Eles sempre conversam comigo para que eu tenha a cabeça boa dentro e fora das quadras para conseguir chegar a ser um jogador de alto nível. Além disso, ele me ajuda sempre com tênis e camisas de basquete.
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Você acompanha a carreira do Leandrinho? Já bateu uma bolinha com ele?

Assisto bastante aos jogos dele e acho que é brilhante a forma que ele atua e domina a bola. Gostaria de seguir todos os passos dele, inclusive, procuro seguir o seu estilo de jogo. Quero ser um atleta do mesmo perfil dele. Meu sonho é ter a oportunidade de jogar com ele para valer. Cheguei a treinar durante uma semana com ele e o time do Flamengo (RJ), na Arena da Barra, no Rio de Janeiro, nas de férias dele e que veio até o técnico que ele tinha na época dos EUA. Aprendi bastante coisa com Leandrinho naquela semana e consegui levar para os meus treinos no clube.

O que significa para você vestir a camisa da seleção?

Desde que comecei a jogar basquete sempre foi o meu sonho vestir a camisa da seleção e cantar o hino do meu país olhando para a bandeira. Ainda não realizei, mas tenho certeza que está muito perto de acontecer. Deve ser muito satisfatório representar o país, dar cem por cento na quadra. É muita pressão e responsabilidade, mas que resulta em algo bom. Estou muito feliz de essa realização estar tão próxima.
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Entre 22 atletas você conquistou uma das três vagas na seleção de desenvolvimento? Como foi isso?

Confesso que foi uma disputa bastante acirrada dentro da quadra. Os 22 jogadores estavam lutando por uma das vagas e doaram mais que cem por cento por seu espaço na seleção. Os treinos também foram bastante pesados, mas nos dávamos muito bem nos momentos de lazer. Eu só pensava que, se eu colocasse tudo que sabia em quadra, eu conseguiria a vaga. Estou bastante feliz porque deu certo. Esse foi meu primeiro vestibular e estou muito alegre por ter passado. Além disso, a pré-seleção foi muito boa para eu sentir como é um ambiente de seleção.

Qual foi a primeira coisa que você fez ao saber que havia conseguido uma vaga?

Quando meu telefone tocou e vi que era da CBB, achei que fosse pra dizer que eu não havia conseguido. Tremi para atender, mas quando me falaram que estava entre os 16 atletas meus olhos brilharam de tanta emoção e fui logo abraçar minha avó. Ficamos os dois emocionados e abraçados durante um tempo, só depois que fui ligar para minha mãe e namorada. A minha maior felicidade é ver minha avó e mãe sorrindo, não tem nada melhor na vida para mim do que vê-las felizes.
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Como está sendo a experiência de treinar com o José Neto e André Germano?

Em minha opinião, o Neto e o André possuem o mesmo perfil de técnicos. Estou gostando muito e aprendo muito fácil pela didática que eles têm de ensinar. Aprendi tudo que sei com o André Germano, quando treinei pelo Palmeiras, em 2008. No meu segundo ano, ele não era mais o meu técnico, mas fiquei treinando paralelo com ele. Por isso, já sabia o que esperava de mim em quadra.

E a presença de Ruben Magnano, campeão olímpico, aumenta a pressão?

Toda vez que o Ruben fala comigo eu fico muito atento. Para mim cada palavra dele vale como ouro. Não posso desperdiçar a oportunidade de tê-lo ao meu lado. Ele passa muita coisa importante. Toda vez que ele chega para mim para me dar um toque, me sinto privilegiado. O Magnano tem muita facilidade para falar com os jogadores e acho que é por isso que ele é campeão olímpico. Mas a mesma facilidade que tem para passar a informação ele tem para cobrar. Ele sabe exigir sem que a gente desanime e nem se sinta pressionado. O Ruben tem o poder de conseguir tirar o que há de melhor em cada um.
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Você é uma das promessas para Rio 2016. Como você sente?

Sempre tive o sonho de disputar uma olimpíada. Estar em uma competição desse nível, vestindo a camisa do meu país seria indescritível. Sei que vou chegar lá, mas vou dando passo por passo. Agora estou focado em uma vaga no Mundial da Letônia (1º a 10 de julho) e, para isso vou seguir o mesmo caminho da pré-seleção. Vou me doar cem por cento e estar bem atento ao que o Neto, André e Ruben falam para conseguir essa oportunidade. A comissão sabe do que cada atleta é capaz e eu vou fazer a minha parte dentro de quadra e sempre estar disposto.

O que podemos esperar dessa geração?

Todos os convocados para a seleção de desenvolvimento possuem muitas qualidades. Claro, que tem muito a aperfeiçoar, mas é isso que estamos fazendo aqui em São Sebastião. A mais aparente é a altura, todos são bem altos. A maior critica que fazem da seleção adulta é a sobre a defesa. Acho que seremos uma seleção bem completa nesse sentido. Os técnicos batem bastante nesta tecla e os garotos possuem um porte físico muito bom.

O que está achando de morar em São Sebastião do Paraíso (MG)?

Não estou acostumado com cidade pequena. A maioria das pessoas acha que é mais fácil se adaptar em uma cidade pequena do que em uma grande. Eu acho ao contrário. Aqui tudo é bem mais calmo e silencioso. Eu prefiro cidade grande, com movimento, mas pela seleção vale qualquer esforço. Entendo que em uma cidade como São Sebastião é mais fácil manter o foco cem por cento na preparação e entendo a importância disso. Sei que vou me adaptar a morar aqui rápido.
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Qual o seu ponto forte? E o que precisa melhorar?

Tenho muita disposição para correr, saltar, marcar e muita fome de bola. Isso é muito pessoal e acho que nunca vou perder. Tecnicamente acho que preciso melhorar o controle de bola, ainda mais na minha posição. Preciso ter um drible rápido, mas isso é muito comum em quem é mais alto como eu.

Quando não está treinando ou jogando, o que você gosta de fazer?

Gosto de muitas coisas. Ficar com minha namorada, jogar videogame. Sou bastante tranquilo no lado pessoal, ainda mais depois que comecei a namorar (risos). Ela também é atleta. Joga vôlei e também foi convocada para a seleção brasileira. Temos muitas coisas em comum, como ir ao parque e cinema. Também fico muito na casa da minha avó, onde posso jogar futebol com meus primos.
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Qual a parte mais legal de ser atleta?

A melhor parte é a hora que começa o jogo. Sinto um frio na espinha e não quero estar em outro lugar. Teve uma vez que fiquei duas semanas parado por causa de uma lesão no joelho. Ver meus colegas em quadra me dava agonia. Sempre pedia ao meu técnico para ir embora mais cedo, porque me sentia muito mal.

O que você falaria para um menino como Leandrinho falou com você?

A primeira coisa e a mais importante delas é ter humildade. E saber que disciplina é fundamental, além da rotina, que muitas vezes muda e que é preciso saber se adaptar. Também é preciso bastante dedicação, muito treino e persistência. Quando comecei a jogar basquete, eu era reserva. Então quando via o titular treinando, por uma hora, por exemplo, eu treinava duas. Sabia que minha oportunidade chegaria e que eu precisava estar pronto para agarrar a minha chance. É preciso se doar por inteiro, mas depois sempre vem o bônus pelo trabalho bem feito.