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15/03/2010 - Walter Roese

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A seleção brasileira sub-18 masculina se apresentou no último domingo (dia 14) com uma novidade no banco. Walter Roese assumiu o comando da equipe que vai brigar por uma vaga no Campeonato Mundial Sub-19 de 2011. Roese é assistente técnico da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, e vai trazer toda a sua experiência para o basquete brasileiro. O técnico está orgulhoso e animado com a oportunidade de treinar o Brasil na temporada 2010. A Copa América / Pré-Mundial, que será realizada em San Antonio, nos Estados Unidos, de 26 a 30 de junho, é o principal compromisso do grupo este ano. Antes disso, o Brasil vai participar dos Jogos Sul-Americanos de Medelín, na Colômbia, que acontece de 24 a 29 de março, e do Torneio Albert Schweitzer, na Alemanha, de 3 a 10 de abril.

Que análise você faz do desempenho do time do Nebraska nesta temporada?

A temporada do basquete universitário divide-se em três etapas. A primeira envolve treinamento de fundamentos, parte física, ensinamentos ofensivos e defensivos. A segunda é o que chamamos de pré-temporada. São diversos jogos antes da conferência. Na atual temporada, tivemos um bom aproveitamento com 12 vitórias e três derrotas. A terceira e última etapa, é quando disputamos a conferência Big 12. Sabíamos que seria um ano difícil. Temos dez jogadores que nunca disputaram o torneio e dois atletas fundamentais para o nosso esquema estavam machucados. Estas dificuldades têm nos proporcionado um grande aprendizado, mesmo não atingindo os resultados que gostaríamos. Jogamos de igual para igual com todas as equipes. Nas derrotas existem uma fonte inesgotável de informações e de aprendizado. Cabe ressaltar que mesmo na situação que nos encontramos é de estrema importância participar de um campeonato universitário americano de mais alto nível.

Como é a sua vida em Nebraska? Morando por tantos anos nos Estados Unidos, já adotou algum costume americano?

A vida em Nebraska é muito parecida com os demais lugares que já morei e trabalhei nos Estados Unidos. Procuro levar meus filhos na escola antes de ir para o escritório, onde passo grande parte do dia, preparando treinamentos para os jogos, etc. Geralmente, durante a temporada são doze horas diárias de jornada. É um dia longo e cansativo, mas muito prazeroso. Procuro sempre me dedicar às atividades extra curriculares dos meus dois filhos, por considerar que a família deve vir sempre em primeiro lugar. Pelo fato viver nos Estados Unidos há mais de 15 anos, às vezes, misturo um pouco da cultura americana com a minha. Mas arroz, feijão e, é claro, o chimarrão não podem faltar.

Como o basquete brasileiro é visto nos Estados Unidos?

O basquete brasileiro está em alta nos Estados Unidos, devido ao sucesso dos jogadores que atuam na NBA. Fora isso, eles não conhecem muito sobre o que acontece no Brasil.
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Os Roese são conhecidos no mundo esportivo. Como é fazer parte de uma família que respira esportes?

Eu tenho muito orgulho dos meus irmãos e demais familiares que praticam ou praticaram esportes. Acho que a genética ajudou um pouco, mas foi o ambiente no qual fomos criados que nos proporcionou esta oportunidade. A pessoa mais importante na formação dentro da família foi a senhora Silvia Roese, minha mãe, que sempre nos apoiou e nos incentivou a praticar esportes. Ela sempre mostrou a importância do esporte na formação do caráter e as oportunidades que oferece para um futuro melhor. No esporte, aprendemos a competir, a nos dedicar, a superar desafios, a respeitar regras, as pessoas e as hierarquias. Aprendemos com as derrotas e vitórias. É um aprendizado excelente para enfrentarmos o mundo globalizado. Graças aos ensinamentos da minha mãe, consegui uma das coisas mais importantes da minha vida, que é ter uma família sólida. E o basquete foi o grande responsável por eu ter conhecido a minha esposa Monique.

Fale um pouco sobre seu tempo de jogador?

Fui um bom jogador. Não era craque, mas sempre procurei me dedicar ao máximo e superar as minhas limitações. Tive ótimos treinadores e companheiros de equipe. Sou muito grato a todos eles. Desde o meu primeiro treinador na escolinha no Grêmio Náutico União, até o último. Por isso, não vou citar nomes para não cometer injustiças. Gostaria de dizer que todos com quem joguei foram importantes na minha formação como atleta e pessoa. Tive e tenho até hoja a sorte e a oportunidade de fazer o que gosto e sou abençoado por ter sempre ao meu redor pessoas incríveis, tanto do ponto de vista profissional como pessoal.

Como foi o início da carreira como técnico?

Sempre achei que tinha perfil para ser treinador. Quando parei de jogar, decidi me dedicar a nova carreira. Nos anos 80, tive oportunidade de treinar escolinhas e me identifiquei bastante. Me lembro quando perguntei para alguns amigos sobre a profissão e me disseram que o segredo do sucesso estava em fazer aquilo que se ama com muita dedicação. E venho fazendo isto todos estes anos. Eu amo o jogo de basquete. Cabe ressaltar que não fui eu quem escolheu ser treinador de basquete, mas o basquete que me escolheu para ser treinador.

Qual a maior dificuldade que já enfrentou como técnico?

Dificuldades sempre encontramos nos vários seguimentos da vida pessoal e profissional. Entretanto, a maior dificuldade, algumas vezes, é entender o limite dos meus jogadores. Sempre acho que podem render um pouco mais. Talvez pela minha competitividade, busco sempre o máximo dos meus atletas. Atualmente tento conciliar da melhor forma a família e o trabalho, uma coisa nem sempre é fácil em função de inúmeros fatores. Amo muito minha família, mas a minha profissão exige muitas viagens internacionais, o que significa ficar longe dela.

Quais são suas características como técnico?

Sou exigente, trato todos da mesma forma, como um time, dando a importância a que cada um merece, bem como, no seguimento em que atua. Não aceito a falta de comprometimento e de respeito dentro do time. O horário e a preparação para o início do treinamento são de grande importância para que todos venham atingir os objetivos. Meu objetivo como treinador é trabalhar o que cada atleta tem de melhor. Na minha opinião, todo técnico tem que ter o lado educador, mas principalmente tem que ser um líder. Cabe a nós treinadores orientar e passar um pouco da nossa vivência para os atletas, de forma que o trabalho se torne agradável e atinja os resultados definidos. Sou amigo, brinco como os jogadores, mas quando vamos trabalhar, temos que entender qual a função de cada um e respeitar.

Como você encara a responsabilidade de comandar uma seleção brasileira?

Orgulhoso, agradecido pela oportunidade e pela confiança depositada em mim. Vou dar meu máximo junto a comissão técnica e jogadores para que o basquete brasileiro seja representado de forma digna. Estamos focados em trazer resultados importantes. Como temos pouco tempo, o trabalho será baseado na busca pelo máximo de cada um, comissão técnica e atletas. O objetivo é sempre atingir os objetivos comuns como um time. Tenho certeza de que com este trabalho, a equipe terá uma visão clara ao final de cada partida de que todos deram o máximo e que o nosso esforço esteve sempre acima dos adversários.

O que espera da Copa América?

Classificar o basquete brasileiro para o Mundial de 2011.

Quais são as chances de classificação do Brasil?

Um campeonato deste nível, que classifica para o Mundial, não tem chave fácil e muito menos equipe fraca. Se queremos nos classificar, não temos que nos preocupar com os adversários. Temos que nos focar na vitória sobre os adversários, independente de quem sejam. Desta maneira é que vamos conseguir a classificação. Conhecemos algumas seleções que vamos enfrentar e vamos procurar informações a respeito das que pouco sabemos. Isso nos permite elaborar as estratégias de jogo. Mas só isso não é suficiente. Diante do ditado "treino é treino e jogo é jogo", vamos para nos classificar.

Que análise você faz dos países participantes?

Tirando os Estados Unidos, as demais seleções nesta categoria estão niveladas. Certamente os jogos serão definidos de acordo com a atitude de cada equipe dentro de quadra. Vamos fortalecer nossa equipe técnica e psicologicamente, mostrando que os resultados serão um reflexo da vontade e da determinação de cada um neste processo que visa à classificação do Brasil para o Mundial.

Quais serão os pontos enfatizados na preparação?

Precisamos enfatizar que todos precisam se dedicar além dos limites nos treinamentos. Temos que buscar a nossa melhor forma para chegarmos no campeonato num nível acima da maioria. Vamos mostrar aos atletas a importância da dedicação de cada um durante o tempo de treinamento e enfatizar a união do time. Além da parte técnica, temos que fazer um trabalho psicológico, mostrando a importância de classificar o Brasil para Mundial e que isso dependerá do empenho de cada um durante os treinamentos e jogos. Com essas atitudes motivacionais, queremos chegar na competição com um time forte e com chances reais de classificação.

O que é preciso para ser um bom jogador?

Dedicação, determinação, capacidade de superação técnica e emocional, aprender com as derrotas e vitórias, saber ouvir e avaliar o que é passado pelos mais experientes, ser honesto consigo mesmo e com os companheiros de equipe, buscar ser líder do time motivando a todos em prol do melhor e, finalmente, traçar objetivos bem definidos e efetivos para carreira.

E um bom técnico?

Se dedicar, se manter atualizado com os acontecimentos no mundo em termos técnicos, trabalhar com amor e satisfação, ajudar a todos que pedem ajuda seja técnico ou não, ser um líder do time e manter sempre o grupo motivado, saber a hora certa de chamar a atenção e de elogiar alguém seja jogador ou não, trabalhar de forma profissional com a visão de que os resultados positivos serão o reflexo do que está sendo feito e, por fim, assim como atletas, traçar objetivos bem definidos e efetivos para sua carreira.