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10/02/2010 - André Germano Vieira

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Exigente em quadra e brincalhão fora dela, o técnico André Germano volta à seleção brasileira comandando a mesma categoria que ficou com o vice-campeonato sul-americano no ano passado, na Colômbia. A dez dias da apresentação para a primeira fase de treinos, o treinador vem coroar a excelente fase que vive no ano em que comemora 17 anos de carreira. Considerado o melhor técnico do Campeonato Paulista (2006) e da categoria mirim (2002 e 2005), o técnico de 37 anos, pretende, mais uma vez, fazer com que a seleção brasileira sub-15 masculina se destaque no cenário internacional. Desta vez, a preparação será para o 23º Campeonato Sul-Americano, que será realizado de 5 a 9 de outubro, na Colômbia. A competição é classificatória para a Copa América – Pré-Mundial Sub-16 de 2011. Na entrevista, o técnico fala da alegria e orgulho de ter conquistado para o Brasil uma honrosa medalha de prata e da nova fase da seleção. Além da pretensão de conquistar a medalha de ouro este ano.

Você começou no basquete como jogador. Conte como foi.

Fui atleta antes de ser técnico. Joguei dos 17 anos até o primeiro ano da categoria adulta. Por causa de algumas lesões parei de jogar. Nesta fase, o técnico Marcos Tadeu (Mackenzie) me convidou para dar aulas nas escolinhas do Monte Líbano (SP), onde fiquei de 1993 a 2002. Depois passei pelo Espéria(SP), Círculo Militar (SP) e depois de 15 anos voltei ao Palmeiras (SP).
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Como foi sua formação como técnico?

Assim que eu decidi seguir a carreira de técnico procurei especializações na área. Tenho graduação em educação física e participei de cursos na Argentina, na Espanha, Itália e Estados Unidos. Na terra da NBA, acompanhei alguns treinamentos do Orlando Magic, em universidades na Flórida e Miami e alguns treinos de High School. Também participei de algumas clínicas da NBA e da Adidas. No momento, estou acompanhando, como assistente técnico, o Pepu Hernandez, técnico da seleção espanhola e atual campeão mundial, na Clínica All Sports & U1ST Sports Basketball Camp, que está acontecendo em São Paulo.

Seu novo desafio é levar a seleção masculina sub-15 ao título do 23º Campeonato Sul-Americano, na Colômbia. Como será a preparação do grupo?

É o segundo ano que comando a seleção sub-15 masculina e espero que tenhamos sucesso como da primeira vez. Durante duas semanas estaremos com a elite do basquete brasileiro desta categoria reunida na cidade do Rio de Janeiro. A expectativa é sempre muito boa e acredito que será um grupo com muita qualidade física. No primeiro momento, pretendo trabalhar conteúdos técnicos e observar a atuação dos jogadores para em seguida implantar os conceitos. Teremos bastante tempo para avaliar, treinar e lapidar os meninos, já que o Sul-Americano será na primeira quinzena de outubro. Será uma competição importante, porque é classificatória para a Copa América – Pré-Mundial Sub-16 de 2011.
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Por que de uma convocação com tantos atletas?

Fizemos a primeira convocação baseada nos Campeonatos Brasileiros de Base do ano passado, além da troca de informações com os técnicos das seleções de cada estado e do acompanhamento dos jogadores em seus clubes. Este ano estamos com uma programação bem antecipada em relação ao anterior. Na primeira fase, o objetivo será observar e analisar aspectos táticos e técnicos de cada atleta. Faremos também uma avaliação física de cada um, que será passada para o técnico do clube para que possam dar continuidade ao trabalho até a próxima fase. Procuramos separar os grupos de forma que tivessem representantes de todos os estados em cada um e conseguimos um resultado bem homogêneo.

Como é feito o acompanhamento quando acaba a fase de treinamento com a seleção?

Logo após a primeira fase de treinamentos, apresentamos para o técnico do clube de cada atleta uma planilha sobre o desenvolvimento do jogador com toda avaliação técnica, tática e física. Pensando em versatilidade, chamamos alguns técnicos para acompanharem os treinamentos, filmamos todas as fases de preparação e os vídeos são enviados aos técnicos para que tenhamos uma troca de informações. A CBB também promove constantemente clínicas para treinadores com o objetivo de padronizar, capacitar e habilitar os técnicos brasileiros.
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A seleção brasileira foi vice-campeã na edição do Sul-Americano em outubro do ano passado, também na Colômbia. Fale sobre essa experiência.

É muito bom representar o país em uma competição internacional. Procuro sempre passar isso para os atletas, para que saibam da responsabilidade que é vestir a camisa da seleção. No Sul-Americano fomos muito respeitados por todas as seleções. O relacionamento entre todos os atletas e comissão técnica foi excelente. A única parte dura foi a derrota na final. Você perder sabendo que poderia ganhar é muito ruim. Dominamos a partida durante os três primeiros quartos e no último, por falta de maturidade, nos demos por vencidos. Perdemos por uma diferença de 18 pontos (67 a 49). Mas fico muito contente que no meu primeiro trabalho junto à seleção conquistamos uma medalha de prata.

Causou surpresa para os outros países o vice-campeonato do Brasil?

A seleção brasileira é sempre muito respeitada e lá não foi diferente. Foi uma surpresa para o Uruguai ter perdido para a gente por uma diferença de 27 pontos (83 a 56). Acredito que a nossa maneira de jogo surpreendeu bastante, apresentamos uma defesa agressiva, marcando forte. A nossa falha foi na partida final, em que nos desconcentramos nos últimos quatro minutos de jogo e a Argentina dominou.
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O que faltou o para a medalha de ouro?

Fomos superiores até o final do terceiro quarto, conseguindo suportar o jogo de contato físico intenso e a velocidade do adversário. A partir daí, tivemos falhas no rebote defensivo (a Argentina ficou com 12 rebotes ofensivos) e erros de lances-livres (37% de aproveitamento). Perdemos para uma equipe que foi superior nos momentos decisivos da partida.

Diferente da última edição do Sul-Americano, este ano a competição será classificatória para a Copa América – Pré-Mundial Sub-16 de 2011. Você acha que aumenta a responsabilidade?

Sim. Acredito que as equipes virão mais fortes. A gente sabe que será difícil, mas isso nada mudará na nossa preparação. Nosso objetivo será ganhar o título, depois pensaremos na Copa América. Nossos treinamentos são fortes e continuarão em ritmo intenso. Tenho certeza que desta vez a medalha de ouro não escapa.

Cite alguns dos momentos inesquecíveis da sua carreira.

O meu primeiro título comandando uma equipe foi um grande momento para mim. Foi em 1997, no Campeonato Paulista Mirim e eu dirigia o Clube Espéria (SP). Tenho outros orgulhos na minha carreira, como o Marquinhos de Sousa e o Leandrinho Barbosa, que foi meu atleta quando tinha 15 anos. Mas definitivamente, o último título é sempre o mais importante, porque está mais fresquinho na memória.
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Quais são os planos para o futuro?

Penso muito em curto prazo. Estou no comando da seleção brasileira sub-15 e do Palmeiras (SP). Conseguir conciliar os dois com produtividade, eficiência e responsabilidade é o meu atual projeto. Em longo prazo, pretendo continuar me atualizando e aperfeiçoando para um dia chegar numa seleção adulta.

O que é preciso para formar bons jogadores no Brasil?

Vários fatores são importantes. O basquete é um esporte que forma, capacita e qualifica. O atleta precisa ter as qualidades físicas essenciais para a modalidade e ser muito dedicado aos treinos durante toda a vida de jogador. Toda pessoa que se torna um atleta precisa, desde o início, de condições de treino técnico, tático e físico adequado para a sua idade. E, principalmente, pensar como escola, incorporar os estudos na rotina treinamentos diários.

Deixe uma mensagem para os iniciantes no basquete.

Primeiro é preciso saber que a rotina de um atleta não é fácil. Tem que ter esse pensamento e energias voltadas para o esporte. Abrir mão de muitas coisas que os outros amigos farão e você não poderá, pois precisará acordar cedo, treinar e ter uma vida saudável. De forma global, também é preciso estudar e, principalmente, acreditar na sua própria capacidade. O respeito entre colegas de equipe é outro aspecto importante, além disso, ser dedicado ao máximo.