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30/03/2009 - Dedé, do Paulistano

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Aos 16 anos, quando saiu da casa dos pais, na capital paulista, e foi morar em Araraquara por causa do basquete, André Stefanelli, o Dedé, do Paulistano (SP), decidiu que esse era o caminho que queria trilhar. O sacrifício rendeu frutos. Foi bicampeão juvenil e eleito melhor jogador de São Paulo na categoria em 2003. Lá, conheceu o treinador João Marcelo Leite, com quem agora repete a dobradinha no Paulistano. Segundo cestinha do Novo Basquete Brasil (NBB) – Campeonato Nacional, com média de 21,9 pontos, Dedé conquistou também um feito impressionante: 42 pontos em uma partida, a maior pontuação individual até o momento na NBB. A vitória por 82 a 77, de virada, foi justamente sobre o Araraquara, time que o formou. Com passagens pelas seleções brasileiras de base e adulta, o ala, de 24 anos e 1,97m de altura, espera por novas convocações e admira o basquete da Espanha, onde sonha atuar.

A que deve o bom rendimento no NBB?

Devo muito aos meus companheiros de time. O Fernandinho (Fernando Penna – armador) é o primeiro colocado da competição em assistência, com média de 9.8 por partida. O bom rendimento dele explica, em grande parte, o meu. E também ao João Marcelo, nosso treinador, que me cobra muito nos treinos. Como em todos os times, há uma hierarquia. Por eu já estar há mais tempo trabalhando com o João, a cobrança em cima de mim é maior. Estou há dois anos no Paulistano, mas antes disso estivemos juntos no Araraquara.
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E como é a relação com o João Marcelo Leite?

Ele é bastante exigente, até porque treinamos muito. Então, ele quer ver em quadra o resultado desses treinos. Mas nossa relação vai além do trabalho. Somos amigos já há algum tempo. Por esse motivo também ele me cobra tanto.

A maior pontuação individual da NBB é sua: 42 pontos na vitória do Paulistano sobre Araraquara por 82 a 77. Como foi esse jogo?

Foi um jogo inspirado. Não é normal manter essa média, mas eu trabalho para sempre dar o melhor. Fiz a última bola do jogo e ganhamos de virada. E Araraquara é o lugar que eu joguei, então tenho intimidade com a quadra e quis deixar uma boa impressão. Foi um dia feliz. Tenho muito respeito pelo trabalho feito em Araraquara.

Apesar da sua boa fase, o Paulistano está em décimo na tabela. Por que?

Temos uma das médias de idade mais baixas da competição e não temos jogadores com muita experiência. Infelizmente, também tivemos uma baixa, que foi o Fernando (armador) com uma lesão no menisco. Vai passar por uma cirurgia e ficar 30 dias parado. A equipe está sentindo muito a falta dele. O armador é quem coloca o time no lugar. Eu também tive uma torção no dedo do pé. Me machuquei no jogo contra o Minas Tênis, no dia 25 de março, e terei de fazer alguns exames antes de voltar a jogar. Mas vamos brigar até o final para ficar entre os oito classificados para os playoffs. Se conseguirmos, já será um bom feito para esse primeiro ano de NBB.
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Fale um pouco sobre seu começo no basquete.

Comecei a jogar aos dez anos no Esporte Clube Banespa (SP) e fiquei lá por três anos. Depois joguei no Sírio (SP) e retornei ao Banespa. Aos 16 anos, me transferi para Araraquara, onde fui bicampeão juvenil. Em 2003, fui eleito o melhor jogador juvenil de São Paulo. Saí de Araraquara há dois anos, que é o tempo que estou no Paulistano.

Como foi sua experiência na seleção brasileira?

Em 2008, fui para o Campeonato Sul-Americano no Chile com o técnico Paulo Chupeta. Foi uma experiência muito boa. Como havia duas seleções se preparando simultaneamente, participei de treinos com o Moncho Monsalve (técnico espanhol da seleção adulta masculina) e com o José Alves Neto (supervisor das seleções masculinas de base e assistente da seleção adulta masculina). Minha primeira convocação foi aos 16 anos e eu passei por todas as seleções brasileiras de base.
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Tem expectativa para uma nova convocação?

O trabalho do jogador é sempre pautado por, em primeiro lugar, estar bem no time, mas a seleção brasileira é o que todos esperam. Estar entre os melhores do país é um espelho, um modelo a ser seguido. Então, tenho muita vontade de ser novamente convocado.

E os planos para o futuro?

Tenho muita vontade de jogar na Europa. Possuo cidadania espanhola e admiro muito o basquete de lá. É um basquete estudado e tecnicamente mais completo, que me instiga muito. Acho que o basquete da Espanha é o melhor do mundo atualmente. Assisto sempre aos jogos e tenho amigos que jogam lá, então acompanho bastante. Se pudesse escolher um clube, queria jogar no Barcelona.

Você sempre quis ser jogador de basquete ou chegou a cogitar outra carreira?

Eu fui muito jovem para Araraquara, com 16 anos. Estava saindo da casa dos meus pais, em São Paulo, e da minha escola para seguir o basquete. Nesse momento, decidi que era isso que eu queria e acho que fiz a decisão certa. Cheguei a tentar vestibular para Educação Física, mas não levei a diante. Além disso, já tinha um jogador na família, o Rodrigo (também ala do Paulistano), meu irmão mais velho. Ele me influenciou, foi um espelho para mim. Sempre o tive como um ídolo.
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Sua família te apoiou na decisão?

Meus pais sempre nos deixaram seguir pelos caminhos que nós escolhemos. Nunca tentaram impor nada. Eles até viajam para acompanhar os jogos e têm uma alegria enorme de fazer isso. Estão satisfeitos pelas nossas escolhas. Tenho também uma irmã mais velha, que não joga basquete, mas acompanha bastante e nos cobra demais. Por eu ser o mais novo dos três, sempre ouvi muitas recomendações dela, que me deu muita força e me apoiou.

Além do basquete, o que gosta de fazer?

Sou muito “família”. Moramos todos juntos. Minha irmã é casada, mas mora perto e está sempre conosco. Nossas decisões sempre envolvem os cinco. Gostamos de fazer churrasco, reunir os amigos e viajar para a praia, programas bem familiares em geral.