Imprensa

12/05/2009 - Lucas Nogueira, pivô da seleção Sub-17 masculina

img
Um bebê gigante, que calça 52, é um dos guardiões do garrafão brasileiro. Com 2,12m, o pivô Lucas Riva Amarante Nogueira, de 16 anos, conhecido como “Bebê”, é um dos reforços da seleção sub-17 que treina em Osasco rumo ao 21º Campeonato Sul-Americano da categoria, que será realizado de 25 a 30 deste mês, em Trinidad, no Uruguai. Falante e muito brincalhão, Bebê faz a festa dos colegas com tiradas divertidas e caretas engraçadas. Apesar de extremamente descontraído, Bebê fala sério quando o assunto é basquete e se dedica com disciplina à rotina de atleta. O pivô, que nasceu em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, retornou ao Brasil vindo de uma temporada de três meses no clube espanhol MMT Estudiantes. Curtindo a expectativa de defender o país pela primeira vez em uma competição internacional, Lucas está confiante que permanecerá no grupo, ajudando o Brasil a conquistar o título do Sul-Americano e uma das três vagas para a Copa América Sub-18 do ano que vem. Fã de Zico, Magic Johnson e Batman, esse carioca que só pensava em fazer gols agora trilha um belo caminho convertendo cestas.

Por que o apelido “Bebê”?

Na verdade o apelido completo era “Bebê Gigante”. Bebê porque eu tinha cara de criança e era sempre o caçula do time. Gigante por causa da altura, claro. Para encurtar, ficou só Bebê.
img

Como é estar na seleção brasileira?

Estou animado para defender o Brasil pela primeira vez. Será bem legal jogar contra adversários tradicionais, como Argentina e Uruguai.

E o ambiente nos treinos?

Ótimo. Conheço alguns dos jogadores e faço amizade rápido. O clima é muito bom e todos se dão bem. A gente brinca muito, mas na hora do treino trabalhamos com seriedade.

No que você pode ajudar a seleção brasileira?

Com meus tocos e rebotes. Estou aprendendo a usar a minha altura cada vez mais. Meu arremesso está melhorando e posso ajudar no ataque também.

Qual balanço você faz dos três meses na Espanha?

Foram bons. Conheci lugares interessantes, pessoas e culturas bastante diferentes. Fui bem recebido no país e no time. Voltei mais maduro dentro de quadra. Melhorei nos arremessos e rebotes e estou mais preparado fisicamente.
img

E como foi sua adaptação ao clima, idioma e comida?

Me adaptei bem ao espanhol e não paguei nenhum mico. Cheguei no inverno e sofri muito no frio. Fiquei igual ao Leonardo Di Caprio no filme Titanic, congelado (risos). Não gostava muito da comida, mas a gente acaba se acostumando. A minha sorte é que os meus pais foram junto. Minha mãe comprava comida brasileira no mercado e cozinhava de vez em quando para mim.

Como era sua rotina lá?

Morava no prédio do time, com atletas do interior do país e mais dois estrangeiros, um croata e uma sul-africana. Cada atleta tinha seu quarto sozinho. A rotina é puxada, mas bem legal. Era treino, escola e aulas de espanhol, com um professor brasileiro.
img

Quais as vantagens e desvantagens de medir 2,12m?

Eu gosto de ser alto porque chama atenção e faz eu ser bom no garrafão. Além disso, troco lâmpada sem precisar de escadas. Mas enfrento algumas dificuldades também. Calço 52 e tênis só importado. Também mando fazer calças e camisas sociais. E tenho que abaixar a cabeça em alguns elevadores, metrôs e ônibus.

Quais são seus ídolos?

Acima de tudo, Jesus. Meu irmão Sandro Riva (ex-jogador de futebol). No esporte, Zico, que me deu o mundo. E no basquete, tenho vários. Adoro Kobe Bryant e Magic Johnson. Entre os brasileiros admiro muito o Leandrinho, que joga demais e é uma pessoa humilde. O Tiago Splitter também é fera. Vi um jogo dele contra o meu time e o cara fez 30 pontos. É o melhor jogador em atividade na Espanha e tem uma técnica impressionante.

E a importância da família na sua carreira?

Total. Todos sempre me apoiaram muito. Meus pais se mudaram de São Gonçalo para Niterói só para eu ficar mais perto do clube e da escola. Meus irmãos são maravilhosos e sempre me ajudaram. Tenho que agradecer a eles por acreditarem em mim e no meu talento.

Como começou no basquete?

Sempre joguei futebol, mas grande desse jeito, acabei no basquete. Comecei tarde, com 14 anos, no Clube Central em Niterói, com o técnico Rodrigo Kanbach, que é um profissional excelente. De lá fui para a Espanha.