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30/06/2010 - Damiris Dantas do Amaral

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Com cinco anos de carreira, Damiris do Amaral vem se firmando a cada dia como um dos destaques da nova geração do basquete feminino brasileiro. A pivô, de 17 anos e 1,92m, acaba de voltar dos Estados Unidos com a medalha de prata da Copa América Sub-18 e a vaga para o Mundial Sub-19 de 2011 na bagagem. Na competição, que acabou no último domingo (27), Damiris confirmou mais uma vez seu potencial e, com 45 pontos em cinco partidas, foi a cestinha da competição junto com a armadora Tássia. Damiris foi também a segunda melhor reboteira da competição (53 no total). O talento da pivô chamou a atenção do técnico Carlos Colinas, que a convocou para a seleção adulta. Damiris ganhou uma folga após o vice-campeonato e se junta ao grupo que já está em Barueri (SP), nesta sexta (2) à noite.
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Que balanço você faz da Copa América?

Foi demais. Garantir a presença da nossa geração em um campeonato mundial é uma sensação maravilhosa. Era o nosso principal objetivo e ter cumprido nossa meta é motivo de orgulho. Quando vencemos a Argentina e garantimos a vaga, a alegria não cabia na gente. Na partida contra o Canadá ficamos um pouco ansiosas, mas a união do grupo fez a gente superar as dificuldades e decidir o título.

Qual a sensação de subir no pódio?

Foi a minha terceira vez (a pivô foi campeã sul-americano sub-17 em 2009 e medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos de Medellín, em março deste ano) e continua sendo maravilhoso. A medalha de prata dá uma sensação de quero mais e a gente sente falta de ouvir o hino nacional. Mas fomos até onde podíamos, com muita garra e determinação. Subir no pódio é uma emoção que não cansa.
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O que foi determinante para o sucesso do Brasil na competição?

A evolução técnica e a união do grupo. Treinamos para a Copa América desde fevereiro e o Tarallo (técnico) sempre motivou a equipe para treinar e jogar cada vez melhor. O mais importante é que formamos um time unido, que vibra junto e conversa bastante dentro e fora de quadra. Tudo isso ajuda para o sucesso do Brasil nas competições.

Foi possível conhecer um pouco de Colorado?

Tivemos um dia de folga e fomos ao shopping, claro. Demos uma volta e fizemos umas comprinhas. Como toda adolescente nos Estados Unidos, queríamos levar umas lembrancinhas para casa.

E a comida era boa?

O que americano faz de melhor, os atletas precisam evitar, né? Não podemos chegar muito perto de doces, frituras, essas coisa. Recebemos orientações da nutricionista e ficamos no cardápio bem equilbrado, com arroz, salada, carne, macarrão. A comida no refeitório era boa, só não tinha o nosso feijãozinho preto, mas a competição foi curta e deu para aguentar.
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Durante a competição, o que você fazia para se divertir?

Fora os treinos, jogos e a hora do descanso, que é sagrada, estávamos sempre reunidas em áreas do hotel. Conversávamos muito e jogávamos cartas para nos distrair. Mas divertidas mesmo são as conversas e piadas, principalmente da Aruzha e da Tássia, as maiores brincalhonas do grupo.
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Como você analisa o seu desempenho na Copa América?

Foi a competição em que mais tive tempo em quadra e fico feliz por ter jogado bem. O mais importante é ter ajudado o Brasil a alcançar os objetivos. Mas sempre fica a sensação de que podia ter dado mais. Sou muito crítica comigo e acho que posso melhorar, principalmente nos arremessos. Para isso é preciso continuar treinando, treinando e treinando.

O grupo viajou para Colorado com Hortência e Janeth. Como foi?

Eu comecei no clube da Janeth, onde joguei durante quatro anos. O convívio com ela é sempre um enorme aprendizado. Além da Janeth, Hortência e Paula (que deu uma palestra em Jundiaí durante os treinos) também passam uma experiência de vida que impressiona. Em Medellín, a Janeth nos disse que ser campeã sul-americana é muito bom, mas é pouco para uma geração talentosa. Isso nos motiva a querer sempre mais, por nós e pelo nosso basquete.
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Você é apontada como uma grande promessa do basquete feminino. Como lida com isso?

Agradeço e fico feliz com os elogios ao meu jogo, mas não penso muito nisso e não deixo que isso me suba a cabeça. Tenho é que continuar treinando e jogando com dedicação e responsabilidade.

Você treinará com a seleção adulta. Esperava ser convocada pelo Colinas?

Sinceramente, não esperava. A ficha demorou a cair. Eu e a Tássisa estávamos em Jundiaí com a sub-18. No fim do treino, o Tarallo nos reuniu e contou a boa notícia. Foi uma festa, todos bateram palmas e ficaram muito felizes por nós. Eu fiquei pensando “é comigo mesmo”? Acho que a ficha só vai cair mesmo quando eu chegar em Barueri.

Qual sua expectativa em relação aos treinos?

As melhores, só de treinar com grandes nomes do basquete brasileiro e mundial será um aprendizado enorme.

Na escola, você jogou vôlei, handebol, futsal e até xadrez. O que a fez gostar do basquete?

É um jogo alegre, bonito de se ver, com contato físico e bastante divertido. Comecei na escola e, seguindo o conselho de uma amiga, liguei para o clube da Janeth no final de 2005. A peneira seria em uma semana. Meu tio José Francisco me levou e fiz os testes. Duas semanas depois, a própria Janeth me ligou dizendo que passei. Comecei a jogar e quando os títulos foram chegando, fui me empolgando e vendo que poderia ser realmente uma boa jogadora. Morava em Ferraz de Vasconcelos (SP) com meus tios e ia aos treinos em Santo André todo dia de trem. Gostava tanto que nem via o tempo passar.