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30/11/2009 - Thamara Silva de Freitas

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Thamara Silva de Freitas. Guarde bem este nome, porque ele pode ser decisivo para o basquete brasileiro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Com apenas 15 anos, a pivô de 1,85m vem garantindo seu espaço na seleção brasileira. No 16º Campeonato Sul-Americano Sub-15, realizado no Equador, Thamara desequilibrou e foi uma das responsáveis pela conquista do título. A jogadora foi a reboteira da competição com a média de 7.0 (42 no total), a segunda cestinha com 19.0 (114) e a segunda nos bloqueios com 1.0 (6). Carioca da gema, a pivô começou a jogar basquete no Fluminense e, atualmente, defende a equipe da Mangueira.

Qual a emoção do primeiro título pela seleção brasileira?

Não tenho como descrever o que significa ser campeã, ainda mais com uma vitória sobre a Argentina. É uma sensação única e maravilhosa. Espero repetir essa experiência muitas e muitas vezes. Ano passado, fui vice-campeã sul-americana, o que me motivou a treinar cada vez mais forte para buscar o primeiro lugar. Agora que conseguimos o título, fico mais motivada ainda a ganhar mais e mais títulos.
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O que achou da competição?

Foi um campeonato bem equilibrado. Tivemos um jogo difícil contra a Colômbia. A gente deu muito mole, erramos coisas bobas, o que permitiu uma reação do adversário que quase nos custou a vitória. Outra partida em que nos complicamos foi a última, contra a Argentina. Estávamos bem, nos mantendo a frente no placar. Infelizmente, me lesionei, no terceiro quarto. Formamos um grupo muito unido e as meninas sentiram a minha ausência. Foi quando a Argentina encostou e passou a frente. Ficar no banco, vendo as argentinas ganhando da gente sem poder fazer nada foi um dos piores momentos para mim na competição. Mas eu acreditava no time, assim como todas, e revertemos a situação. Conquistamos o título no finalzinho do jogo.

Qual o ponto forte do Brasil no Sul-Americano?

Acho que a união do grupo foi fundamental para ganharmos o título. Estávamos todas muito focadas em ganhar. Perder não era uma possibilidade para nós. A vontade de ganhar era muito grande e isso nos fortaleceu e nos uniu a cada treino e a cada jogo. Com um bom jogo coletivo, trabalhando bem no ataque e defendendo forte, derrubamos um adversário por vez e depois foi só comemorar bastante o nosso título.
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O que achou de Portoviejo?

Não deu tempo para visitar a cidade, mas pelo pouco que pude ver, achei muito bonitinha. A única coisa contra é que tinha muitas baratas, mas muitas mesmo. Elas estavam em todos os lugares e eu odeio baratas, são muito nojentas.

Você foi um dos destaques do Brasil e do campeonato. O que achou da sua participação?

O meu desempenho individual foi resultado do trabalho de equipe. Sem a ajuda das minhas companheiras, eu não poderia fazer nada. O mérito é de todas nós, que treinamos e lutamos por cada vitória. Fico muito feliz por conseguir ter uma boa atuação nos jogos e ajudar o Brasil a conquistar mais um título.

Você foi vice-campeã o ano passado. O que melhorou de lá para cá?

Ano passado tínhamos a responsabilidade de classificar o Brasil para a Copa América. Depois que garantimos a vaga, acho que a equipe relaxou e acabamos perdendo o foco do título. Este ano, começamos a treinar em junho já pensando no troféu de campeã. Acho que isso acabou nos deixando mais livres este ano.
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Como foi treinar com a técnica Janeth?

Foi uma experiência maravilhosa. No início fiquei um pouco intimidada pelo que a Janeth representa para o basquete. Não só eu como todas as meninas. Eu, pelo menos, me sentia na obrigação de fazer tudo certo, quase perfeito. Aos poucos fui deixando isso de lado, porque a Janeth sempre fez questão de dizer que estava começando, assim como nós. Isso nos deixou mais tranquilas e, com a convivência, acabou que o ídolo deu lugar a técnica.

Basquete sempre esteve nos seus planos?

Um amigo da minha mãe, que é como se fosse meu tio, dava aula no Fluminense e me levou para fazer um teste na escolhinha de basquete de lá. Passei e fiquei no clube até que eles acabaram com o basquete feminino. Participei da peneira da Mangueira, passei e estou lá até hoje.

Se não for atleta, o que gostaria de ser?

Não consigo me ver longe do basquete. Jogar é a minha vida, mas também quero fazer faculdade. Pretendo cursar Direito, mas meu objetivo mesmo é seguir a carreira de jogadora. Quem sabe chegar onde a Janeth chegou.
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Qual a parte mais legal de ser atleta?

Gosto das viagens, de fazer novas amizades. Com o basquete conheci pessoas de outros estados do Brasil e de outros países. Muita gente pode achar chato, mas treinar é uma das melhores partes de ser atleta. É no treino que a gente aprende, melhora. É o treino que nos garante no jogo, por isso que eu adoro. Quanto mais eu treino, mais eu melhoro e mais chances eu tenho de estar em quadra, brigando pela vitória.