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08/04/2009 - Carlos Renato dos Santos

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Carlos Renato dos Santos é um dos árbitros mais respeitados no Brasil e no mundo. Dono de um currículo invejável, Renatinho apitou nada mais nada menos do que duas finais olímpicas: Estados Unidos x França em Sydney (Austrália / 2000) e Argentina x Itália em Atenas (Grécia / 2004). De 1995 a 2004, o árbitro foi convocado pela Federação Internacional de Basquete (FIBA) para 15 competições. Ficou afastado em 2005 e 2006, retornando as quadras em 2007 para o Pré-Olímpico das Américas Masculino de Las Vegas (EUA). Em 2008, foi para a Grécia apitar o Pré-Olímpico Mundial Masculino e, este ano, se prepara para o 8º Campeonato Mundial Sub-19 Masculino, que acontece em julho, na Nova Zelândia. Parar não está nos planos do paulista de 36 anos. Pelo menos até a próxima Olimpíada. Sorte para o basquete brasileiro, que poderá ser representado por um de seus melhores árbitros por mais alguns anos.

Você passou um tempo afastado das competições internacionais. Como você vê o seu retorno?

Fiquei dois anos (2005 e 2006) fora das competições internacionais por motivos familiares, mas voltei em 2007 para o Pré-Olímpico das Américas de Las Vegas (Estados Unidos) e em 2008 para o Pré-Olímpico Mundial de Atenas (Grécia). Sempre é muito bom ser convocado pela FIBA para uma competição, principalmente pela confiança e reconhecimento do meu trabalho.
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Qual a sua expectativa em relação ao Mundial Sub-19 Masculino da Nova Zelândia?

É uma competição muito importante e minha presença, junto com outros árbitros experientes como o Jungebrand (Finlândia) e Lamonica (Itália), é ajudar a desenvolver os mais jovens, dando suporte aos que têm pouca experiência ou que participa pela primeira vez.

Tem curiosidade em conhecer a Nova Zelândia?

Claro que quero conhecer. Sempre ouvi falar que a Nova Zelândia é um país muito bonito e que, inclusive, é o único no mundo que tem três estações de clima ao mesmo tempo.

Dos países que você já visitou, tem um preferido?

Já visitei o Canadá, Uruguai, Argentina, Grécia, Porto Rico e muitos outros. Mas a cidade que eu mais gostei foi Las Vegas.

Existe muita diferença entre apitar competições adultas e de base?

É muito diferente em relação ao nível de exigência, mas o mesmo nível em termos de importância. Na base, a arbitragem é mais aceita, é mais tranquila, e temos de dar ênfase nas partes técnica e disciplinar. E nas competições adultas temos de controlar as vaidades e as rivalidades existentes.
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São duas finais olímpicas e duas finais mundiais. O que representa para você estar entre os melhores árbitros, apitando um jogo entre os melhores jogadores do mundo?

Primeiramente, agradeço estar entre os melhores do mundo. É sempre muito extasiante apitar um jogo cheio de estrelas e o mais motivante é saber que eu terei a missão de controlá-los, além de estar representando meu país e minha classe de árbitros. Foi assim que me senti durante as importantes finais que apitei na carreira.

Como você vê a evolução da arbitragem brasileira no cenário nacional e internacional?

Vejo muito bem. Internacionalmente, temos deixado um legado de sucesso e de continuidade, não só com nossas atuações, mas agora também com a presença do Geraldo Fontana, com seu excelente trabalho como instrutor e observador, colocando o Brasil entre os melhores do mundo. Nacionalmente, temos um trabalho forte de renovação, também feito pelo Fontana, que insere os árbitros mais experientes como instrumento deste trabalho.

Qual a regra que você acha mais difícil de aplicar na hora do jogo?

As regras mais difíceis sempre foram as de contato. Hoje, o árbitro deve ter um discernimento muito grande antes de sancionar ou não um contato. Por isso, a regra se torna muito interpretativa, o que sempre gera dúvidas.

Existe diferença entre apitar um jogo feminino e masculino?

A diferença do masculino para o feminino são os contatos mais fortes e em maior quantidade, e a velocidade do jogo, que é mais intensa.
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Se você tivesse que escolher uma partida para eleger a melhor da sua carreira, qual seria e por quê?

Sem falsa modéstia seriam várias, mas vou indicar duas. A mais difícil foi a partida entre Estados Unidos e Iugoslávia pelas quartas-de-final do Mundial Masculino de Indianápolis (EUA), em 2002. E a mais perfeita foi entre Grécia e Argentina pelas quartas-de-final da Olimpíada de Atenas (Grécia), em 2004. Curiosamente, os dois times que jogavam em casa (Estados Unidos e Grécia) perderam as partidas e não houve problemas.

O que achou das mudanças nas regras?

Sempre acho positivo e moderno. Acredito que o basquete ficará cada vez mais apaixonante. E as mudanças cada vez mais nos aproximam das regras da NBA.

O que faz no dia-a-dia? Em que trabalha?

Administro a CDA – Central de Distribuição de Aço, que trabalha na área da construção civil com produtos Gerdau. Trabalho todos os dias e, quando consigo um tempinho, faço meus treinos pela manhã ou no final da tarde. Ainda apito jogos à noite durante a semana.

Qual a rotina dos árbitros durante a competição?

Durante as competições internacionais, geralmente pela manhã realizamos uma reunião técnica com a análise de vídeos das situações de jogo do dia anterior. Nos preparamos para os jogos e ainda vamos assistir as partidas mais importantes e dar uma força aos companheiros.
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Você já deve ter passado por diversas situações engraçadas e inusitadas. Cite algumas.

Tenho várias histórias. Já tive que deixar o ginásio no camburão da polícia e, numa partida da Liga Sul-Americana na Argentina, o zíper da minha calça quebrou e o jogo foi paralisado para eu poder arrumar, uma vez que a maioria do público presente havia notado.

O que é mais difícil ser pai ou ser árbitro?

O mais difícil é ser pai. Tenho o Caio, de nove anos, e o Enzo, de três. Na quadra, eu mantenho tudo sob controle. Em casa também, mas eles aprontam sempre. Mais do que os atletas. Meus filhos são tudo na minha vida.

Como é o Renatinho fora da quadra?

Eu sou uma pessoa sempre bem-humorada, divertida, que gosta de ficar em casa para jogar futebol, fazer churrasco. Também gosto de ir a um bom restaurante, passear e brincar com meus filhos, ir ao teatro e ao cinema. Também gosto de futebol, principalmente assistir ao Corinthians jogar, seja pela televisão ou ao vivo no Pacaembu.
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Você começou a carreira muito cedo. Até quando pretende continuar apitando?

Ainda não projetei isso, mas gostaria de ir a mais uma Olimpíada antes de parar. Agora, nacionalmente, posso apitar um pouco mais, enquanto eu continuar motivado.

E o que te motiva a continuar apitando?

Arbitrar é minha vida, é o meu dom. O que me motiva é acreditar no basquete e na arbitragem, e mostrar que ainda posso conquistar mais e aprender mais.