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21/08/2009 - Anderson Varejão

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Anderson Varejão está colhendo os frutos de muito trabalho, talento e maturidade no basquete. Por isso hoje, aos 26 anos, é um dos destaques da seleção brasileira adulta masculina e do Cleveland Cavaliers, da NBA. Agora todos os esforços desse ala/pivô de 2,11m estão voltados para a Copa América/Pré-Mundial de Porto Rico, que começa nesta quarta-feira (dia 26), onde buscará uma das quatro vagas para o Mundial da Turquia de 2010, além do título da competição. O início da trajetória para alcançar esses objetivos foi ótimo. O Brasil conquistou invicto a Copa Tuto Marchand, vencendo Argentina, Porto Rico e Canadá. Em três partidas, Varejão anotou 44 pontos, 24 rebotes e cinco assistências. O bom rendimento da equipe deixa Anderson otimista, mas com os pés no chão, ciente que a disputa será acirrada. Há dois anos afastado da seleção brasileira, o atleta capixaba confessa a saudade de defender o país e afirma que o grupo é talentoso e está preparado para encarar o novo ciclo olímpico, que começa com a Copa América.
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Qual a expectativa para a Copa América?

Com certeza, é a melhor possível. Estão em jogo quatro vagas para o Campeonato Mundial da Turquia, em 2010, e isso já é o suficiente para dizer que a Copa América vai ser muito difícil e disputada. Temos um rival muito tradicional na chave, que é a Argentina, além da República Dominicana, que vai ter o reforço de três jogadores que atuam na NBA, e Porto Rico, pela tradição e por jogar em casa. Vamos pensar jogo a jogo, a começar pela seleção dominicana, nosso adversário na estreia (dia 26 de agosto).

Como tem sido o ambiente na seleção brasileira?

Estava com saudade da camisa amarela. Tive problemas nos últimos dois anos que me impediram de defender o Brasil. O importante é que estou pronto, muito motivado e confiante no grupo que temos. Estamos fortes e todos focados no mesmo objetivo. Tivemos um bom tempo para trabalhar e aproveitamos muito bem esse período. A pressão faz parte do esporte. Estamos começando um novo ciclo olímpico e a primeira etapa é classificar para o Mundial.
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O que você tem a dizer da experiência de trabalhar com o Moncho?

Com certeza, o fato de ter jogado três temporadas na Espanha e conhecer o idioma ajuda bastante. Mas o mais importante é a filosofia de trabalho que ele está implantando na seleção. Todos os jogadores estão empenhados em assimilar e colocar em pratica. Isso fortalece ainda mais a união do grupo. Somos muito amigos dentro e fora da quadra.

À distância, como você tem acompanhado o fortalecimento do Campeonato Brasileiro de clubes, com a consolidação do NBB?

Toda vez que há mudanças, a esperança é de melhora e de crescimento. E é assim que eu vejo a criação da Liga Nacional de Basquete e do Novo Basquete Brasil. O esporte voltou a aparecer na mídia, os patrocinadores estão investindo mais, tivemos bons jogos e o público esteve presente nos ginásios. Tenho certeza de que a cada ano a competição irá melhorar o seu nível técnico e em pouco tempo o NBB será uma referência.

Você saiu rapidamente do basquete brasileiro. Acha que se houvesse uma melhor organização nos bastidores do esporte, atletas como você ficariam mais tempo por aqui?

O basquete brasileiro precisa de um trabalho sério e de todos focados nos mesmos objetivos. Temos talentos, jogadores e técnicos de ótimo nível, atletas atuando nos principais países, um esporte de muita emoção e muito apelo para o público. Sei que existe um grande esforço e profissionalismo da nova administração da CBB para melhorar a estrutura nacional. Somente com união de todos os segmentos é que vamos conseguir reerguer o nosso esporte.
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Na sua opinião, quais foram os motivos que levaram o Cavaliers a perder a disputa para o Magic nas semifinais da NBA, quando o time de Cleveland era favorito?

Fizemos um bom trabalho na temporada 2008/2009, colocamos em prática tudo o que treinamos e planejamos. Essa questão de favoritismo é relativa. Favoritismo não vence jogo e cada partida do playoff é uma decisão. Fizemos a melhor campanha na temporada regular e ganhamos os dois primeiros playoffs por quatro a zero, contra o Detroit Pistons e o Atlanta Hawks. Perdemos a série para o Orlando porque eles tiveram seus méritos.

Como é conviver com o LeBron James, uma das maiores estrelas do esporte nos EUA?

Um privilégio. LeBron não é apenas o melhor jogador do mundo. Ele é um grande companheiro, um exemplo para nós e para os fãs. Ter ele ao lado só facilita. É muito melhor ter ele ao lado do que ter de enfrentá-lo. LeBron é um fora de série, mas é um amigo também. Um cara simples e que merece o sucesso que alcançou.

Quais são as perspectivas dos Cavaliers para a temporada 2009/10? A luta pelo título continua uma meta real, certo?

Todos sabem da capacidade da nossa equipe e a chegada do Shaquille O’Neal traz experiência, qualidade e mais força ao nosso grupo. Ele vai se entrosar rápido com o nosso estilo e com o LeBron. O Shaq vai se encaixar como uma luva na equipe e chegou para fazer do Cleveland um time ainda mais poderoso.
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Quais seus planos para o futuro? Você tem apenas 26 anos - ou seja, muita lenha para queimar no basquete profissional. Quer permanecer nos EUA por muito tempo? Ou já vê uma volta para o Brasil, ou mesmo outro país?

Estou muito feliz porque minha vontade era permanecer em Cleveland. Estou adaptado à cidade, adaptado ao time e adoro os torcedores. Nunca me imaginei longe dos Cavs e o que eu mais queria era renovar, ficar onde me sinto em casa. Tenho uma relação muito legal com os torcedores, que foto e, quando entro em quadra, dou sempre o meu máximo. Quero voltar ao Brasil, mas não é um plano para agora. E também não é um plano para encerrar minha carreira. Quero voltar a jogar no país, mas para jogar em alto nível.