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13/08/2009 - Alessandra Oliveira

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Alessandra Oliveira já conheceu o mundo inteiro jogando basquete. Mas a felicidade hoje é a de voltar para casa. A pivô de 36 anos retornou à seleção brasileira para treinar rumo à Copa América / Pré-Mundial de Cuiabá (23 a 29 de setembro). A última vez que vestiu a camisa verde e amarela foi no Campeonato Mundial do Brasil, em 2006. Com quase duas décadas de carreira, a atleta de 2,00m exibe animação de iniciante com um grupo que junta ex-companheiras de conquistas e uma nova geração que se inspira na garra e no talento de Alessandra para defender o Brasil, ser campeão da Copa América e garantir a vaga para o Mundial do ano que vem, na República Tcheca. Dona de um título mundial (Austrália/1994) e duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta/96 e bronze em Sydney/2000), Alê acumula, além de conquistas, inúmeros vistos em seu passaporte. A atleta já jogou na Itália, Rússia, Estados Unidos, Coréia Eslováquia, Hungria, Espanha. Na temporada 2008/2009, Alessandra foi peça importante na equipe do Bourgues, campeão da Liga Francesa e da Copa da França. O talento e a técnica dessa brasileira encantaram uma das melhores jogadoras da atualidade: a australiana Lauren Jackson, campeã mundial (Brasil/2006) e medalhista olímpica, afirmou que a pivô brasileira é uma das melhores do planeta e mais difíceis de serem marcadas. Tanta fama e reconhecimento não abalam o jeito brincalhão e simples dessa recém-casada, que sonha em morar no Rio de Janeiro e adora cozinhar.
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Como é a alegria de voltar à seleção?

É emocionante estar na seleção. É uma conquista e tanto chegar aos 35 anos e ainda ser uma peça útil para o time brasileiro. Estou feliz com mais essa oportunidade e a disposição para ajudar no que precisar, pois quando entro em um projeto, é de cabeça, corpo e alma, se não, ficava em casa.

Você e a armadora Helen representam a experiência do time. Como é isso?

Essa mistura de juventude e experiência é muito interessante. Conviver com gerações diferentes é muito enriquecedor. São outros valores, estilos de vida que proporcionam uma interessante troca de experiências. Essa geração sabe mais do que eu sabia quando tinha meus 20, 25 anos. Na França, joguei com uma atleta de 15 anos. Tinha idade para ser minha filha e foi ótimo. Uma das minhas melhores amigas na Europa tem 19 anos e me sinto muito bem perto de gente mais jovem.

Qual o segredo de chegar aos 35 anos jogando um basquete de alto nível?

Não parar nunca e levar tudo com amor e responsabilidade. Estou acostumada a não ficar parada nas férias européias, que duram quase quatro meses. Faço musculação, vou a campings no mundo inteiro para me aperfeiçoar e procuro aprender sempre. Para vir para a seleção, fiz um trabalho diferenciado, musculação e treino com bola com time masculino. Nunca começo uma temporada do zero, seja clube ou seleção.

É complicado ser treinada pela Janeth, sua ex-companheira de seleção?

Complicado não, mas é um pouco engraçado, vou me acostumando com a idéia. Ela é ótima, tem sempre boas dicas para dar. A seleção ganha muito tendo no banco uma das melhores jogadoras do mundo.
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Como foi sua temporada no Bourges, da França?

Maravilhosa. Consegui ajudar o time a cumprir dois de seus objetivos, que foram os títulos da Liga Francesa e o da Copa da França. Infelizmente, não chegamos ao Final Four da Euroliga, perdemos no primeiro mata-mata (oitavas-de-final). São coisas que acontecem.

É verdade que você gosta de cozinhar?

Adoro. É um ótimo hobby. Gosto muito de fazer comida brasileira e italiana. Já estou craque em pasta (massa) e pestos (molhos). Vivo inventando ingredientes novos para que a macarronada fique sempre diferente e cada vez mais gostosa.

A australiana Lauren Jackson disse que você é uma das pivôs mais difíceis de marcar no mundo. E para você, quem te dá mais trabalho embaixo do garrafão?

Primeiro deixe eu retribuir o elogio da Lauren. É umas das melhores do planeta hoje e marcá-la bem não é tarefa para qualquer uma, não. Além dela, vou citar uma americana que joga na Rússia, que é fenomenal e dá um trabalhão para qualquer defesa adversária: Sylvia Fowles. Ela tem apenas 20 anos, enterra e será um dos grandes nomes daqui para frente.
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Como está a vida de recém-casada?

Corrida. Mas graças a Deus tenho um marido que também é atleta, me entende e me deu todo o apoio quando decidi me apresentar à seleção. Ele está na minha casa em São Paulo e teremos que nos contentar com as folgas. A sorte é que ele gosta muito do Brasil, ama futebol e fica ligado na TV e internet para saber as notícias sobre o Corinthians, seu novo clube do coração.

Quais seus planos para a próxima temporada? E para um futuro mais distante?

Por enquanto estou absolutamente focada no meu trabalho na seleção. Por mim, só penso em voltar para algum clube em janeiro. Até lá, seleção, férias e lua de mel com maridão. Quanto aos próximos anos, gostaria de voltar a jogar no Brasil, principalmente no Rio, mas sei que está difícil. Meu sonho é comprar um apartamento em Ipanema. Penso em alguns projetos para quando me aposentar, mas no tempo certo falarei sobre meus planos.