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24/07/2009 - Dr. Carlos Vicente Andreoli

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Com a administração do presidente Carlos Nunes, o Departamento Médico da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) sofreu uma reestruturação e o Dr. Carlos Vicente Andreoli é o médico das seleções brasileiras femininas e masculinas. Antes, Andreoli chefiava apenas as equipes masculinas. Com a nova filosofia de trabalho, a área médica da entidade dispõe do prontuário eletrônico HI Doctor e de novos aparelhos de fisioterapia. Outra novidade é a presença de nutricionistas, que acompanham as seleções adultas. Também está sendo feito, em caráter ainda experimental, um trabalho com uma psicóloga na categoria de base feminina. Nessa entrevista Andreoli fala sobre doping, as principais lesões no basquete e como preveni-las.

Qual a importância dos exames pré-temporada?

As avaliações cardiológica, bioquímica, ortopédica e fisioterápica têm sido rotina nos últimos anos para avaliar os jogadores como um todo. Dessa maneira, atuamos na prevenção ou tratamento desde o início. A presença da nutricionista este ano auxiliará para atender a necessidade dos atletas que tem que ganhar ou perder peso. Este ano, os atletas tiveram algumas semanas de férias, diferente do ano passado, quando iniciamos o treinamento direto do Campeonato Brasileiro Masculino e do Paulista Feminino. A carga e a intensidade de treinamento procura respeitar este retorno gradual aos treinos, visando atingir o ápice na Copa América de Porto Rico (26 de agosto) e de Cuiabá (23 de setembro).
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Cite as lesões mais comuns no basquete. Por que elas acontecem?

Dentro das lesões agudas, as de joelho (cruzado anterior e menisco) são as que provocam maior morbidade (cirurgia) e períodos longos de afastamento, que fica em torno de um a seis meses (no caso da lesão do cruzado anterior). Ao contrário do que parece, muitas dessas lesões ocorrem sem contato com outro atleta, em um lance de desequilíbrio. As entorses de tornozelo são as lesões mais frequentes, normalmente após o contato com o pé do adversário. A maioria melhora com um tempo de reabilitação adequado e utilização de proteção (tornozeleira, bota de esparadrapo). Dentre as lesões crônicas, as tendinites patelares, as lesões de cartilagem do joelho e as lombalgias são as mais comuns. Na seleção brasileira, devido ao período de duas a três semanas de treinos, atuamos de maneira profilática, evitando que os sintomas se acentuem por meio da fisioterapia. As dores crônicas em ombro, cotovelo e quadril não são comuns no basquete.

Qual o processo ou tratamento para prevenir essas lesões e eventualmente a cirurgia?

A manutenção do condicionamento físico, fortalecimento muscular e os exercícios de propriocepção durante os treinamentos são fundamentais para prevenir lesões. Evitar jogos no mesmo dia ou em dias seguidos (comuns em categorias de base). Isso acontece, muitas vezes, com o melhor jogador do time. Para cada tipo de lesão precisamos diagnosticá-la da maneira mais precisa (graduá-la), pois o tratamento e o tempo de retorno do atleta à prática esportiva podem ser diferentes.
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A prevenção é a meta da medicina esportiva, mas muitos atletas ainda não adquiriram o hábito de procurar os médicos. Como deve ser esse processo?

Atualmente atuo como coordenador da residência médica de medicina esportiva na UNIFESP-EPM. Nos ambulatórios observamos vários atletas que só procuram auxílio após uma lesão. Deve ser rotina para todas as equipes a avaliação pré-temporada, a presença de preparador físico e uma equipe de reabilitação ligada ao time.

Como é a estrutura da área médica nas seleções brasileiras?

Nos últimos anos, a CBB é uma das únicas confederações que mantém, em todas as categorias (base e adulto) e em todos os treinos, a presença de médicos e fisioterapeutas. A composição atual é de quatro médicos e seis fisioterapeutas na seleção masculina e seis médicos e cinco fisioterapeutas na seleção feminina. Atualmente, a equipe adulta feminina possui uma médica ginecologista que está fazendo um trabalho com as atletas, com palestras e avaliações. A atuação durante o período de treinamento e competição da seleção é diferente do trabalho no clube. O atleta atua pelo clube de oito a dez meses e na seleção de 30 a 45 dias. A equipe médica atua com medidas preventivas, no tratamento de atletas com lesões crônicas e nas lesões agudas, procurando diagnosticar e resolver da melhor maneira possível. Com a nova administração houve a compra de novos equipamentos de fisioterapia e de preparação física, o que ajudará muito na reabilitação dos atletas.
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A CBB dispõe de um histórico dos atletas na seleção brasileira? Como ele funciona e é atualizado?

Desde 1º de junho todos os dados coletados (histórico dos atletas, lesões) são transferidos para o HIDOCTORNET. É um prontuário eletrônico que pode ser acessado por todos da equipe médica e fisioterápica, inclusive com a inclusão de imagens de raio-x e ressonância magnética. Isto permite o acesso diário ao que está acontecendo. Por exemplo, a seleção sub-19, que está na Tailândia, tem diariamente o prontuário preenchido com dados relevantes ocorridos e podemos saber se alguma atleta está afastada e que tipo de tratamento está sendo realizado.

O doping passou de fantasma para realidade no esporte. Como o departamento médico da CBB trata essa situação?

Como sempre, a prevenção é a melhor forma (palestras, informações no site). De maneira prática, em 2008, todos os atletas da seleção brasileira foram testados e orientados. Este ano será realizado novamente depois da avaliação dos atletas após a apresentação. Os casos duvidosos são encaminhados à FIBA para análise.

Qual a importância de ter uma nutricionista na preparação da equipe adulta e quando vai ser estendido para a base?

O trabalho das nutricionistas já está em andamento, uma na seleção feminina (Mirtes Stancanelli) e outra na masculina (Fernanda Cassulo). A avaliação da composição corporal, questionários pessoais de alimentação, orientações de hidratação e uso de suplementos são as metas nesta primeira etapa. O projeto nutricional será estendido para as categorias de base. Muito desse trabalho está sendo possível pelo apoio total da nova administração da CBB. A adoção do trabalho com psicologia foi iniciado nas categorias de base. Para a seleção adulta estamos analisando a melhor forma de realizá-lo.