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08/07/2009 - Maria do Carmo Mardegan Ferreira – Macau

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Uma referência como treinadora e formadora de atletas na atualidade, Maria do Carmo Mardegan Ferreira está há 30 anos no basquete. Dez deles dedicados a função de técnica de categorias de base femininas, revelando para o país talentos como Iziane, Érika, Flávia Luiza, entre outras. Além do trabalho no Finasa/Osasco, Macau como é conhecida, é a assistente do técnico Luiz Cláudio Tarallo na seleção brasileira sub-19 feminina. A equipe, que está em Portugal, para os Jogos da Lusofonia (12 a 19 de julho), disputará o Campeonato Mundial da categoria, em Bangkok, na Tailândia, de 23 de julho a 2 de agosto. Além da seleção, Macau desempenha outras duas funções no time do Finasa/Osasco. É coordenadora técnica do basquete e dirige a equipe juvenil. Jogadora da geração de Paula e Hortência, Macau acumula lembranças e experiências do tempo de atleta, que usa para ajudar na formação de novos talentos na cidade de Osasco, onde mora e trabalha há sete anos. Na seleção brasileira, Macau está desde 2000 e, como assistente técnica, foi campeã sul-americana juvenil (2000 e 2004), cadete (2005) e vice-campeã mundial sub-21 (2003), entre outros títulos. Como técnica, Macau foi vice-campeã sul-americana cadete (2004).

Fale sobre sua trajetória como jogadora.

Comecei com nove anos, em Santa Rita do Passa Quatro, numa quadra perto de casa. Dos 16 aos 20 anos, joguei em Piracicaba, com as técnicas Maria Helena Cardoso e Heleninha Campos. Trabalhei também nas equipes de Araçatuba e Salto. Com 28 anos, encerrei minha careira na cidade em que comecei, Piracicaba, defendendo a UNIMEP, em 1993.
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Você era a marcadora da Hortência, hoje diretora do departamento feminino da CBB. Como era isso?

Nossa, eu e mais duas (Nádia e Carminha) nos revezávamos para marcar a Hortência. A estratégia era ficar em cima dela, cansá-la para que pontuasse o mínimo possível. Mas parecia que, quanto mais a gente defendia, com mais raiva ela ficava e fazia média de 30, 35 pontos. Quando começamos a marcar melhor as outras quatro jogadoras, passamos a ganhar algumas partidas.

Quais as jogadoras e técnicos que admira?

Paula e Hortência foram inesquecíveis. Sempre joguei contra a Hortência e pude ver a atleta magnífica que era. Já da Paula eu era companheira de time. Convivi com ela no dia-a-dia, sua dedicação aos treinamentos. São dois talentos raros e insubstituíveis. Sobre as técnicas que admiro, não posso esquecer a dupla Maria Helena e Heleninha. Comecei com elas tanto na minha carreira de atleta quanto a de treinadora. São profissionais que me inspiraram muito a ser a técnica que sou hoje.

E como se tornou técnica?

A partir de 1990, em Piracicaba. Dirigia o BCN e jogava na UNIMEP. Parei de jogar três anos mais tarde pois cheguei no meu limite, em que não conseguia mais conciliar bem as duas tarefas. Então, resolvi me dedicar exclusivamente à carreira de técnica.

Sempre na base?

Não. Entre 1997 e 2000 era a segunda assistente da Maria Helena Cardoso no time adulto do BCN/Osasco, mas voltei para a base e não saí mais. Me identifico muito com os jovens talentos e adoro formar atletas e ensinar. Acho mais gratificante do que simplesmente dirigir um time adulto.
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Como é o seu trabalho no Finasa, em Osasco?

Dirijo a equipe juvenil e coordeno o trabalho técnico em todas as categorias. Lá procuramos promover a transformação de cada pessoa usando o basquete. Se não fosse esse esporte, eu não teria saído da pequena Santa Rita e me tornado a profissional que sou. Não formamos só atletas. Costumo dizer que o importante não é ser uma jogadora grande e sim uma grande jogadora. Isso quer dizer ser grande fora da quadra. É ser pessoa de caráter, que valoriza ética, e que saiba respeitar a si mesmo e ao próximo. Trabalhamos com vôlei e basquete feminino e em agosto, vamos inaugurar o novo centro, com alojamento, refeitório, piscina, academia, duas quadras para treinos e um ginásio para jogos.

Qual a expectativa para o Mundial Sub-19?

Esperamos fazer uma boa primeira fase para levar bons resultados para a etapa seguinte. Fizemos uma boa preparação e a equipe está bastante comprometida com o objetivo de fazer bonito na Tailândia. Como a base do grupo está junta desde o Sul-Americano Sub-15, isso facilita muito o trabalho. Há um ótimo entrosamento entre as meninas e bastou uma semana de treinos para a equipe mostrar evolução.
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E como avalia o grupo?

Tenho um carinho muito especial por essa seleção. Estamos juntas desde a categoria sub-15 e é evidente o crescimento individual e coletivo. São meninas extremamente concentradas, que não se preocupam em aparecer, mas têm grande iniciativa. O grupo evoluiu a cada ano e esse crescimento e maturidade deverão ser muito bem aproveitados no Mundial.