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03/06/2009 - Marcos Fornies Benito

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Marcos Fornies Benito é um dos responsáveis por manter a arbitragem brasileira entre uma das mais respeitadas do mundo. Árbitro internacional desde 2001, Benito já atuou nos Campeonatos Sul-Americanos Cadetes Feminino (2005) e Masculino (2006), no Sul-Americano de Clubes Campeões (2005), na Liga Sul-Americana de Clubes (2007), no Mundial Sub-19 Masculino (2007) e na Liga das Américas de Clubes (2008). Convocado este ano para o Sul-Americano Sub-17 Masculino do Uruguai, que foi realizado entre os dias 25 e 30 de maio, Benito apitou vários jogos, inclusive a final, que teve um dos clássicos do continente: o confronto entre argentinos e uruguaios. Para alguns, uma partida difícil de administrar. Para Benito, nem tanto. Único brasileiro que já atuou no Campeonato Europeu (2006), o árbitro mostrou segurança, tranquilidade e experiência adquirida nos 19 anos de quadras do Brasil e do exterior.

O que achou do Sul-Americano Sub-17 Masculino, realizado na última semana na cidade de Trinidad, no Uruguai?

Foi uma ótima competição. Apitei a final entre Argentina e Uruguai. O jogo foi de uma qualidade muito boa, mas os argentinos tinham mais time e mereceram o título. Apesar da pressão que tinha, por ter um time da casa na final, a partida correu tranquilamente. No final, nenhuma das equipes reclamou da arbitragem. Foi muito bom.

Em 2006, você foi apitar o Europeu Cadete na Espanha. Como foi a experiência com outra escola de basquete?

Realmente a experiência foi formidável. A convivência com árbitros de alto nível me enriqueceu profissionalmente, porque eles levam a arbitragem muito a sério.

E o Mundial Sub-19 na Sérvia?

Para mim foi um dos campeonatos mais importantes. Eu estava com árbitros europeus que atuam na Euroliga, um dos campeonatos mais difíceis da Europa. Me senti muito orgulhoso, porque fui designado para apitar a final entre Sérvia e Estados Unidos.
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Como as competições nacionais te ajudaram a chegar ao nível internacional?

Os campeonatos nacionais me ajudaram bastante, porque com trabalho árduo, dedicação e competência, conquistei o respeito dos melhores jogadores e técnicos do Brasil, o que não é tarefa fácil. Com isso, surgiu a oportunidade de trabalhar numa competição internacional com mais motivação e confiança.

E as internacionais te ajudam a melhorar a cada dia?

A cada torneio internacional eu ganho uma nova experiência. Você tem que se dedicar ao máximo com sabedoria, honestidade e competência para reconhecerem o seu trabalho e ser designado para futuras competições.

Numa competição, como é o convívio com os outros árbitros, de diferentes culturas?

É um convívio formidável porque você aprende novas estratégias. Cada árbitro tem uma característica de administrar um jogo sem problemas e você acaba aprendendo uma maneira diferente de lidar com a situação.

Que assuntos surgem numa conversa entre árbitros?

Geralmente são perguntas sobre partidas e jogadores do país de origem de cada árbitro. Coisas do tipo, se contatos no jogo são muito fortes, se os ginásios ficam cheios, se as pessoas gostam de basquete, quanto tempo dura a competição.
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Como é o relacionamento entre o árbitro e os jogadores antes, durante e depois das partidas?

O árbitro tem que ter uma postura profissional, ele não deve ter muito convívio antes, durante e depois do jogo. Ele deve falar apenas o necessário para que consiga conduzir bem a partida e transparecer para os espectadores que você tem uma conduta honesta e que vai ganhar o jogo quem merecer.

Já passou por alguma situação constrangedora ou engraçada durante uma partida?

Quando eu estava apitando um jogo em Uberlândia, o zíper da calça estourou. Realmente foi constrangedor para continuar a partida.

Você sente muita diferença entre competições femininas e masculinas? Entre base e adulta?

O jogo feminino é mais fácil de administrar, porque você consegue visualizar melhor o contato, já que não é tão forte como no masculino. A diferença entre as categorias de base e a principal é que os jogadores da base estão em formação e tendem a cometer mais violações e faltas por conta da pouca experiência.

O que você acha do aumento do número de mulheres na arbitragem nacional e internacional?

Eu vejo que o preconceito com as mulheres na arbitragem diminuiu muito e, consequentemente, jogadores e técnicos estão respeitando cada vez mais e vendo que elas são capazes de conduzir uma partida com competência. E isso é muito bom, porque cada vez mais temos mulheres atuando em torneios internacionais.

Quais as características de um bom árbitro?

É preciso se dedicar ao máximo para estar bem fisicamente, saber as regras do jogo, as características dos jogadores que você vai administrar e, principalmente, respeitar os árbitros que têm mais experiência. Devemos assistir aos jogos e ser sempre humilde, porque todo dia você tem algo para aprender.

E da arbitragem brasileira?

A arbitragem brasileira é uma das melhores do mundo. Prova disso é que na maioria das competições internacionais, tem sempre um árbitro brasileiro designado para apitar o confronto final.

Qual a sua rotina em dia de jogo?

Gosto de me preparar. Dormir e comer bem são importantes fatores. Desde cedo, mantenho em mente que tenho um jogo importante pela frente para administrar. Chego uma hora antes da partida para conversar e discutir os principais pontos para que o confronto se realize com sucesso.
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Tem alguma regra que você ache difícil de aplicar na hora do jogo?

A parte mais difícil do jogo é você saber até que ponto um contato é falta ou não.

O que você mais gosta num jogo? E o que não gosta?

O que eu mais gosto no jogo é quando ele está transcorrendo com sucesso. O que eu não gosto é quando a partida começa com muitas reclamações de técnicos e jogadores. Não é uma forma legal para quem está trabalhando e assistindo ao jogo.

Como fica o coração verde e amarelo do árbitro quando tem que apitar um jogo da seleção que desclassificou o Brasil?

É difícil deixar o coração de lado, mas como um bom árbitro, você tem que ter honestidade e profissionalismo para não misturar as coisas.

Quando não está apitando, você senta e assiste a um jogo de basquete?

Assisto sempre aos jogos, porque cada um é um aprendizado. Com certeza, você vai ver novas situações, que vão servir como experiência no futuro.

Você tinha o objetivo de ser árbitro ou aconteceu por acaso?

Eu jogava basquete, mas não profissional. Era por diversão. Meu amigo Marco Antonio Ferreira, que também é árbitro, sempre me falava para ir assistir um jogo, ver como funcionava a arbitragem, essas coisas. Um dia, resolvi ir e decidi fazer o curso de arbitragem. No início era só para constar no currículo, já que eu cursava faculdade de Educação Física na época. Mas deu no que deu e já são 19 anos de arbitragem.

De que maneira sua família influencia na carreira de árbitro?

A minha família me apóia e torce muito pelo meu sucesso na carreira de árbitro. É bem difícil ficar dias longe das pessoas que a gente ama por conta dos jogos, mas todos compreendem que isso vem com a profissão.

Qual seria seu trio ideal de árbitros?

O meu trio ideal é aquele que trabalha em grupo e pense no sucesso da partida e não aquele que pense somente no sucesso individual, deixando a partida de lado.