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13/01/2010 - Andreza Almeida

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A brasiliense Andreza Almeida, de 30 anos, mal acreditou quando recebeu a notícia de que tinha sido aprovada pela FIBA Américas para se tornar árbitra internacional. A prova foi em São Paulo, em outubro de 2009, e, um mês depois, já estava trabalhando numa competição fora do Brasil. O 16º Campeonato Sul-Americano Sub-15 Feminino, no Equador, foi sua estreia. Mas se depender de dedicação e perseverança, Andreza promete ir muito mais longe. O curso de arbitragem, que serviria apenas para agregar conhecimento, virou profissão séria. Andreza começou a apitar profissionalmente em 2006, quando participou do Campeonato Brasileiro de base e das Olimpíadas Escolares. No mesmo ano, arbitrou pela primeira vez o Campeonato Nacional Feminino e se tornou árbitra nacional. Andreza também foi uma das primeiras mulheres a apitarem o Nacional Masculino, em 2007.
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Como começou a carreira?

Comecei sem querer. Quando eu tinha uns 16 anos, saí de Brasília e fui jogar basquete em Piracicaba (SP), mas tive uma lesão grave no joelho e não pude continuar como atleta. Voltei para Brasília e resolvi fazer faculdade de Educação Física. Um dia, caminhando pela universidade vi o cartaz do curso da CBB que visava descobrir novos talentos. Resolvi tentar, mas sem nenhuma pretensão de seguir carreira, apenas para aprender. Quando terminei o curso, comecei a apitar Campeonatos Brasileiros de base e as Olimpíadas Escolares e nunca mais parei.

O ano de 2006 foi de muitos acontecimentos para você. Como foi?

Tudo aconteceu muito rápido. Em 2006, iniciei na carreira como árbitra regional, estreei no Nacional Feminino e fiz a prova para me tornar árbitra nacional. Foi um ano bastante marcante e de muitas alegrias. Todo árbitro regional almeja atuar numa competição nacional. E eu fui escalada para a partida Fluminense x Santo André, válida pelo brasileiro. O jogo foi televisionado ao vivo para todo o Brasil, outra surpresa para mim.
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E a estreia como árbitra internacional?

Tornei-me árbitra internacional em outubro de 2009 e no final de novembro apitei pela primeira vez fora do Brasil. Foi em Portoviejo, no Equador, no 16º Campeonato Sul-Americano Sub-15 Feminino, em que a seleção brasileira foi campeã invicta. Os dias que antecederam a competição foram de muita ansiedade e a expectativa era grande, mas foi bom e deu tudo certo.

O que representou pra você esse novo passo na carreira?

Representou uma conquista pessoal. Almejar algo e conquistar é muito bom. O sentimento é indescritível. Representar o nosso país numa competição internacional é algo fantástico.

Qual foi a maior dificuldade que você encontrou no Equador?

Com certeza, não foram os jogos. A maior dificuldade foi a adaptação a outra cultura e aos hábitos alimentares. Mas também teve a parte boa, que foi conviver com novas pessoas, em um país que eu não conhecia. E é claro o fato de o Brasil ter sido campeão.

Como foi apitar o Nacional Masculino em 2007?

A sensação de você estar subindo na sua profissão é algo muito compensador. Junto com a Flávia Almeida (PR), fomos as primeiras mulheres a apitarem o Nacional Adulto Masculino, e isso foi muito positivo para mim.
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Existe diferença entre arbitrar uma competição feminina ou masculina? Por quê?

Não tenho preferência entre trabalhar em uma partida feminina ou masculina, e nem acredito que existe muita diferença. Devido à força masculina, é claro que é um jogo que tem contato físico mais forte do que das mulheres. Mas, a responsabilidade é a mesma, apesar de a tendência ser de ter maior o desgaste no jogo masculino.

Você já enfrentou algum preconceito ao apitar um jogo masculino por ser mulher?

Nunca enfrentei preconceito. O Departamento de Arbitragem da CBB faz com que tenha bastante intercâmbio entre os Campeonatos. Além disso, as pessoas envolvidas no esporte já aceitam e respeitam bem mais o fato de mulheres apitarem em jogos masculinos.

Como você vê a arbitragem brasileira?

Hoje possuímos um grupo bastante seleto e de alto nível. A arbitragem brasileira também possui grandes representantes, como Carlos Renato dos Santos e Cristiano Maranho, que são árbitros de muito conhecimento e experiência. A FIBA hoje quer o basquete em todos os lugares do mundo. No Brasil temos o Geraldo Fontana, instrutor FIBA, que desenvolve um trabalho pela CBB atrás de novos talentos para a arbitragem brasileira. Nos Campeonatos Brasileiros temos todo um suporte em que discutimos e analisamos o que foi feito nos jogos. E o tutor online funciona 24 horas por dia. Esse suporte é importante para melhorar a qualidade dos próximos jogos.
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Teve algum árbitro que você mais gostou de trabalhar?

Tive o prazer de apitar com vários árbitros de ponta. Não teria nenhum especifico para destacar, pois com todos aprendi algo diferente.

Você considera alguma regra mais complicada de ser aplicada?

Para mim a questão do contato é o mais complicado. É preciso analisar em segundos se a punição aplicada será vantagem ou desvantagem, se fará o jogo fluir melhor ou não. Mas para não errar e cometer injustiça, assisto a muitos vídeos e presto muita atenção para ser a mais correta possível.

O que faz um bom árbitro?

Saber administrar o jogo é muito importante, e são vários fatores que influenciam. O árbitro precisa ter uma boa condição física, o lado emocional precisa estar em ordem. Além de saber as regras, mas principalmente saber aplicá-las.
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Qual a partida mais difícil que você já apitou? Por quê?

Nunca tive problemas em nenhuma partida que apitei. Mas com certeza a mais difícil foi a semifinal que arbitrei em Portoviejo, no Equador, entre Argentina e Equador. A equipe que ganhasse disputaria a final contra o Brasil pelo Sul-Americano Sub-15 Feminino. Foi muita pressão, a Argentina ganhou nos últimos minutos por dois pontos.

Assim como os atletas, os árbitros devem estar sempre bem fisicamente. Como é a sua rotina de treinamento?

Como professora de educação física, dou aula na Universidade Católica de Brasília e no Clube União. Em ambos os lugares possui academia de ginástica que posso usar. Tenho um programa de aulas nos períodos da manhã, tarde e noite. Nos intervalos fujo para a academia. Além disso, procuro fazer corrida todo dia de manhã.

Qual sua função na Federação de Brasília?

Meu trabalho na Federação é na área técnica. A Federação aqui tem um esquema muito interessante, onde os técnicos é que montam seus jogos, depois eu preparo a tabela. Adoro estar por dentro dessa preparação técnica.

Que outras atividades ocupam seu tempo?

A minha vida é muito corrida. Além das aulas que ministro todos os dias também faço curso de inglês para ficar atualizada. Sempre que dá, nos fins de semana e se estou em Brasília, saio com as amigas para bater papo e me distrair.

Você é muito vaidosa?

Sou vaidosa na medida em que toda mulher é um pouco. Como esportista, uso muito tênis e quando uso sapato de saltos acabam me machucando. Mas sempre tento estar agradável aos olhos das pessoas, passando pelo menos um batom.

De que maneira sua família influencia na carreira de árbitro?

Tenho 30 anos e ainda moro com meus pais, e sou muito feliz com a família que tenho. Toda a vida eles me motivaram a ir atrás dos meus sonhos. Apesar de meu pai não entender muito as regras do basquete, sempre me acompanha nos jogos e torce por mim.