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13/11/2009 - Cíntia Silva dos Santos

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O Campeonato Nacional de Basquete Feminino (CNBF 2009), que começa neste sábado, traz de volta a pivô Cíntia Santos, que defenderá o VivoSabor/Unimed/Folhamatic/Americana (SP). A atleta, de 34 anos, jogou apenas a primeira edição do Nacional, em 1998, quando foi vice-campeã pelo BCN/Osasco. Cintia conquistou ainda o bicampeonato paulista por Americana (2003) e Ourinhos (2004), última vez que atuou em um clube no Brasil. Animada com o retorno, Cíntia treina em ritmo intenso para colocar mais conquista em seu currículo, que conta com um título mundial (Austrália/1994), duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta/2000 e bronze em Atenas/2004), além do tetracampeonato sul-americano (1993,1995, 2003 e 2006). A pivô se despediu da seleção brasileira em 2006, quando ficou em quarto lugar no Mundial Feminino, disputado em São Paulo.

Como é estar de volta ao Brasil?

Motivador. Será a primeira competição depois de onze anos fora, que eu vou disputar desde o início no Brasil. A minha única experiência em Nacional, foi em 1998, quando joguei a fase final pelo BCN. Agora estou em Americana desde a fase de preparação, o que é muito legal. Reencontrei colegas de seleção brasileira como a Adriana Santos, Flávia Luiza e Karla, além de conhecer meninas novas.
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E o que acha da nova geração de Americana?

É uma geração boa a ser trabalhada. O fato de algumas juvenis treinarem com a gente e participar do Campeonato Nacional é ótimo para dar experiência para esse grupo que está começando.

Como é a sua relação com as mais novas?

De respeito e descontração. Procuro ajudar sempre, dou até bronca, mas também brinco. Meu contato maior é com a Fabi, que é pivô. Ela finalmente encontrou alguém muito alta para treinar embaixo do garrafão. Isso cria dificuldades que são úteis para melhorar o jogo dela.

Quais as expectativas para o Nacional ?

As melhores possíveis. Queremos o título e o grupo está treinando em ritmo muito forte para isso. Estamos nos adaptando bem ao esquema tático proposto pelo técnico Zanon e ganhando entrosamento.

O técnico Zanon dirige uma equipe feminina pela primeira vez. Como é trabalhar com ele?

Muito bom. Na Itália, tive três técnicos vindos de times masculinos e já estou acostumada. Ele conversa bastante com o grupo e já estou me sentindo em casa. Acho que o mais difícil para o técnico nessa mudança é se adaptar ao mundo feminino, mas o Zanon está se saindo bem.
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Que balanço faz de sua trajetória fora do país?

Nossa, foi um aprendizado de vida. Achei que seria mais fácil por morar fora de casa desde os 15 anos. Mas em outro país foi tudo muito diferente e mais complicado do que imaginei. A gente tem que aprender a se adaptar às diferenças culturais, sem perder a personalidade. Além disso, joguei os principais campeonatos do mundo (WNBA, Euroliga, Espanhol e Italiano), o que me deu uma experiência dentro de quadra fantástica.

O basquete te levou a vários lugares do mundo. Qual te chamou atenção? Quais idiomas o basquete te ensinou a falar?

Para morar, a pequena cidade de Treviso, primeira em que morei na Itália, é maravilhosa. Também adoro Roma, com aquela arquitetura antiga que é maravilhosa. Como turista, adorei a Grécia e Sydney, na Austrália. O basquete me levou a quatro continentes ao redor do mundo, só falta a África. Com as minhas andanças pelo planeta, aprendi italiano, espanhol e inglês.
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Você participou de três Olimpíadas, conquistando duas medalhas e um quarto lugar. O que isso representa na sua vida?

Me sinto uma pessoa muito privilegiada. Olimpíada é o sonho de qualquer atleta e tive a oportunidade de estar em três e aproveitei bastante. Também foi muito bacana acompanhar gerações diferentes nesses doze anos. Em Atlanta (1996) era muito novinha, já era campeã mundial e foi um sonho jogar uma Olimpíada com Paula, Hortência e Janeth. Em Sydney (2000) e Atenas (2004) estava bem mais experiente, atuei como titular e pude ajudar mais o grupo.

Você foi recentemente homenageada pela conquista do título mundial de 1994, em Cuiabá. Como foi o reencontro com a turma?

Demais. É muito bom ser lembrada. O título de 1994 foi um marco na história do basquete brasileiro e não pode ser esquecido. Foi uma alegria imensa rever pessoas como o Sérgio Maroneze (assistente técnico) e o Raimundo Donato (chefe de delegação). Sem falar nas meninas claro. Colocar o papo em dia, ver fotos de filhos etc. O legal é que, do grupo que esteve em Cuiabá, todas ainda estão trabalhando com esporte de alguma forma.
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Você se lembra da primeira vez que jogou basquete?

Como se fosse ontem. Tinha onze anos. Minha irmã mais velha, Andréia, jogava basquete. No carnaval de 1986 encontramos o técnico dela na rua e ele, impressionado com a minha altura, perguntou se eu queria jogar. Um dia, fui na escolinha com ela e o professor me ensinou a fazer uma bandeja. Peguei a bola e fiz. Nossa, me encontrei. Amei o jogo e não parei mais.

E a primeira convocação para seleção, como foi?

Tinha 15 anos. Uma amiga, Rosana, cismou que eu seria convocada para a seleção juvenil daquele ano e eu não levava fé. Um dia, em casa, recebi a notícia de que havia sido chamada. Foi a glória. Senti uma alegria e ansiedade alucinantes. Três anos depois, cheguei na adulta e foi outra felicidade jogar com ídolos que via na TV.

Você está com 34 anos. O que te dá motivação para continuar em quadra?

Gosto de basquete e amo competir, vencer e ir além do meu limite. Superei muitas dificuldades com o basquete e ele me ensina constantemente a crescer, profissional e pessoalmente.