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09/06/2009 - Eduardo Minuci

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Uma das promessas da nova geração do basquete brasileiro, Eduardo Guimarães Minuci, de 15 anos, se prepara em Osasco (SP) com a seleção brasileira sub-16 para a Copa América – Pré-Mundial, em Mendoza, na Argentina, de 17 a 21 deste mês. Filho do ex-jogador de Franca Fernando Minuci, que defendeu a seleção brasileira por 11 anos, Eduardo atua no mesmo time do interior paulista e, aos poucos, também constrói uma carreira de sucesso. Em 2008, conquistou a medalha de bronze no Sul-Americano de Guanare, na Venezuela, que garantiu a participação do Brasil na Copa América. A disputa agora será mais acirrada e vale três vagas no Campeonato Mundial Sub-17 de 2010. Mas nem a estreia contra os Estados Unidos tem assustado o jovem, que respira basquete desde a infância e encara todas as dificuldades com seriedade e determinação.
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Como estão os treinos em Osasco?

A parte física está bastante puxada, com treinos duas vezes por dia. Mas, dessa vez, estão nos exigindo muito também pelo lado psicológico. Temos que assimilar tudo muito rápido porque a viagem já está chegando.

Qual a sua perspectiva para a Copa América?

É o campeonato mais importante da nossa carreira até agora, porque pode marcar a nossa geração. Se conseguirmos a vaga no Mundial, mostraremos que o basquete brasileiro está sendo de fato reerguido. E isso é uma motivação a mais para o grupo. Claro que o objetivo maior é sempre o título, mas queremos garantir a vaga no Mundial.

A estreia contra os Estados Unidos assusta?

Não. Teoricamente, temos que ganhar de dois times: Porto Rico e Venezuela. Mas acreditamos que podemos ganhar dos Estados Unidos. Não estamos já encarando como uma derrota. Vamos com tudo para cima deles e, se vencermos, ficamos com moral no campeonato. No Sul-Americano (em 2008, na Venezuela), perdemos para a Venezuela nos detalhes. Conseguimos abrir dez pontos no final do segundo quarto mas, no terceiro, eles se organizaram e reverteram o placar. Mesmo assim, foi um jogo disputado até o final. Também erramos detalhes bobos contra a Argentina. Acredito que poderíamos ter ganhado dos dois.
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Já se sente um veterano de seleções brasileiras?

A gente acaba sabendo melhor como as coisas acontecem. Quem já veio no ano passado sabe, por exemplo, que não pode se preocupar tanto com os cortes. Tem que pensar em jogar, mostrar o melhor, e pode acontecer de ser cortado. Ser convocado e treinar com a seleção já é uma grande vitória.

Como foi a experiência do Sul-Americano da Venezuela?

Foi a minha primeira competição fora do país. Ganhei um pouco de experiência internacional, de jogar contra times de outros países, ver outros estilos de jogo. Quando você é um jogador que já foi para a seleção brasileira, tudo muda. É muito bom, você fica mais conhecido. Mas também não pode deixar isso subir à cabeça, tem de continuar concentrado e se esforçando muito.
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Qual o seu ponto alto em quadra?

Tento pensar sempre no coletivo. Isso significa não buscar o jogo só para você, mas ver qual é a melhor possibilidade para o time em cada momento. É marcar para que os outros possam fazer um bom arremesso, um passe, ou seja, privilegiar quem está em melhor condição. Tento me preocupar bastante com isso. E também em fazer bons arremessos.

Você também joga em Franca. Está seguindo os passos do seu pai?

Estou jogando em Franca por enquanto. Se aparecer uma boa oportunidade de jogar fora do Brasil, vou analisar. Não vale qualquer proposta, tem de ser boa. Mas, se for para ficar no Brasil, quero continuar em Franca.

Seu pai influenciou a sua decisão de se tornar jogador?

Ele sempre deixou que eu decidisse, mas desde pequeno vivi nesse mundo do basquete e fui gostando. Quando era menor, saía da escola e ia assistir aos treinos dele, ficava olhando, via muito na televisão também. Tinha festas na minha casa e eu fui conhecendo as pessoas do universo do basquete. Você acaba gostando e entrando, querendo fazer parte também.

Quem são seus ídolos no basquete?

Meu pai é o principal de todos. É uma honra para mim seguir a carreira dele, porque vejo o sucesso que ele alcançou e o tanto que ele ficou feliz com tudo o que conquistou.
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Na sua casa o assunto predominante é o basquete?

Temos outros assuntos, como qualquer família. Meus pais falam de trabalho, eu e meu irmão de escola, mas o principal é sempre o basquete. É o que mais se fala, com certeza. Até porque quando alguém puxa o assunto, é difícil parar. Então, as conversas sobre basquete são as que mais duram.

Como administrar treinos e escola?

Eu procuro me preocupar com uma coisa de cada vez. Enquanto estou com a seleção, me concentro no treinamento e depois, quando voltar, em recuperar a matéria que perdi. Não dá para vir para a concentração e ficar pensando na escola. Os problemas têm de ficar do lado de fora, porque atrapalham e podem diminuir o rendimento. Então, depois que acabar a competição eu me concentro na escola. Meus pais são bastante rígidos e me cobram bastante nos estudos. Eles querem que eu tenha outras oportunidades além do basquete.

Com todas essas atividades, sobra tempo livre?

Normalmente não sobra muito tempo. Quando sobra um pouco, eu aproveito para descansar, ver televisão, navegar na internet. Já tive namorada, agora não tenho mais. E, nos fins de semana, até consigo sair à noite.