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06/03/2010 - Carlos Colinas

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O espanhol Carlos Colinas ganhou um presente verde-amarelo no aniversário deste ano. No dia em que completou 43 anos, o técnico aceitou o convite da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) para dirigir a seleção adulta feminina. Na temporada 2010, o espanhol terá dois desafios pela frente. Primeiro será o Sul-Americano do Chile, de 10 a 14 de agosto. Depois, Colinas vai comandar o elenco brasileiro no Mundial da República Tcheca, que será realizado de 23 de setembro a 3 de outubro. Com a seleção espanhola, o técnico foi tricampeão europeu sub-16 (Itália – 2004, Polônia – 2005 e Eslováquia – 2006), vice-campeão europeu sub-18 (Sérvia – 2007) e campeão europeu sub-18 (Suécia – 2009). E ainda foi assistente da equipe adulta, que ficou com a medalha de bronze no Europeu da Grécia em 2002.

O que significa dirigir uma seleção como o Brasil?

É uma mescla de responsabilidade e satisfação. Qualquer técnico de basquete estaria lisonjeado com essa oportunidade. Estou muito orgulhoso em poder dirigir uma equipe que significa tanto para a história do basquete.
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Quais foram as suas razões para aceitar o convite da CBB?

Achei o projeto muito interessante. Vou ter a oportunidade de dirigir um grupo formado por excelentes jogadoras nas principais competições internacionais da modalidade. Também poderei colaborar com o programa da CBB sobre estrutura e planejamento das equipes de base. Estou em sintonia com o projeto da Hortência e do departamento técnico sobre o futuro do basquete brasileiro. Como vi em meu país, chega um momento que é renovar ou morrer.

Dirigir uma seleção adulta é um desafio para você?

A responsabilidade é igual a que tenho há nove anos com o trabalho que faço com a Federação do meu país. Tudo depende da importância que cada um dá aos desafios que enfrentamos na vida esportiva. Este é mais um desafio para mim. É diferente, é grande e vai exigir o meu melhor. E estou pronto para fazer um bom trabalho.

Quais são seus objetivos com a equipe brasileira?

Basicamente são três. Competir de igual para igual com as melhores equipes em todos os campeonatos, conseguir o envolvimento e o compromisso das jogadoras com a seleção e fazer com que a equipe tenha um estilo próprio: alegre e dinâmico e ao mesmo tempo consistente e sólido.

Você conhece as jogadoras brasileiras?

Já são dez anos seguindo regularmente as seleções nos campeonatos internacionais e os melhores times nas ligas europeias, onde atuam várias jogadoras brasileiras. Também acompanho há anos o desenvolvimento das competições no Brasil e o rendimento de suas melhores jogadoras.
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O período de treinamento será suficiente para deixar o time bem preparado para o Mundial?

Acredito muito mais em qualidade e planejamento do que em tempo. É claro que temos que treinar, construir um estilo para o Brasil atual e, sobretudo, participar de muitos amistosos para polir nosso jogo. Mas estamos falando de profissionais com total disposição para alcançar os objetivos. Se fisicamente, as jogadoras iniciarem o trabalho em boas condições, tudo irá mais rápido.

Qual a sua filosofia de trabalho? Quais as características de suas equipes?

Valorizo muito o coletivo. Num grupo de doze, todas devem somar. Umas jogadoras terão mais presença nos rebotes, outras nos pontos, algumas terão um papel mais especializado, mas a equipe é a essência de tudo. Quero compromisso de minhas jogadoras e que nossa equipe seja melhor a cada dia. É deixar de pensar em uma para pensar em todas.

A escola européia pode acrescentar alguma coisa ao jogo do Brasil?

Brasil sempre fez um jogo rico, atrativo, e jamais deve perder esse estilo. Talvez na Europa se trabalhe um pouco mais a continuidade do jogo, a força mental e a consistência defensiva. Se unirmos ambas as ideias será excelente.